Reportagem-Erick noin

Brincadeira de gente grande

Com o reaproveitamento do vintage pelo mercado de consumo nos dias atuais, criou-se um mercado valorizadíssimo de brinquedos antigos. A matéria abaixo traz um raio-x da tendência.

Mas que área é essa?

Nossos brinquedos de infância não ficaram esquecidos em fundos de armários ou em porões e garagens espalhados pelo passado. Pelo menos não para as pessoas que levaram o amor de seus brinquedos para o resto da vida.

Colecionadores, acervos particulares, decoradores e adultos em busca de um pouco de suas próprias lembranças são os principais consumidores; que chegam a pagar até R$ 850 por um caminhão de lata dos anos 40, ou R$ 480,00 por um boneco da franquia Comandos em Ação dos anos 80 ainda lacrado.

Lojas e sites especializados compram e vendem essa raridades, e os preços são, geralmente, bem salgados. Mas quem está disposto a ter algum desses objetos, tem que estar disposto a pagar o preço também. O estado de conservação do objeto, a presença, ou não, de caixa, manual de instruções, acessórios, etc; influenciam muito no valor de venda.

Para o mercado da decoração, como disse a colaboradora do blog especializado, Mundo das Tribos, Maria Cristina: “nesse caso os brinquedos não são apenas brinquedos, mas sim objetos culturais. Eles contam histórias, assim como tantos outros elementos espalhados pelo lugar, então nada mais justo do que terem o seu espaço.” Empresas de Design de Interiores e Decoração já descobriram o potencial do segmento e fazem intervenções nos brinquedos para que se tornem mais funcionais, como: porta-chaves, apoio de livros, puxador de gavetas, vasos, etc; ou apenas os utilizam em sua forma original como objetos decorativos, bibelôs em estantes. “Com a ajuda de pôsteres, papeis de paredes, ilustrações -o que for; certos, um ambiente inteiro porde entrar na temática” emendou.

E quem são os consumidores?

Agora, o que realmente movimenta esse mercado são os colecionadores de brinquedos, ou antiguidades em geral.

Entre jogos da Estrela, personagens de Star Wars, bonecas, tabuleiros, carrinhos; dos mais diversos materiais, formas, cores, modelos e marcas; -tudo o que se pode imaginar, e com o que muita gente sonha, em nostálgicos sonhos que os transporta de volta às décadas de 50, 60, 70…- está Washington Franco. Localizada na rua Joaquim Távora, Vila Mariana, zona sul da capital paulista; sua loja é um convite a uma viagem no tempo. Montada dentro de sua garagem, Franco tem um acervo mágico, que encanta qualquer adulto que lá entra e que teve qualquer um daqueles artefatos na infância. A curiosidade de quem pasa já é despertada na rua, devido a pintura, no tamanho de uma pessoa, do robô da série estadunidense dos anos 60, Perdidos no Espaço, no portão do estabelecimento.

Washington, o Alemão como é chamado pelos amigos, é colecionador além de vendedor desses artigos, e não tem dúvidas em definir seu público. “Todo mundo gosta de brinquedo, não só as crianças. Agora quando o caso são brinquedos antigos, os interessados são praticamente só os adultos.”

Ele explica que sua coleção começou no próprio tempo de crinança, como a de muitos outros colencionadores. “A coisa de se tornar adulto e ainda ter o brinquedo de infância era até comum, a gente cuidava bastante deles porque não ganhava tanto brinquedo como a criançada ganha hoje… E há muitos anos eu fui conversando com as pessoas que não podiam guardar, não tinham condições de manter o brinquedo, então era mais fácil deixar comigo.” Décadas depois, Alemão já perdeu a conta da quantidade de produtos que há na sua loja. Só tem certeza de que eles passam das centenas.

O público principal desses produtos são, afirma categórico o dono da loja, os adultos. As únicas e raras crianças que aparecem são “são as que vêm acompanhadas dos pais, são as que vão acompanhar a coleção que os pais têm, que vão aprender a se divertir com aquilo junto com os pais.” Movidos por nostalgia, esses adultos querem resgatar um pouco daquele passado. “Todo mundo gosta de brinquedo, curte brinquedo, e não necessariamente tem que colecionar e ter uma quantidade grande, mas só uma coisa ou outra, sabe? Algo que pra ele tivesse valor, um desenho ou alguma coisa que ele gostava, uns brinquedos que brincavam na infância e que acabou se perdendo no tempo; e aqui tem!”

Os itens mais procurados são geralmente “carrinhos, indiozinhos, autoramas”, mas depende muito da pessoa; depende do que fez parte da vida delas. “Por exemplo, eu brincava muito no quintal, tinha uma arminha, vários indinhos; e brincava ali no meio da terra, e isso me marcou muito.” Os brinquedos que possuem um valor sentimental são, realmente, os mais valiosos, independente do preço, porque eles são uma conexão direta com nosso passado.

São um registro do passado. Dessas empresas, dos modos de se brincar e das próprias pessoas. E isso é muito valorizado por Washington, que atribui a seu acervo um valor histórico e cultural. Pois, afinal, esses objetos guardam um pouco da história do Brasil, que merece ser preservada.

Mas o que mudou?

“Mas brinquedo não é coisa de criança?” perguntariam alguns. A blogueira e colecionadora , Ana Caudatto, discorda. Diz que tem 43 anos e que a criança dentro de si ainda “admira e gosta muito” de brinquedo. Como o Alemão, ela também começou sua coleção guardando artigos de sua infância. Mas uma pergunta melhor pergunta seria, “qual a diferença de se ter sido criança nessas duas épocas distintas: as de ontem, com brinquedos analógico, raros, muitas vezes caseiros, e que dependiam muito da imaginação; e as de hoje, com jogos e brinquedos baseados em tecnologia cada vez mais avançada, com recursos audio-visuais, quando não completamente digitais, os video-games?”

Ana é clara. “Acredito que éramos felizes com os brinquedos que tínhamos na nossa época,

como as crianças são felizes hoje com seus jogos eletrônicos. Brincar antigamente para mim era mais saudável pois fazia parte de outro contexto de época vivido, brincávamos correndo com amigos na rua de perna lata, de bola, de esconde esconde, andando de bicicleta, soltando pipa (estes tipos de brincadeiras faziam com que nosso corpo fosse ativo diariamente). Hoje é complicado você deixar um filho ir brincar na rua como fazíamos antigamente, onde a criança de hoje isóla-se em uma quarto jogando seus videos-games, ou no computador; o que desfavorece a vida saudável, mas favorece para eles o crescimento rápido de conhecimento tecnológico no contexto do qual eles são envolvidos.”

Os brinquedos, brincadeiras, estilo de vida e as pessoas em si realmente mudaram muito nas últimas décadas, devido ao progresso cada vez mais acelerado e acessível de novas tecnologias. Porém o que se mantêm é o amor incondicional das pessoas pelos seus brinquedos, já que estão ligados ao imaginário de nossas infâncias, geralmente o momento mais feliz de nossas vidas.

Hoje em dia podemos observar também a existência de remodelagens de alguns brinquedos clássicos, seguindo aquela tendência do mercado. Como o produto pula-pirata, da Estrela, que ganhou uma nova versão. O piratinha que está preso dentro do barril a espera de uma espetada pelas espadas postas pelos jogadores, foi remodelado pela empresa Toys’R’us. Agora ele tem a cara do pirata Jack Sparrow, famoso dos filmes da Disney, Piratas do Caribe, interpretado pelo ator Johny Depp.

Ou o eterno retorno de muitos brinquedos clássicos. São eles os piões, pipas, bolinhas de gude, iô-iôs, etc; que nunca desaparecem, mas entram e saem de moda num processo cíclico e, parece, inesgotável.

Independente das mudanças pelas quais o estilo de vida de nossa sociedade passa, o brinquedo sempre estará em nosso imaginário, por ter feito parte da época mais feliz de nossas vidas, a infância. E para quem se esqueceu desses inestimáveis amigos, que tal procurar no fundo do armário aquela boneca, carrinho ou bichinho de pelúcia pelos quais tínhamos especial amor naquele tempo?

pauta: http://jocults.wordpress.com/?s=noin

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