Sons da vida

 

A história de um garoto de 21 anos que resolveu seguir seus sonhos na carreira musical

 

Eric Matern

Eric Matern

Quase 23h no bar Dubuiê, em São Caetano. O bar com música ao vivo vai enchendo aos poucos. Mesmo perto da cidade de São Paulo, o lugar se parece mais com um bar do interior paulista; pessoas de todas as idades se misturam entre mesas, bar e a pista em frente ao palco.

A atração da noite é a banda Áries, com mais de 20 anos na estrada, a banda tem presença confirmada todas as sexta- feiras. Com o repertório que é composto desde Kiss até Gangman Style, com direito a danças e mascaras para interpretar as músicas,  a banda anima a casa de show até as 4:00 da manhã.

Fico sentada em uma mesa de canto, junto com as mulheres e namoradas dos integrantes da banda, enquanto assisto ao show. Puxo conversa com uma delas e pergunto se todos os dias são assim: movimentados e com muita agitação. Ela me responde com um aceno positivo da cabeça.

Ao término do show consigo finalmente conversar com o meu entrevistado. Eric Matern de 21 anos é quem me interessa em meio aqueles corpos dançantes e embriagados no auge da madrugada.

Mesmo com a diferença de idade entre os integrantes da banda, o mais velho tem 50 anos e Eric é o mais novo, o  grupo tem uma sintonia no palco: “a gente se dá bem, é uma diversão estar aqui. “, diz Rick Rehder, guitarrista do grupo.

Eric, como muitos gostam de dizer, é um prodígio na música. Tocando guitarra desde os 8 anos de idade, a profissão já estava dentro dele desde de pequeno, e com o incentivo dos pais, só floresceu durante os anos que se seguiram.

“Nós sempre apoiamos o Eric nisso. Ele decidiu muito cedo que tocar era o prazer da vida dele, e quando a pessoa faz com paixão o que ela gosta, não tem como segurar. “diz Frank, o pai.

Banda Áries: Rick Rehder, Hélio Leite Cosmo e Eric Matern

Banda Áries: Rick Rehder, Hélio Leite Cosmo e Eric Matern

Eric teve uma infância e adolescência como qualquer outra criança, mesmo passando por dúvidas e indecisões, a música sempre foi uma certeza. Quando tinha entre 13 e 14 anos, era a única pessoa da sua sala de aula, que saia correndo da escola para pegar o trem ( nessa idade, não era comum as crianças estarem atrasadas para pegar o trem, pelo menos não na sala dele. O normal era irem para suas casas com o transporte escolar), pois tinha aula de música.

Ao passo que a adolescência ia passando, Eric foi integrando  várias bandas. Tocava em qualquer lugar que aparecia, podia ser no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, como em bibocas na região da Augusta, que acolhia bandas em começo de carreira.Hoje faz parte da banda Áries, da Dallas Ink, tem o seu projeto solo e um dueto com a sua namorada, Gabriela Cavalcante.

O primeiro é inesquecível

Era uma tarde comum depois da escola, no segundo colegial, quando recebi um convite para ver a gravação do primeiro cd solo do Eric. Eu, sem pensar duas vezes, aceitei na hora. Pegamos o ônibus na Paulista 900 e paramos na rua Guaicurus.

O estúdio era uma portinha na rua Dúlio, transversal  da rua Guaicurus, no bairro da Lapa. Ficamos a tarde inteira entre instrumentos, o pessoal que cuidava  dos aparelhos de som e o Eric atrás de uma porta de vidro tocando e tocando, inúmeras vezes a mesma música até chegar no ponto que lhe agradasse.

Mudanças

Por esse e muitos outros encontros eu e Frank, pai doentrevistado, nos tornamos grandes amigos, sempre rodeando o assunto em torno do” nosso” músico. Ele tem outro filho, Mark, três anos mais velho que Eric e que também estava decidido sobre o que queria do futuro, mas bem longe da área artística, o primogênito queria entrar no ITA ( umas das faculdades de engenharia mais concorridas do país). E lá se foram longos cinco anos de cursinho, entre muitos vestibulares, horas de estudo e o primeiro lugar na USP, Mark finalmente conquistou seu sonho e cursa o terceiro ano da faculdade em 2013. Em relação a essa diferença drástica entre os filhos, Frank diz sempre ter apoiado os dois, cada um no seu caminho. Afinal,não é  toda família que dá suporte a cinco anos de cursinho.

Alguns meses depois recebi o CD pronto. Doze músicas instrumentais, com um detalhe: todos os instrumentos foram tocados pelo Eric. A música é boa, diferente do que estou acostumada a ouvir, e mesmo sem senso crítico para isso, tiro minha conclusão de que não se encaixa no quadro musical brasileiro. Brasil tem gostos musicais muito específicos, com pouca abertura pra diversidade, diferente dos Estados Unidos.

Pensando da mesma forma que eu, Eric chegou em um consenso com a família e a banda, com a qual tocava suas músicas solo, e partiu em turnê nos Estados Unidos. Com parentes morando em Connecticut, essa foi a primeira parada da banda no país.

CD Breakdown

CD Breakdown

A turnê foi boa, e apesar do lucro ter dado para pagar as despesas da viagem, o músico ficou feliz com o resultado: “o que importa é que conseguimos tocar em várias cidade e bares diferentes. É legal ser recebido assim em um país que não é o seu. Só a divulgação do meu trabalho já valeu a pena”.

De volta para o Brasil, viu que  ganhar a vida não era tão simples. Foi em 2011 que entrou para a banda Áries, de onde tira seu maior sustento. E em 2012 resolveu entrar na faculdade de música, na FMU, no campos da liberdade.

No dia 11/06/ 2013 foi sua despedida. Mais uma vez Eric, agora junto com a namorada, Gabriela, vão passar um ano em turnê pelos Estados Unidos, para divulgar o seu novo CD, Breakdown; agora com músicas cantadas, diferente do primeiro que era só instrumental.

Com músicas de amor, Eric diz que quase o CD inteiro foi inspirado na sua musa, com quem tem um relacionamento de 3 anos. “As nossas idas e vindas, erros e acertos, que devem ter inspirado ele”, diz Gabi rindo.

Formada em moda pela Belas Artes, parece que Gabi encontrou o par perfeito. “Me formei em moda, por gostar da área, mas o que eu quero mesmo é cantar”. Com  covers de Tom Jobim e Taylor Swift, a dupla Gabi + Eric, possui uma página no facebook com vídeos produzidos por eles e amigos.A dupla pretende comprar um carro e viajar pelo país. “não sabemos o que nos reserva, mas essa oportunidade é única. Precisamos aproveitar ao máximo enquanto ainda somos jovens”.

Gabi +Eric

Gabi +Eric

Conversando com Frank, ele diz apoiar a decisão: “você já leu aquele livro ‘ensinando elefantes a dançar’? É muito legal, e basicamente diz que as pessoas devem pensar fora do quadrado em que estão inseridas, precisam arriscar. Desse modo que eu vejo a viagem dele. Ele é jovem e tem uma profissão ‘alternativa’, que proporciona isso a ele. A vida é feita de erros e acertos, mas principalmente de tentativas.”

eu simplesmente acenei com a cabeça, em um gesto de concordância. Lá se foi mais um que teve coragem de sair do concordo de casa e ir atrás de seus sonhos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s