Dinheiro em concreto

Nova construção de um shopping na avenida Paulista, símbolo da capital de São Paulo, faz os moradores e trabalhadores da região refletirem

Grandes detalhes passam despercebidos aos olhos de muitos que já estão acostumados com a caminhada pela Avenida Paulista, a avenida símbolo da cidade de São Paulo, em sua rotina diária.

Pelo nome que tem consigo, a avenida é conhecida por conseguir revelar o público e modo de vida dos Paulistanos – a avenida que não para, acordada 24 horas por dia, que abriga todas as tribos e estilos diferentes, além de sempre apresentar uma novidade.

Criada no final do século XIX representa também a famosa “selva de pedra”. Prédios executivos, repletos de empresas, faculdades, escolas, academias, prédios residenciais, shoppings com diversas lojas, praças de alimentação, locais para a diversão e também museus, consegue-se encontrar de tudo na avenida.

Trânsito algumas vezes caótico, porém, facilitado pelas três estações de metrô que a percorrem – Estação Brigadeiro, Trianon-Masp e Consolação, além de pontos de ônibus e táxis. A avenida paulista, senão o coração de São Paulo é afirmativamente uma das artérias principais para o funcionamento da cidade.

Para quem passa todo dia o na Avenida Paulista x rua Pamplona, o painel colorido que esconde uma grande construção – uma intervenção artística onde artistas pintaram uma série de painéis nos tapumes que rodeiam a obra, para homenagear os 120 anos de história da avenida, chamou grande atenção no começo. Porém, agora, é visto como algo comum, que passa despercebido aos olhos não clínicos da correria diária. Mas não para a maioria. Pessoas mais curiosas, que conseguem ver também os guindastes que ultrapassam o limite do painel, sabem que lá dentro corre a construção de um novo edifício para a velha avenida.

A construção que ocorre dentro do terreno, é a construção de um novo centro de compras para a Avenida – o 4º shopping da região, que já conta com o Top Center, o Center 3 e também, com o shopping Paulista.

O futuro shopping Cidade de São Paulo, chega, não para competir com o atual mercado já presente na região, visa reforçar a oferta e opções para o grande número de frequentadores. O shopping contará com uma ampla praça de alimentação (um serviço pelo qual ainda há muita demanda), lojas, estacionamentos e também uma torre comercial.

Um olhar histórico

O terreno que hoje abriga a construção foi um dos famosos casarões de época na avenida paulista, e pertencia a tradicional família Paulistana dos Matarazzo com o nome de Mansão Matarazzo.

A Família Matarazzo residiu na Paulista da década de 1920 até os anos 1970. Sua trajetória está ligada ao desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo remetendo a cidade de Sorocaba, onde foi a primeira residência de Francisco Matarazzo. Lá ele iniciou sua grande trajetória e chegou a ser o maior empresário do nosso país.

Os Matarazzo residiam na avenida, em uma mansão construída em 1896, e desfrutavam de todo o esplendor que isso trazia a eles. Porém, na década de 60, os padrões econômicos da avenida começaram a mudar. Os casarões, mansões e palacetes foram substituídos por grandes empreendimentos, dando início aos padrões de hoje. A avenida começou a surgir, originando a selva de pedra Paulista. A especulação imobiliária do local já era grande, e com o surgimento de prédios comerciais, aumentou ainda mais.

Aos poucos, a avenida mais tradicional morreu e deu origem a uma mais nova e totalmente moderna. Hoje, poucas construções da época, 5 em um raio de 2,8 km, permanecem. As que continuam aqui foram tombadas e transformadas em patrimônios históricos.

Foi o que quase ocorreu com a Mansão Matarazzo, localizada na altura do número 1.600 da Paulista. Na década de 1990 a mansão da família Matarazzo estava fechada. A prefeita da época, Luiza Erundina decidiu criar o Museu do Trabalhador, pois o local era adequado, as salas eram espaçosas e o local de fácil acesso. Era uma homenagem para aquele que foi o pioneiro industrial de São Paulo.

Em 1992 a Construtora Grafisa apresentou um projeto de construção de uma torre comercial que ganharia o nome de Torre Matarazzo, onde a mansão na frente da construção seria preservada e convertida em centro cultural.

Já, em 1995, a família fecha um acordo para transformar o casarão em um amplo estacionamento com mais de 12 mil metros quadrados.

Porém, em 1996, antes de acontecer o tombamento do edifício, um ataque ao patrimônio histórico ocorreu. A célebre mansão da família Matarazzo foi dinamitada e sua demolição tornou-se inevitável, já que a estrutura ficou abalada. O pedido de tombamento que tinha mais de 20 anos foi oficialmente cancelado pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico).

Após o ocorrido, até 2009 o terreno foi transformado de fato então em um estacionamento, e em 2010, a construtora Grupo Cyrela/Camargo Corrêa lança o projeto de uma torre comercial e um shopping center na região e obtém aprovação e certidão de diretrizes da CET, que define medidas para amenizar efeitos do empreendimento no tráfego.

A Construção do prédio começou em 2010, e tem conclusão prevista para 2014. Em conjunto com a nova torre, que deverá conter 13 pavimentos de escritórios, será também instalado na região o novo shopping Cidade de São Paulo, com 5 pisos e 7 subsolos, em uma soma aproximada de 1.600 vagas cobertas de estacionamento.

Discussão

A questão que indaga muitos Paulistanos que convivem ao lado da obra diariamente é a importância dessa construção. O que seria diferente no dia a dia com mais um shopping? Será que o trânsito seria afetado?

Segundo o advogado Marcos Aurélio Zapone, 43, o trânsito em sua rua se tornará ainda mais caótico “Moro aqui na São Carlos do Pinhal, paralela à Paulista. Na famosa hora do rush, é praticamente impossível sair de casa. Andar a pé é a opção que nós moradores temos. O shopping será bom, pois é sempre mais confortável algo mais próximo de você. Mas a chance de tirar meu carro da garagem das 18 horas até as 21 é mínima”.

Para a construção do shopping, a construtora deverá ter o Alvará aprovado também pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Eles tomarão medidas para precaver e não aumentar o fluxo de carros, buscando soluções para diminuir o tráfego.

Kat Silva e Cláudia Neri, amigas que trabalham no edifício ao lado da construção apresentam uma opinião diferente. “Esse shopping ao nosso lado será uma maravilha! O único lado ruim é que assim que sair do trabalho, gastarei todo meu salário nas lojas”, afirma Kat Silva, 21.

“Juro que não sabia que aqui atrás (refere-se aos tapumes de proteção envoltos à obra) será um shopping. Mas agora estou muito animada!” disse a estudante de fisioterapia e trabalhadora da região Cláudia Neri, 19.

A maior oferta de lojas e principalmente de mais restaurantes é um ponto onde todos os trabalhadores da região concordam que será positivo. A maioria dos questionados afirmou que quanto mais opções de restaurantes, melhor será para eles, e não veem aspectos negativos nisso.

“Será realmente mais confortável ter um shopping novo e maior bem ao lado da minha faculdade. O Top Center é bem perto, mas tem uma praça de alimentação muito pequena. Parece que esse shopping será grande, então terei mais opções para a hora do almoço.”, diz a estudante de jornalismo Letícia Orcioulo, 19, na Faculdade Cásper Líbero, que fica localizada na Avenida Paulista também.

“A opção de um shopping será uma novidade bacana para os finais de semana também. O lazer dos Paulistanos é ficar preso dentro de quatro paredes, e quando combinado em gastar dinheiro, nosso prazer é ainda maior. Posso afirmar que passo boa parte do meu dia e boa parte da minha vida aqui na Paulista. Aqui você encontra de tudo, e um shopping novo nunca é demais.”, disse a secretária Márcia Cipriani, 28.

O que nos resta, é aguardar a inauguração do shopping para ver de fato como será sua aceitação na região. Por ser um polo econômico muito forte, que cria e retém muito capital, mais um shopping não trará prejuízos para a capital Paulista. O trânsito pode tornar-se pior e mais lento em alguns horários, mas desde o surgimento da selva de pedra, já estamos acostumados com essa realidade.

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