A hora do almoço na Avenida Paulista

A avenida mais moderna de São Paulo conta com uma diversidade enorme de restaurantes para agradar os mais diversos gostos.

           Todos os dias da semana, mais de 2 milhões de pessoas passam pela avenida mais famosa de São Paulo, a Avenida Paulista. Desde estudantes até executivos, essa avenida que conta com prédios exuberantes e charmosos, abriga milhares de pessoas todos os dias.

            A avenida que tem mais de 120 anos tem uma cara diferente entre 12h e 14h, pois é a hora em que a sirene instalada na Fundação Cásper Líbero toca anunciando a hora do almoço.

            Essa sirene foi fabricada na primeira Guerra Mundial pelos franceses e era usada como toque de recolher durante os ataques aéreos. O jornalista Cásper Líbero trouxe a sirene para São Paulo e a instalou na sede da fundação. Todos os dias, a sirene era tocada para avisar que os periódicos matutinos e vespertinos estavam prontos. Mesmo com as edições não circulando mais, o toque do meio-dia foi mantido como uma tradição.

            O que mais chama a atenção neste horário é o movimento que os restaurantes que estão na Paulista e nos seus arredores tem. A cada quarteirão é possível encontrar mais de 10 restaurantes e para todos os gostos e bolsos.

            É possível encontrar comida por quilo, lanches, pratos prontos, comidas orientais, árabe, mexicana, italiana, brasileira e os restaurantes variam em torno de 20 a 100 reais. Acompanhei a rotina de três restaurantes para ver como a avenida mais famosa de São Paulo fica na hora do almoço.

            O Gallery é um restaurante localizado em uma galeria junto com outros restaurantes que fica nas imediações da Paulista. O dia começa cedo no estabelecimento: a cozinheira e a saladeira chegam às 7h da manhã e começam a preparar o cardápio que foi decidido pelo dono do Gallery, Ricardo Nosella, de 57 anos, que chega ao restaurante às 8h. As funcionárias chegam às 8h30 e começam a arrumar e limpar o salão.  Quando é 10h40 toda a comida tem que estar pronta para poder atender todo o movimento.

            De acordo com Ricardo, a principal estratégia do restaurante é ter um atendimento ágil e de boa qualidade que faça com que o cliente volte mais vezes. Além disso, Ricardo contou que ele faz de tudo para não deixar que a fila de espera cresça muito. Uma outra estratégia que parece dar muito certo no Gallery, é o cartão fidelidade, em que na compra de 10 almoços, o cliente ganha um cupom para participar de um sorteio de 10 almoços, 10 sobremesas e 4 vale presente na FNAC no valor de 50 reais.

            No dia em que estava no restaurante, conheci João Paulo Moreira, 60 anos, cliente do Gallery desde que foi inaugurado, Já ganhou todos os prêmios e diz que almoça lá pelo menos 3 vezes por semana, pois acha a comida excelente e o preço razoável.

            Segundo João Paulo, o único defeito do restaurante é o de não abrir aos sábados, mas Ricardo diz que não é vantajoso: “a galeria fica sem movimento e se eu abrisse nos fins de semana e para o jantar, eu teria mais despesas do que lucro, não compensa. Porém, decidi abrir o restaurante as quintas e sextas-feiras a tarde para fazer o happy hour dos trabalhadores da Paulista com espetinhos, cervejas e caipirinhas”.

            Inaugurado em 2010, a média de público diário é por volta de 350 pessoas, mas de acordo com Ricardo, o movimento em um dia já chegou a ser de 420 pessoas. Sobre a concorrência, o proprietário diz que tem que ter jogo de cintura: “o nosso diferencial é a qualidade por um preço acessível e o jeito com que tratamos nosso clientes, todos sempre serão bem-vindos e muito bem tratados”. Para Ricardo, a melhor divulgação é aquela feita pelos próprios clientes: “quando eles gostam, eles não só voltam como trazem mais pessoas. Mas, hoje em dia, a internet é uma excelente maneira de divulgar seu estabelecimento, por isso, estamos criando uma página e um site do Gallery”.

            O restaurante Raful fica na Avenida Brigadeiro Luís Antônio e está sempre com um grande movimento. De acordo com Daniela Barbosa de 26 amos, que é a supervisora do restaurante, as pessoas chegam ao restaurante por causa da divulgação feita pela loja de comida árabe que existe na rua 25 de março: “geralmente, as pessoas chegam aqui e nos dizem que gostam muito da loja e é isso o que desperta o interesse de visitar nosso restaurante, nossa qualidade já é reconhecida”.

            O restaurante árabe abre das segundas-feiras as sextas-feiras, das 8h às 20h e aos sábados, das 10h às 16h. O público alvo da semana é diferente do público dos sábados, segundo Daniela, durante a semana, o restaurante atende os trabalhadores e estudantes que estão ali perto e aos sábados os frequentadores são mais casais sozinhos ou com filhos.

            Além disso, a supervisora enfatiza bastante o fato do estabelecimento também oferecer comida brasileira, como pratos frios, do dia, executivos. O Raful também conta com o rodízio de comida árabe que sai $54,90 por pessoa.

            O dia de Daniela no restaurante é bastante corrido, pois ela precisa estar sempre observando como estão o andamento das coisas, se está tudo certo com a comida e, principalmente, se os clientes estão sendo atendidos corretamente e estão satisfeitos: “ confio plenamente nos nossos funcionários, ao todo, contamos com 22 pessoas que se dividem entre caixa, copa, salão, balcão, mas, se algum desses setores precisar e ajuda, nós nos revezamos para dar conta de tudo. Além disso, temos 2 cozinheiras que estão muito bem instruídas e preparadas para atender a nossa demanda”.

            Sobre a demanda em si, a supervisora disse que a quantidade de comida preparada vai de acordo com a quantidade que é pedida, a única coisa que tem um limite é a quantidade dos pratos do dia, que são 10: “ Com isso da para perceber que mesmo em um restaurante árabe, a comida brasileira tem muitos pedidos”.

            Daniela ressalta a importância de se ter um boa estratégia nos horários em que o movimento são maiores, segundo ela, é essencial tratar bem o cliente, pois essa é a maior impressão que fica, o jeito como um restaurante trata seus clientes, depois é necessário ser ágil na rotatividade das mesas: “nós fazemos em um dia,  no horário de pico, que é entre 11h30 e 15h,  com que o público gire de 6 ou 7 vezes na mesa, pois como o espaço é pequeno, precisamos conseguir montar estratégias para atender todo mundo”.

            Sobre a divulgação do restaurante, a supervisora também acredita que a melhor maneira é a divulgação feita pelos clientes, se ele gosta da comida e os funcionários do restaurante o tratam bem, com certeza ele vai voltar e vai recomendar o Raful para outras pessoas. Mas, estamos agora construindo um site para nós”.

            Inaugurado há três anos, o restaurante tem uma média diária de 650 pessoas, mas a maior quantidade de público começa a partir de quarta-feira e vai até sexta-feira, nos outros dias, o movimento é menor e o restaurante fica mais sossegado. Daniela diz adorar o que faz e conta que em um restaurante, problemas sempre irão existir, mas que se a equipe é bem preparada é fácil contornar e dar um jeito em qualquer problema.

            E por fim, acompanhei o dia de Gustavo Queiros, de 26 anos, que é proprietário e gerente do restaurante Magnólia, também, conhecido como “Dezão”. O restaurante que fica em uma galeria na região do Trianon Masp, funciona de segunda a sexta-feira, das 10h40 às 14h40. Quando perguntei sobre o motivo de não servirem jantar, Gustavo disse que é por causa do público que ele atende: “ nós atendemos o pessoal que trabalha nos bancos, nos escritórios, enfim, os trabalhadores em geral, ou seja, nosso restaurante tem o objetivo de atender esse público comercial no horário comercial”. O proprietário ainda conta que já tentou abrir o restaurante aos fins de semana, mas não tem muito movimento, então não compensa para ele, que percebeu que as pessoas que trabalham de final de semana preferem lanche ao invés de comida.

            Sobre o movimento, Gustavo diz que a média diária do público é de 300 a 400 pessoas. E ele tem a vantagem do restaurante ter uma alta rotatividade, pois os trabalhadores não tem muito tempo para gastar, então eles ficam, em média, de 20 a 30 minutos comendo.

            Sobre as estratégias para manter seus clientes, o Magnólia usa de alguns artifícios como tentar criar fidelidade com o cliente, pois, segundo Gustavo, os seus maiores concorrentes estão dentro da galeria e não na Avenida Paulista. Além disso, o restaurante promove promoções, como, na compra de 10 refeições adiantadas, a pessoa paga 10 reais por cada uma.

            Gustavo contou que recebe sugestões de cardápio dos clientes e que todo começo de semana, sua mãe, que o ajuda no negócio, monta os cardápios da semana. E que o cardápio varia sempre, por exemplo, a cada 15 dias, o restaurante serve yakissoba, toda quarta, tem caipirinha.

            De acordo com o proprietário, a sua principal estratégia para ganhar da concorrência é a rotatividade e ele ainda completa: “minha maior divulgação é aquela feita pelo cliente, geralmente, quando ele gosta da nossa comida, ele sempre volta almoçar aqui devido ao nosso preço e com ele sempre vem mais gente”. Ele diz que o principal conselho que ele dá para suas 9 funcionárias é: “não confundam pressa com agilidade”. O Magnólia atende os trabalhadores da Paulista desde 2008.

            Uma das suas clientes que possuem o pacote de fidelidade é Fernanda Ribeiro que trabalha do lado da galeria há 3 anos e come quase todos os dias lá: “o que eu mais gosto no Magnólia é a qualidade da comida, parece comida de casa. Além disso, o Gustavo e todos os seus funcionários sempre me trataram muito bem e com muita educação. Eu recomendo para todos os meus amigos”.

            A Avenida Paulista é um excelente local para almoçar, pois é possível encontrar muita variedade de cardápio e ainda ter preços acessíveis. É importante ressaltar que para se ter qualidade não é preciso gastar muito dinheiro, basta procurar com atenção.

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