Letras em verde e amarelo

O que a literatura nacional nos reserva e a nada mole vida dos autores nacionais.

Publicar no Brasil não é um caminho fácil. Entre colocar na caneta no papel (ou os dedos no teclado) e ver seu livro nas prateleiras de uma livraria, o caminho é longo. A cultura nacional não é muito consumida no Brasil, novos autores lutam todos os dias para tirar seus livros das gavetas e colocarem no mundo. Autores mais experientes também vivem os dramas do mercado, mas a lógica já começa a mudar. As temáticas são importantes, afinal o romântico ainda está na moda? Os mistérios ainda chamam a atenção do público?

As primeiras letras

Samanta Holtz é escritora, ela despontou com a editora Novo Século, quando lançou seu romance “O Pássaro”, que lhe rendeu o prêmio Destaques da Literatura. Ela diz: “Quando dizem que a arte é “10% inspiração e 90% transpiração”, não estão mentindo!”. Escrever não é uma tarefa fácil, mas os autores dizem que essa vontade nasceu com eles. Camila Dornas é a autora de “A Linhagem” e disse: “Comecei a escrever quando era muito pequena. Eu tinha um daqueles diários com pequenos corações como fechadura, que carregava para todos os lados, e desde então sou apaixonada pelas palavras. Mas faz pouco tempo que realmente me olhei no espelho e pensei: Quero ser escritora. Não foi algo planejado, fiz o que amava e o resto aconteceu naturalmente.”. Bruna Camporezi é autora de “Segredos de Landara”, sempre foi muito artística, desenhava e escrevia. Aos 17 anos registrou seu primeiro livro na Biblioteca Nacional, mas não ele ainda não chegou até as livrarias. Foi aos 18 anos, com a futura trilogia Segredos de Landara, que ela decidiu tirar o sonho da gaveta. Kizzy Ysatis acredita que deve-se escrever sobre aquilo que se sabe e que se gosta, então seu amor e conhecimento pelos vampiros e criaturas da noite que o levou aos raios de luz. Ele publicou “O Clube dos Imortais”, “O Diário da Sibila Rubra” e “O Mistério do Rio das Rosas Brancas”. Já foi vencedor do prêmio Rachel de Queiroz. Sua literatura diferenciada já caiu no gosto do público e da crítica e até do Jô. Em entrevista ao Programa do Jô, o autor chamou atenção do apresentador que disse: “Esse rapaz escreve sobre um tema marginalizado, faz um livro da maior qualidade e ganha um prêmio importante, isso eu acho fantástico”.

Literatura e os Blogs

O advento da internet e a transição para o digital trouxe a possibilidade do fim dos livros, do fim do papel, porém as histórias não morrem e como disse Kizzy Ysatis: “Sempre terá alguém disposto a comprá-los”.

Hoje no Brasil ainda se lê pouco, porém o quadro está mudando, a venda de livros subiu 13% durante o ano de 2012, e o mercado editorial começou a aprender a aproveitar a internet. Hoje uma forte fonte de divulgação de livros são os blogs. Por meio de parcerias com os autores, os blogs literários divulgam livros, fazem resenha, sorteiam publicações e incentivam a leitura no país.

Bruna Camporezi é parceira de vários blogs e conta como a parceria funciona bem: “Acabei me tornando amiga das blogueiras, uma delas até me ajudou no layout do meu site, e isso funciona muito bem, muita gente que me manda email, conheceu meu livro através de algum blog”.

O livro “O Pássaro” de Samanta Holtz também se beneficiou do conjunto internet e literatura, a divulgação do romance foi baseada no contato on-line e como resultado  Samanta Holtz foi vencedora do prêmio Destaques Literários na categoria Romance Nacional, foi o livro mais votado não somente pelo voto popular, mas também pelo júri técnico, que é composto por blogueiros e críticos.

A Estrada dos tijolos amarelos

A caminhada para publicar não é fácil. Camila Dornas comentou: “escrever é a parte fácil, flui em você como se as palavras corressem no seu sangue. A publicação em si é que é complicada. Achar a editora certa é fundamental”.

Porém encontrar a editora certa nem sempre é fácil, a grande maioria dos escritores demora e leva muitos “nãos” até conseguir levar sua história para o público. Bruna Camporezi chegou a imprimir seis versões do seu livro “Segredos de Landara” e leva-los de mochila até a bienal do livro em 2012 e entregá-los nas editoras, apesar do esforço essa tática não funcionou.

Samanta Holtz do “O Pássaro” também disse que levou uma sequência de nãos e que apenas no seu terceiro livro escrito, ela conseguiu colocar um nas prateleiras. Samanta também contou que registrava o nome da editora e a data do contato e foi olhando uma planilha dessas, que ela resolveu tentar um novo contato com a Novo Século, da segunda vez eles aceitaram e hoje o retorno dessa aposta só cresce.

Porém o mercado editorial não é fácil, uma boa parte das editoras não está recebendo livros originais, principalmente nacionais, só trabalham com o que vem de fora e que já é uma garantia de sucesso. O fato de a editora ser uma empresa, e portanto visa lucros, dificulta o despontar de talentos nacionais. Bruna reclama que: “Nas livrarias, os livros nacionais nunca estão aparentes ou nas primeiras mesas. Nossas publicações sempre ficam escondidas. O brasileiro não dá valor ao que é produzido aqui, temos a mentalidade de tudo que é de fora é melhor, e isso atrapalha muito o desenvolvimento da literatura nacional”.

Divulgação

Um problema muito enfrentado pelos autores nacionais é a divulgação. A editora, muitas vezes, dá apoio na impressão e no lançamento do livro, mas a divulgação da obra em si é papel dos autores. Os blogs de crítica literária nas parcerias ajudam muito, as resenhas e os sorteios levam o livro para muitos lugares. O Facebook é outra arma muito usada por eles e os blogs pessoais dos autores também. Camporezi diz: “Tenho uma relação ótima com os parceiros. Mantenho meu blog pessoal e atualizo sempre. A página do Facebook está crescendo, tenho mais de mil curtidas. Mas eu tento em todas as frentes, faço panfletagem e tudo”. Bruna pensa: “Eu quero ser só escritora, em breve eu terei uma assessora, alguém para cuidar de tudo e eu vou só escrever. Eu tô só no começo, mas eu amo tudo isso. É isso que eu quero ser na vida. Eu amo escrever”.

Quer saber como publicar?

Escreva um bom livro e registre na Biblioteca Nacional. Depois é a hora de enviar para as editoras. Algumas delas, como a Novo Século, trabalham com formulários, o autor preenche um formulário com informações pessoais, sobre a história e envia também uma sinopse, se interessar eles pedem o original. Já outras trabalham diretamente com o original, que deve ser entregue, geralmente, por email ou às vezes, até ao vivo e impresso.

Romantismo

O Romantismo foi gerado sob o impacto revolucionário. O século XIX chega à sombra das Revoluções Industrial e Francesa e traz um novo tipo de literatura. As mudanças e o esqueleto de um mundo capitalista traz um tipo de inconformismo e então surge a necessidade de um escapismo, a necessidade de escapar ao mundo objetivo, à sociedade, ao tempo presente, em busca de refúgio no mundo subjetivo, no indivíduo, no tempo passado. O Romantismo traduz isso e nasce com características nostálgicas, nacionalistas, idealizadas, subjetivas e sentimentalistas. Livros como “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe inauguraram esse movimento e tiveram uma vendagem imensa para a época.

Hoje vemos nas prateleiras um grande número de livros que são chamados de românticos. Algumas pessoas pensam que as temáticas da escola literária estão voltando. Essas opiniões são divergentes. O amor romântico parece ganhar as páginas novamente, porém Kizzy Ysatis acredita que: “não dá pra trazer o Romantismo de volta, não tem como arrancar um tijolo da parede do tempo”. Já a escritora Camila Dornas já tem outra visão: “Aquela coisa idealizada que era o que regia o romantismo ainda está presente em muitos livros autuais. Acredito que o romântico é tão atrativo por que, mesmo se tratando de um livro fantástico, o amor é uma possibilidade real na vida de cada um”.

Porém em um ponto a maioria dos autores concorda: os grandes autores da época ainda influenciam os atuais, os clássicos são clássicos. O Romantismo é visto com carinho principalmente pelos autores nacionais, pois a escola literária do romantismo foi a primeira a desembarcar com os dois pés e toda força no território tupiniquim e evidenciou autores geniais como Gonçalves Dias, Castro Alves e Álvares de Azevedo.

O Mistério

O mistério ainda é presente? Qual será o motivo dele chamar tanta atenção? Ele está presente na literatura desde sempre, Kizzy quando indagado sobre o assunto diz: “O mistério sempre encantou o homem desde a noite dos tempos”.

O homem se interessa pelo desconhecido, está inserido no ser humano. Criamos mitologias, histórias fantásticas e qual será o motivo disso? Talvez seja para fugir do mundo real que nos cerca, aliviar a tensão da rotina e transgredir o comum. A vida rotineira não chama tanta atenção quanto a vida eterna dos vampiros. Os Anjos da Vida não são anjos de verdade. E no fundo, o que a maioria conseguiu exprimir é a máxima do filme baseado no seriado Arquivo X: Eu quero acreditar.

Os autores, os leitores e todo o público buscam nas letras uma forma de ir além, de viver mais, de entrar na história (de preferência, antes de sair da vida). No que depender dos autores, a literatura vai sobreviver, o papel pode extinguir, mas desde o começo dos tempos e até o final deles, os contadores de história cumprirão sua função.

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