Uma diretora, uma Claquete

Em um estúdio iluminado somente pelas televisões e monitores, supervisiona toda a gravação do programa. Escreve o texto do teleprompter, auxilia a diretora de imagens, avisa qual será a próxima matéria do programa, coordena a entrada de vídeos, chama os entrevistados, dá dicas para toda a produção e para o próprio Otavio Mesquita na gravação de seu programa. “Isso não vai entrar. Nós vamos cortar isso depois” e “Precisa ir mais rápido, Otavio, assim não vai dar tempo!” são algumas das frases que Renata Malheiros dizia durante a gravação do programa Claquete, exibido na TV Band.

Diretora do programa, já passou por várias funções diferentes na emissora. Em uma conversa em uma sala da emissora, Renata contou sua trajetória jornalística.C Atualmente com 35 anos, começou a trabalhar na Rádio Bandeirantes AM no segundo ano de faculdade, em 1998, ainda cursando jornalismo na FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado). Trabalhava com rádio-escuta e depois começou a fazer boletins e pautas. Inteirada no meio, ela ressalta a multifuncionalidade de qualquer jornalista: ainda quando estava no começo do estágio, já realizava várias funções diferentes, que ajudaram na sua formação. Passou dois anos na rádio, e ao término da faculdade se tornou produtora. Com isso, foi para a editora Abril, onde trabalhou por cinco anos, mudando também de veículo – do rádio para o impresso. Fez parte do núcleo de revistas populares, com a Viva! e outras revistas customizadas. Nesse tempo, foi repórter e cobriu eventos de famosos, além de escrever matérias de comportamento, beleza e saúde na redação. Deixando a Abril por seis meses, morou no Canadá com uma amiga para estudar inglês, onde trabalhou em um jornal de mochileiros, o Backpackers News, quando tinha 24 anos.

Mas não parou de estudar por aí; Fez pós-graduação – lato sensu – em jornalismo social na PUC-SP, com tese em revistas femininas. Nessa, dissertou sobre o quanto a mulher é pressionada pela imprensa para ser uma “super mulher”: “A ideia era mostrar quanto as revistas tentavam ajudar, mas no fundo acabavam pressionando as mulheres, pois elas deveriam estar lindas, com o cabelo incrível, corpão, ser super-mães e profissionais incríveis”.

Ao longo de sua carreira, trabalhou também em uma agência de comunicação, a LDC, cuidando de revistas específicas para empresas, o chamado endomarketing, onde passou cerca de dois anos e aprendeu a fazer projetos para clientes, fazendo um jornalismo mais voltado para empresas. Assim, depois de ter tido contato com vários meios diferentes, Renata voltou para a Bandeirantes como chefe de pauta da área jornalística. Esse foi o período mais intenso de sua carreira, devido às exigências do jornalismo diário, com plantões constantes e o contato com o hard news. A partir de sua experiência, diz que para criar pautas, é necessária muita criatividade além do factual: “Você tem que sacar o que as pessoas estão falando na rua, tudo vira pauta. Às vezes você está com seus amigos e alguém comenta alguma coisa que vira notícia”.

Com isso, passou três anos na televisão, migrando posteriormente para uma produtora publicitária – que realizava campanhas políticas -, na qual ficou um ano; foi para outra produtora, na qual também permaneceu durante um ano, que produzia um programa de turismo para a Band. Coordenava o programa, aprovando os programas que iam para o ar. Nessa época, ela gostava de ir para o trabalho utilizando o metrô como meio de transporte, para saber o que as pessoas falavam na rua. “No carro, você está ali no seu mundo; mas quando você está na rua, você ouve quais são os assuntos que estão todos comentando”. Devido a esse contínuo contato com a emissora, foi chamada novamente para voltar, dessa vez para o entretenimento, em 2009. Fez o papel de editora executiva no programa Dia a Dia, passando pelo Boa Tarde e o Video News.

Há cerca de um ano e meio, Renata entrou no período de licença maternidade, que durou quatro meses, e ao voltar foi chamada para o Claquete para cobrir a então diretora, Fernanda Ortiz, que também entrou em licença maternidade, se afastando do cargo. Quando voltou ao trabalhou, Fernanda foi para outra área, fazendo com que Renata permanecesse na posição que ocupa até hoje.

O claquete

Ao chegar no estúdio, Renata aprova as matérias do programa, que assiste de seu computador, e decide com seu assistente de direção o que vai ao ar para cada dia. Por dirigir o programa, acaba cuidando também de questões mais burocráticas, como as matérias comerciais que são apresentadas e o processo de agendamento de entrevistas.

Quinta-feira é o dia no qual a agenda da diretora fica mais lotada. É quando são gravados os programas da semana seguinte e todos os blocos de estúdio, sendo que o Claquete vai ao ar de segunda a sexta, em horários variados, de madrugada. Das 13h até às 16h, Renata fica no estúdio onde estão os switchers – também chamados de “mesa de corte”, uma vez que é um equipamento usado para selecionar entre vários tipos de video, além de proporcionar a comunicação entre os trabalhadores -, usando com destreza o painel para se comunicar com diversas pessoas. Na gravação de um dos programas, ela telefonou para a casa de Rubinho Barrichelo: era aniversário dele e Otavio iria dar-lhe os parabéns durante o programa. Fazer a ligação e colocá-la no ar como se o próprio Otavio estivesse telefonando é um dos papeis da diretora, que não aparece no programa, mas faz toda a diferença no resultado final.

Nesse tempo de gravação, cerca de uma hora é destinada à entrevista com um convidado especial. Naquela quinta-feira, Renata estava preocupada com o atraso da convidada. “Ela já está pronta? Vamos gravar o que falta antes de ela chegar para não perder tempo”. Era Dani Calabresa, que, ao chegar, teve uma conversa com a diretora e Otavio para acertar os últimos detalhes. “Tudo pronto? Vamos gravar a entrada”, diz Renata, já de volta aos switchers. “Agora vamos colocar o depoimento da mãe e do pai.” Depois disso, ligou para Marcelo Adnet, marido de Dani Calabresa, e colocou-o no ar.

E assim continuava a dirigir o programa, ajudando o apresentador quando este esquecia alguma fala e coordenando tudo no estúdio. Com o fim das gravações, ela se despediu de Otavio e Calabresa. Mas seu dia de trabalho ainda não havia chegado ao fim: agora em seu computador, junto dos outros funcionários da emissora, Renata dava os toques finais ao programa. No estúdio, ela dirige a gravação das cabeças – chamadas das matérias – e na edição os programas são montados e rodados juntamente com os VTs.

Como diria Renata, ela vive “um dia a dia que é e não é uma rotina”. A rotina se deve à permanência no estúdio – uma vez que os diretores não acompanham as gravações de externas – e às tarefas definidas que ela deve realizar. No entanto, cada dia tem exigências diferentes, há semanas que as gravações são mais “tranquilas”.

Mas além do trabalho, Renata precisa conciliar seu dia a dia com sua família. Por ser mãe, ela passa a parte da manhã cuidando do seu filho de um ano. Mesmo que o programa que dirige entre ao ar de madrugada, tem uma rotina flexível de acordo com as exigências da profissão, não precisando chegar tão cedo e sair tão tarde do trabalho quanto jornalistas de noticiários diários, por exemplo. Seu horário de trabalho usual é das 12h até às 21h. Mesmo quando não está no expediente de trabalho, seu celular está sempre ligado para atender chamadas sobre o programa. “Apesar disso não me considero uma workaholic, já fui mais.” Ainda, quando tem tempo, pratica yoga.

A rotina de uma emissora é pouco conhecida, mas muito apreciada em seu resultado final, a exibição na televisão. Renata dirige tudo que está por trás das telas; está nos bastidores, e apesar de estar anônima para o público, é um elemento essencial para a existência de um programa como esse.

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