Na sociedade selvagem

A vida como ela realmente é, diante da tão almejada independência

 

Algo que tantas pessoas buscam, seja financeiramente, socialmente ou psicologicamente, a independência é almejada por muitos, principalmente por jovens no seu auge de descobrir o mundo.

Escolher morar sozinho, pagar suas próprias contas e ter maiores responsabilidades é decisão de muitas pessoas que já possuem certa estabilidade financeira e se dispõe a encarar a realidade com a cara e a coragem.

Mas e se o caso não é esse? Se essa opção precisar ser tomada por um estudante, recém- formado do colégio, sustentado a base do paitrocínio e que sempre viveu sob os muros de proteção da família; que se vê na oportunidade de ter sua “própria” casa e o mais importante: sua liberdade?

Isso acontece com muitos estudantes que entram na faculdade e precisam criar uma maturidade praticamente instantânea para arcar com as consequências de morar em uma cidade diferente da sua.

Esse é o caso de Sofia Dias Quebradas, de 19 anos, que veio de São João da Boa Vista, para morar em São Paulo. Assim que descobriu que havia passado na faculdade de comunicação Cásper Líbero, no curso de jornalismo, a estudante, então com 18 anos, veio à procura de um apartamento com sua amiga, com quem divide a casa.

“eu e a Fer (Fernanda, com quem Sofia divide o apartamento) rimos na cara dos nossos pais quando eles falaram que íamos morar nesse apartamento que estamos hoje.”

Acostumadas a morar em uma casa grande, as duas meninas não acreditaram no tamanho do apartamento. Sem jardim, tendo que dividir quarto e com apenas um banheiro, só aos poucos as meninas entenderam que vida de paulista é assim, pelo menos para a maioria dos estudantes migrantes.

É o mesmo caso da estudante Ana Paula da Silva e Silva, que veio de São José dos Campos para estudar. No caso dela o a ideia de como seria a vida na cidade grande já estava construída, já que sua irmã já morava em São Paulo. “Desde cedo eu queria isso: sair de casa e buscar meus objetivos e meus pais sempre me apoiaram, apesar de ser difícil ver uma filha fora de casa. Foi mais fácil para todos porque minha irmã já morava aqui, então eu só precisei organizar minhas malas e vir morar com ela!”

Esse quadro mudou a partir de 2013 e Ana começou a viver e ter que cuidar do apartamento e das obrigações sozinha, já que sua irmã se formou em 2012. “O que eu não gosto de morar sozinha é não ter ninguém pra conversar no fim do dia, contar o que eu fiz, o que me aconteceu… E também olhar pro lado e ver uma cama vazia (da minha irmã). Resumindo, sinto falta de alguém pra conversar!”. E admite que essa experiência toda valeu muitos frutos: Posso dizer com certeza que amadureci, cresci e evoluí demais nesse tempo que estou morando aqui Aprendi não só a me virar, mas a me cuidar, saber que morar longe não é só festa, bagunça… É também ter responsabilidades, pagar contas, limpar a casa, fazer supermercado e cuidar de mim! Uma experiência que só trouxe coisas boas e espero que continue assim!”

Alternativa diferente

A maioria dos estudantes opta por dividir um apartamento, de preferência, perto da faculdade, com amigos que também pretendem se mudar. Mas o caso da estudante Mariana Moreira é um pouco diferente. Sim,ela também escolheu vir morar em São Paulo e seguir seus sonhos, mas além da estudante vir do nordeste, bem mais distante do que São João da Boa Vista ou São José do Rio Preto, ela optou por morar e um convento.

Apesar de isso soar extremamente incomum, já que são raros os conventos em São Paulo, não tem nada a ver com seguir a religião católica e virar freia. Simplesmente o convento abriga meninas (só meninas) que precisam de um lugar pra ficar; mais em conta, com companhia e algumas regras e regalias que quem mora sozinho não tem.

Em relação a essa decisão, Mariana ressalta que: “Eu quem propus depois que vi que a Cásper era a melhor em jornalismo no Brasil. Foram dois anos de diálogo até que eu convencesse os meus pais de que era o melhor para mim no sentido profissional e, assim, fizemos um acordo: se eu passasse no vestibular, eles me bancariam aqui. Quando passei na Cásper, viajei duas vezes para cá: a primeira para a matrícula e a segunda para mudança efetiva. Lembro que paguei 16 kg de excesso.”

Em um lugar bem mais distante

Se, mudar do Nordeste para São Paulo já é uma tarefa difícil, imagine viver em um país totalmente diferente, em que a língua estrangeira é apenas uma das barreiras culturais que existe na adaptação em uma nova cultura.

Esse é o caso da estudante Camila Kim, que depois de passar um tempo na Coreia e finalmente decidir ir morar e fazer faculdade em Nova York, se deparou com a verdadeira realidade.

“Na verdade eu estava fazendo faculdade e morando na Korea, mas devido as mudanças na lei coreana em relação aos descendentes de coreanos, tive que voltar pro Brasil. Meu pai me deu duas opções, fazer 6 meses de cursinho e prestar vestibular ou fazer uma prova na faculdade dos Estados Unidos e estudar lá. Como eu sempre quis estudar em Nova York, me decidi pela segunda opção. E como eu já tinha um amigo estudando em lá, foi mais fácil na preparação da papelada e dos vistos.”

Apesar da empolgação ser grande e as expectativas de ter uma vida agitada, com muitos amigos e festas de faculdade, como mostram os filmes americanos, o medo de não se adaptar passeava pela sua cabeça.

Ao chegar e ver que era tudo diferente, sem festas e agitação, a realidade bateu à porta, mas não assustou. E Camila tira uma conclusão que serve para todos que passam por essa experiência.” Acho que a experiência de viver sozinho no exterior, longe dos amigos e da família é uma experiência única. No começo pode ser meio difícil, alguns demoram pra se adaptar, mas é algo que vale a pena. Você aprende a enfrentar os obstáculos que surgem, e aprende a resolver eles sozinho. Aprende a cuidar de si mesmo, aprende a valorizar cada centavo presente na sua conta bancaria, aprende a cozinhar (não que eu tenha aprendido muita coisa), sua mente fica mais aberta e você se torna mais sociável. Você se torna independente, e é claro, seu currículo fica mais apresentável.”

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