O Play que todos precisam na vida

O verdadeiro significado de “Carpe Diem”

Diretor de shopping, marido, pai de duas filhas, avô de dois netos, festeiro e muito alegre. Esse é Almiro Mendes de Mello, um carioca de 62 anos que aproveita cada segundo da vida. Por onde passa Almiro, também conhecido como “Play”, contagia a todos com sua energia.

Baixinho, “troncudinho” e com cabelos grisalhos, mas com um estilo que dá inveja em qualquer jovem de hoje. Almiro nunca deixa seu visual de lado, usa sempre vestuário da moda: desde acessórios até os sapatos.

Em sua casa, no shopping, no clube, ou em festas, não importa, em todos os lugares nos quais eu o encontrei, Almiro vinha sempre caminhando com um sorriso aberto, feliz por compartilhar comigo a sua história.
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Em um dos encontros, em que pude acompanhar um dia rotineiro de Almirinho, no caminho da sua casa para o local de trabalho, ouvíamos rádio, e começou tocar uma música animada. “Nossa, dá para dançar um ‘tuts tuts’ com essa hein? Qual o nome dela Bia?”, ele me pergunta. Era Chasing The Sun, da boyband pop inglesa The Wanted, um som que toca nas festas de jovens de 16 à 20 anos.

Nascido na Baía de Guanabara, assim como está escrito em seu RG, Miro teve uma vida humilde no bairro da Penha. É filho de um ferroviário e de uma dona de casa muito simpática, que lutaram muito para dar um futuro melhor aos seus filhos.

Formado em engenharia civil no ano de 1976, Almiro iniciou sua carreira nas primeiras obras de construção do Metrô do Rio de Janeiro. Como obteve destaque, foi convidado para trabalhar no Barra Shopping, lá fez obras de melhorias e aumentou o complexo logístico.

Hoje, é diretor de operações do Shopping Ibirapuera de São Paulo e não há quem não goste de trabalhar com o “Engenheiro Almiro Mello”. Organizado em tudo o que faz, anota todos seus compromissos em uma agenda, além de ter o ambiente de trabalho mais arrumado que já vi na vida.

Secretária de Almiro há mais de dez anos, Célia Miranda diz que apesar do jeito alegre, comunicativo e festeiro, Almiro trata o trabalho com muita seriedade e tem o respeito de todos à sua volta.

No shopping ele é responsável pela manutenção e conservação, o que vai desde reparos na pintura ou até a resolução de um princípio de incêndio. Tudo passa por ele.

Após o dia de trabalho ele vai para casa, no Alto da Boa Vista em São Paulo, onde sua esposa, Nadia, o espera para jantar e contar as novidades. Almiro a conheceu no Rio de Janeiro, numa festa que o caracteriza pela sua felicidade, o baile de carnaval em fevereiro de 1973.

Na época, nesse tipo de baile, os homens ficavam andando pelo salão para encontrar uma moça que estaria disposta a dar a honra de uma dança. Nadia, que estava junto de sua mãe, dona Judith, aceitou dançar com Almiro e foi assim que tudo começou.

Em 1977 eles se casaram. Logo nasceu a primeira filha, Lidiane, depois Gabrielle. Sempre juntos em todos os lugares que vão: essa é a característica da família de Almiro, assim como no dia em que precisaram se mudar do Rio para São Paulo, o engenheiro recebeu a proposta para trabalhar e dar uma nova cara ao Morumbi Shopping.

A família aumentou quando Fabiano e Henrique se casaram com Lidiane e Gabrielle, respectivamente. Das uniões, nasceram os primeiros netos de Almiro: Lucca (de Lidiane e Fabiano) e Enzo (de Gabrielle e Henrique). E para o avô, amor maior que este não há.

Por trás da seriedade do trabalho, sem medo de ser feliz, Almiro aproveita tudo o que a vida oferece. Desfiles em escola de samba, cruzeiros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, festas, passeios. E foi assim, em uma dessas viagens, que encontrei uma característica muito peculiar de Almiro: em todo o lugar que ele vai sempre tem alguém que o conhece, é impressionante.

Em 2008, fizemos uma viagem para Porto Seguro, na Bahia. Assim que entramos no avião, enquanto todos estavam se acomodando, ouço do fundo “Engenheiro Almiro!”, era uma aeromoça que o conhecia porque já teria trabalhado com ele no shopping Ibirapuera há muito tempo atrás. E não parou por aí, em uma semana de viagem, várias outras pessoas trombaram com a gente para um reencontro com o “Engenheiro Almiro”, o “Play”, o “Miro” ou o “Almirinho”.

E foi assim, para onde eu fosse com ele, teria alguém que o chamaria. Até fora do país ele encontrou pessoas conhecidas. Por onde passa Miro deixa marcas com seu jeito alegre de ser e as pessoas não se esquecem dele

Por todos os lugares que Almiro vai, sua câmera fotográfica e sua filmadora estão juntas com ele. O engenheiro faz questão de registrar tudo o que é importante. O mais interessante disso tudo é que no mundo de hoje, onde tudo é digital e as fotos ficam em pen drives, o “Play”, apesar de ter uma cabeça jovem para a idade, revela todas as fotos e monta álbuns. Até pouco tempo atrás sua câmera era a analógica, agora tem uma digital apenas porque a antiga companheira de guerra foi quebrada.

Dentro desses álbuns há muita história, como os 15 anos de carnaval que Almiro passou no clube de praia em que ele é sócio. Em todos estes, “Play” sempre prepara uma produção para os quatro dias de agitação. Todos esperam pela surpresa e a novidade que Almiro trará para o ano. O amigo Fernando Muradi, também sócio da colônia fala com entusiasmo sobre a participação de Almiro na festa.

“Almirinho sempre participa do ‘futebol das loucas’, uma brincadeira na qual os homens se vestem de mulheres para participarem de um jogo de futebol, além de um concurso em que as melhores fantasias são premiadas. É muito divertido, pois o Almirinho sempre procura surpreender a todos com uma produção diferente e muito criativa”, conta Fernando.

Nas festas em que vai sempre há animação. Diferentemente da maioria das pessoas de sua idade, Almiro gosta de dançar músicas atuais, antigas e é sempre um sucesso. Quando tive a oportunidade de ir a uma festa com ele, presenciei como o “Play” contagia a todos de uma maneira que ninguém consegue. Julia Thame, amiga da família, comentou o quanto Miro faz diferença.

“Você está vendo os passinhos que ele está fazendo? Espera só, te dou um minuto para a festa toda estar junto com ele”, relatou Julia. E foi assim mesmo, enquanto o Play fazia sua dança, todos copiavam e o seguiam, até eu cai na pista.

Em tantas histórias que encontrei nos álbuns, descobri mais um fato curioso: um título internacional. Em um cruzeiro pelo Caribe, “Play” foi eleito o homem mais ‘sexy’ do mundo. E não foi de brincadeira, na disputa estavam muitos homens que tinham o padrão de beleza atual. Apesar disso, como sempre, Almirinho foi apenas ele mesmo e saiu de lá com essa conquista peculiar.

Flamenguista fanático adora “bater sua bolinha”, todas as terças e quintas feiras à noite todos seus amigos de futebol esperam ansiosos a sua chegada, porque sabem que vão rir muito com suas piadas e no final sempre tem um sambinha, pois tudo vira um instrumento musical para ele, desde um paliteiro até um garfo batendo no copo.

Mesmo morando em São Paulo, Miro faz questão de ir sempre ao Rio de Janeiro para visitar sua família. Hospeda-se na casa da sua mãe, a mesma casa onde viveu toda sua infância e quando leva algum convidado, gosta de mostrar a todos que não conhecem Cidade Maravilhosa como seu fosse um guia turístico.

Os amigos de infância ainda estão lá, na Penha, prontos para o receberem e fazer um churrasco, na calçada mesmo, e relembrar as histórias de criança.

Quem acha que conhece o Rio de Janeiro, pois fez todos os passeios possíveis, está equivocado. Em poucos dias o “Play” mostra lugares que não estão em nenhum roteiro de agências de turismo, é muito interessante.

E quando o dia amanhece nublado, sem sol e todos se desanimam Almiro não perde a alegria e diz: “Chegou o imperador do Sol!”. E mesmo parecendo mentira, o sol aparece.

Almiro sempre faz de tudo para ajudar e agradar todos, às vezes até deixando ele mesmo em segundo plano. É um dos poucos seres humanos que eu consegui enxergar aquilo que muitos desejam: saber viver a vida e aproveitar cada segundo. Apesar de ser um clichê, é algo que, em meu meio social, vejo apenas nele.

A sua trajetória e o seu jeito de viver são exemplos que todos deveriam seguir. No tempo em que convivo com Almiro aprendi que apesar de muitos problemas e obstáculos que a vida nos trás é possível driblá-los e encontrar uma solução positiva para alcançar o objetivo.

A partir do momento em que a vida dá o “Play” é preciso seguir, não podemos esquecer que esta oportunidade é literalmente única. As vidas na quais todos estão vivendo nunca terá um “replay”.

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3 pensamentos sobre “O Play que todos precisam na vida

  1. Aquilo a que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de uma finalidade, numa orientação positiva, convencida e decidida do espírito, ou seja na paz da alma
    (Thomas Mann). Parabéns!

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