Faces de uma vida

“Ana Beatriz, que horas você chega? É que eu vou precisar de uma ajuda para fazer nove exercícios de matemática,  a professora passou resposta, mas eu quero entender como ela chegou no resultado .. você me ajuda amanhã?”. É com essa frase que apresento a Di.

Conheço-a desde que eu tinha cinco, quase seis anos de idade. Di ou Dida é o apelido carinhoso de Diana Maria de Sousa, de 38 anos de idade. Di é uma moça de 1m58cm . Com seus olhos esverdeados, cabelo ralo, liso e da cor escura, Di não aparenta a idade que tem, recém completada no dia 02 de junho.  Ela é secretária do lar na minha casa, mas faz tempo que eu a considero muito mais do que isso. Tenho-a como uma amiga e como uma segunda mãe. Acima de tudo, Diana é uma das pessoas responsáveis por me formar como ser pensante, além de ter me ensinado vários dos valores que levo comigo e que pretendo ensinar aos meus filhos.

O diálogo com o qual eu iniciei o perfil, foi um pedido que ela me fez há pouco, via telefone. 2013 é um ano muito especial para a Di, afinal, foi neste ano que ela resolveu retomar os estudos, depois de passar mais de 25 anos longe de uma sala de aula. “Tem gente que acha que é besteira, mas ainda vou viver muito tempo .. não dá para ficar nessa condição, quero fazer algo da minha vida”, conta. Nasceu e morou na cidade de Minas Novas, localizada no Alto Jequitinhonha, interior do estado de Minas Gerais. Resolveu mudar de lá aos 23 anos, quando resolveu morar na capital financeira do país, São Paulo.

Não estudou por falta de oportunidade, não de interesse, diz. Sua cidade era muito pequena, e a única escola que tinha perto da sua casa, só lecionava até a quarta série. “Para não sair da escola, fiz a quarta série duas vezes … eu gostava muito de estudar, mas não tinha mais nenhuma escola por perto, por isso que não estudei mais”. Começou a trabalhar com 13 anos, em casas de família. Ajudava  a família, que era constituída por ela, sua mãe Ana Pinto de Azevedo, seu pai e seus sete irmãos. Seu pai era o segundo marido de Ana, pois seu primeiro morrera anos antes de Diana nascer, deixando quatro filhos de Ana sem pai.

Di teve dois filhos antes de vir para São Paulo; Deane e Wagner. Veio para São Paulo à procura de melhorar a vida daqueles que ela tanto amava. Perdeu o pai, que não era tão próximo, depois que chegou na cidade. Ele morreu de doença de Chagas. Enquanto as pessoas sofriam em Minas Novas, Di não fugia à luta. Depois de trabalhar em algumas casas de família, chegou à minha residência. E foi aí que o laço começou.

Laços

Conheci Di no dia 14 de janeiro de 1999, quando ela tinha apenas 24 de idade. Segundo ela, a primeira frase que ouviu eu dizendo, foi “Ai Lê, é sempre a mesma coisa … ‘me ajuda’,’ põe na minha boca'”, frase crítica dirigida à minha irmã, Ana Letícia, que pedia para que a Di fizesse lasanha e colocasse na boca dela, como qualquer criança preguiçosa de três anos costuma fazer.  Não temos mais tanto tempo livre, mas quando eu a ajudo em alguma tarefa, tendo como pretexto uma boa conversa, Di ouve o que eu tenho a dizer e chorar, enquanto eu escuto suas histórias, últimos acontecimentos envolvendo a Dê, apelido de sua filha, a escola que ela frequenta , algum problema envolvendo o Edmilson, seu namorado, ou os vários relatos dela em relação à minha infância em conjunto com a das minhas duas irmãs e com a Dê. Duas delas de sangue e mais novas do que eu, Ana Letícia, como eu já citei, e Ana Maria. A outra, que é a Dê, é a minha irmã de consideração, visto que convivemos juntas, morando na mesma casa, ao longo de oito anos.

Atualmente, Deane Marques de Sousa, 20 anos, não mora mais com a gente, e certamente, é um dos temas que mais preocupa a Di. Procurando ter uma formação diferente da mãe, resolveu fazer faculdade de  Educação Física, na Universidade Paulista (UNIP). Teve problemas de saúde, depois que morou sozinha, e por este motivo, resolveu sair de São Paulo.  Hoje vive em Sorocaba, longe de toda a família, porém, próxima ao namorado.

                Acidente

Em março de 2001, enquanto trabalhava, mais eufórica do que nunca, afinal, seus filhos e sua mãe ainda estavam em São Paulo para visitá-la,  Diana recebeu uma ligação que mudou para sempre a sua vida. O telefone tocou e uma voz desesperada misturada com prantos gritava o que tinha acontecido do outro lado. Um acidente de carro. A pessoa que dirigia atravessou o vermelho e acertou em cheio Deane, Wagner Marques de Sousa  e sua avó, Ana. Wagner era o filho mais novo de Di. Ele tinha apenas seis anos de idade quando o acidente aconteceu. Morreu algumas semanas depois de sua avó, Ana, que tinha 59 anos na ocasião e faleceu alguns dias depois do atropelamento.

Dê ficou internada por meses no hospital, até que se recuperou, e hoje, apesar de todas as marcas que veio a ter, por causa das cirurgias que sofreu, é uma moça forte e sadia. Em 2004, para ficar mais próxima da filha, Diana pediu para que a filha morasse com ela, e o pedido foi atendido. Após concluir seus estudos e passar um ano se dedicando ao trabalho e a cursos que ela queria fazer, como informática, Dê resolveu “sair do ninho” e ficar longe de sua mãe, tudo isso para realizar o sonho de seguir na faculdade que queria, Educação Física. Sobre sua mãe, Dê diz que ela é “uma mulher batalhadora, corajosa e guerreira” Ela é grata por Di estar presente, compartilhando com ela todos os momentos importantes e difíceis de sua  vida, e define a mãe como uma “joia rara”.

Estudos

                “Fiquei muito tempo preocupada com a educação da minha filha. Agora que ela já tomou seu rumo, eu tenho que terminar meus estudos”, diz.

Diana é uma pessoa que, assim como eu, frequenta centros espíritas. Um dia, uma mentora disse que ela estava infeliz e que era melhor ela fazer alguma coisa, afinal, seria uma pessoa que viveria por muitos anos. Dessa forma, Di começou a procurar alguma escola para adultos no final do ano passado. E achou! Localizada próxima à casa dela, no bairro de Vila Guilherme, Zona Norte da capital paulistana.

Começou no começo deste ano. Estando na sala de terceira série (afinal, a escola que ela estudava em Minas Novas não dava certificado, e por essa razão, Di teve que começar do 0), ela se mostrou empenhada, e logo se viu indo para a sala da quinta série. Agora ela tem aula de inglês e de informática, além de ciências, matemática, literatura, português, história e geografia. Ela se diz contente com a escola, com as pessoas que conheceu lá e com toda a matéria que está aprendendo.

Não há ponto negativo em estudar, mas o que ela não gosta muito, é de pegar ônibus lotado toda a manhã, para se dirigir ao trabalho. “Tem muita gente mal-educada … Só tem alguns cobradores que quando a gente dá bom-dia eles respondem e nos desejam um bom trabalho. Mas tem alguns motoristas que eu até desisti de falar qualquer coisa, eles são grossos demais”, diz.

                Relacionamentos

Aqui em São Paulo, Diana mora em uma casa vizinha à da irmã, Andrea Pinto Azevedo e próxima à da irmã Jane Maria de Sousa. Em 2012, Diana perdeu um de seus irmãos, Rosário, que morreu por problemas no fígado. Cada uma de suas irmãs têm uma filha: Kariny, de oito anos de idade, é filha de Andrea, e Gleiciele, 16 anos, é filha de Jane.

Além de suas irmãs, Diana tem a companhia de Edmilson Silva Conceição, pessoa que namora há seis anos. Ele é oito anos mais novo do que ela, mas ela nem liga. O que ela mais gosta nele é a companhia, gentileza e amizade que ele tem com ela. Eles ficaram separados por alguns meses, no começo do ano passado, quando ele resolveu tentar a vida no sertão baiano, onde sua mãe morava. Voltou três meses depois de sua partida, e depois disso, não se separaram mais. “Ele é uma pessoa muito boa, me ajuda com as coisas aqui de casa, e é meu amigo”, diz.

Gênio forte

Diana é do signo de gêmeos. Nasceu no dia primeiro de junho, mas como foi registrada no dia dois, faz questão de comemorar no segundo dia do mês. Seu gênio forte aparece nos dias em que algo a preocupa, dias estes que ela quase não abre um sorriso e fica irritada com uma certa facilidade. Nos outros dias, Di faz questão de rir, lembrando das épocas em que pedíamos ajuda nas lições de casa para ela, enquanto assistia ao programa do Gilberto Barros, na Tv Bandeirantes. E tem os dias, como o da comemoração do aniversário dela, que se limitou a um bolo deformado feito por uma de suas filhas postiças; em que ouve os choros de agonia das meninas que não sabem o que fazer da vida, e dá lições para que estas aprendam que a vida não é fácil, porém, não podemos desistir dela com facilidade.

Di, com mais propriedade do que ninguém, sabe que viver é muito difícil. Falar do acidente a machuca e da distância da filha, também. Mas ainda assim, sempre nos ensina a fazermos uma limonada com o limão que a vida dar, ou nos mostra como é bom manter as contas em ordem; além de ressaltar que nunca podemos julgar ninguém pelo o que a pessoa tem ou deixa de ter. Diana é essa pessoa especial, que todos deveriam ter em suas vidas … mas como sua filha disse, “Ela é uma joia”, e joias são raras demais para se ter por aí.

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Perfil – Diana Maria de Sousa

Por que essa pessoa é importante para você:
A Di, como é chamada em casa, é secretária do lar há 15 anos. Chegando aqui com 22 anos de vida e dois filhos; hoje, aos 37 anos, ela se vê apenas com sua única filha, Deane.  Em 2001, Di viu seu mundo desabar após receber o telefonema de sua irmã, que lhe contava sobre o acidente que seus filhos e sua mãe sofreram. Após semanas, sua mãe e seu filho vieram a falecer.
Hoje, depois de batalhar para conseguir garantir o futuro da filha, que entrou na faculdade e faz Educação Física, Diana resolveu terminar algo que almejava: seus estudos. Em Minas Novas, cidade que nascera, não havia escola de ensino fundamental II, ou seja, a Di só estudou até a quarta série e logo começou a trabalhar. Neste ano, começou a frequentar a escola para adultos. Depois de se anular por algum tempo, ela resolveu que nunca é tarde para mudar, e hoje já deseja fazer uma faculdade.
Por ser uma pessoa que ajudou a me criar como pessoa, desejo fazer um perfil sobre ela, por toda a força que ela tem, por ter me ensinado a ser mais humilde e por sempre me mostrar que nada está perdido. Devido a toda admiração que sinto, esta é a minha personagem.

Temos a nossa história

No meio de tanto caos, não podemos parar e ouvir uma história por cinco minutos. Cinco pessoas param por alguns segundos e conversam sobre suas vidas.

São Paulo tem quase onze milhões de habitantes. Em média, as catracas dos ônibus são giradas por mais de dez milhões de vezes por dia. Um carteiro visita em torno de quinhentas casas. Um lixeiro passa por duas mil residências. Essas pessoas, apesar de conviverem muito com outras, são tidas como invisíveis aos olhos da população, sofrendo uma exclusão devido à marginalização de suas profissões. Mas afinal, quem são essas pessoas? Como elas se sentem? O que as levaram a escolher suas profissões? Há uma explicação para tal fenômeno?
O fenômeno da individualização entre as pessoas, como abordado no livro de E.Fischer, “A necessidade da arte” é um fenômeno observado desde que o homem se separou em classes e o trabalho passou a ser feito individualmente, e não mais coletivamente, como era feito até então. O professor e sociólogo Liraúcio Girardi Júnior, aponta que desde o começo do século XX a “invisibilidade” existia, como aponta o estudo de Georg Simmel. “Há varias formas de invisibilidade. Há os que são invisíveis geograficamente, por morarem muito longe de onde as pessoas moram, e estas acabam por não frequentar os mesmo lugares, nunca se veem. Há os invisíveis pela mídia, pois a mídia escolhe uma pessoa e a torna visível. Mas tem que tomar cuidado com essa visibilidade, analisar o foco que quer dar para a pessoa, pois nem sempre há uma visibilidade positiva, e sim negativa. E há a visibilidade pelo trabalho, pois não vemos a execução deste, só vemos na hora que está pronto, a não ser que não atrapalhe a vida de ninguém, pois se atrapalha, logo notamos e observamos”, diz o professor.
Na correria do mundo pós-moderno, o professor diz que é normal que as pessoas atentem apenas ao destino final, ao invés de olhar às coisas que as circundam. ” Na normalidade parece que não existe. É fetichismo da mercadoria. O trabalho some das coisas”. Lembrando que fetichismo é um conceito de Karl Marx e é um fenômeno social e psicológico onde as mercadorias aparentam ter uma vontade independente de seus produtores. Um exemplo disso, é que ao pegar um ônibus, as pessoas não costumam olhar para o motorista e o cobrador. Elas esperam chegar ao destino final e só isso, não nota que ambos estão em seus trabalhos.
Para Maria de Fátima Guilherme, 55, as pessoas não param para falar com estes trabalhadores pelo fato de sempre estarem com pressa. “Elas não olham para nada ao redor, estão sempre correndo. Eu sempre tento falar, conversar com essas pessoas, agradeço quando me fazem algo, comento sobre o trânsito, clima, não devemos deixar de falar com elas”, diz. Diana Maria de Sousa, 37, concorda. “Sempre que dá, eu falo, agradeço, converso. Mas realmente, as pessoas não fazem isso por sempre estarem correndo, essa vida em São Paulo é muito agitada” diz Diana, que nasceu em Minas Novas, interior de Minas Gerais, e vive em São Paulo há 15 anos.
Para Camila Galupo de Lourenço, 20, as pessoas não param por dois motivos. O primeiro, é que elas ignoram os que estão trabalhando na rua, não veem, e por isto passam reto. Mas há um outro lado, segundo Camila, que é o lado de que “muitas destas pessoas, às vezes, são grossas e mal-humoradas quando se vai falar com elas”. Já para José Maximiano Macedo, 52, o que o professor Liraucio falou é o que acontece: Quando ele tem um vínculo com a pessoa, ele tem um relacionamento, diferentemente das pessoas que trabalham na rua. “Eu as vejo como pessoas necessárias para a organização e funcionamento de casas, limpeza pública e transporte (…) mas diferente das pessoas que trabalham em casa, que eu tenho uma relação mais próxima, agora, se é uma pessoa que pega e trabalha na rua, e ocasionalmente você vê e não vê com frequência, acaba sendo uma pessoa que em termos assim .. acaba simplesmente sendo mais uma pessoa na rua. Elas são indiferentes para mim, mas entenda, eu não as maltrato e não sou mal-educado com elas. É que como eu não tenho nenhuma relação com essas pessoas, tanto faz eu vê-las ou não”.

Tá, e quem eles são?

As pessoas não são vistas, porém sempre tem algo a dizer quando se precisa ouvir. Uma dessas pessoas que sempre solta palavras de carinho é Maria Marques ,37. Maria se define como uma pessoa bem feliz. Por onde passa, todos a cumprimentam, param para conversar e “se divertem com a Nega”, seu apelido carinhoso. Auxiliar de serviços gerais da faculdade Cásper Líbero, Nega diz que não foi ela quem escolheu o emprego, e sim o emprego que a escolheu. “No outro trabalho que eu tinha, eu me demiti para ir ver a minha mãe no nordeste. Quando voltei, não tinha trabalho, não tinha nada. Falei com o Zé se ele me arranjava um bico, ele me conseguiu esse e já estou aqui há três anos”, diz. Nega conta que gosta bastante quando as pessoas falam com ela, e diz que sofre preconceito em relação ao que exerce: “Tem pessoas que tem preconceito até delas mesmas”, fala.
Além de Maria, conversei com o “Seu” Fernando, ou Fernando Magalhães, 47. Cobrador do ônibus Shopping Iguatemi- Heliópolis, “seu” Fernando relata que tem muita gente que trata mal ou ignora quando ele deseja um bom dia para elas, então prefere ficar quieto. “Só respondo quando as pessoas me desejam”, diz. Seu Fernando, que tem o dedo indicador da mão esquerda deformado, diz que escolheu ser cobrador por necessidade, e por não ter acabado os seus estudos de ensino fundamental. “Durmo às 22h e acordo às 2h45. Não é fácil, é muito cansativo”, diz.
Conversei também com o “Seu Luís”, ou Luis Fernando Reis, 58, motorista do ônibus em que o Seu Fernando trabalha. Seu Luís, com seus óculos e cabelo grisalhos, é companheiro de Fernando há mais de 7 anos. Ele afirma que não é fácil mesmo, ainda mais quando se tem uma rotina dura. “É uma vida muito dura. Trânsito, cara feia, gente mal-educada”. Mas nada disso tira o sorriso que o seu Luís abre ao ver um passageiro querido ( e por querido, compreendi que eram os passageiros que conversavam com os dois e que pega o ônibus com uma certa frequência) cumprimentando-o. “Com a rotina, costumamos transportar as mesmas pessoas. Gosto quando elas falam com a gente, nos sentimos importantes”, diz. Além disso, seu Luís fala sobre como é difícil não passar tanto tempo com a família”O bom é que nessa linha não trabalhamos nem de domingo e nem de feriado. Mas tem gente que trabalha nesses dias, e quase não passa com a família”, afirma.
Vagner de Souza, 32, varredor de lixo, disse que quase nunca param para falar com ele. Apesar disso, ele diz que não se importa muito, prefere conversar com os seus amigos de trabalho. Vagner conta como começou a trabalhar “Vim sozinho para São Paulo, por indicação de um primo, para trabalhar como coletor. O que ganho hoje, é muito mais do que eu ganhava em um ano de trabalho no nordeste. Depois que eu comecei a trabalhar em julho de 2009 e consegui trazer minha família para cá em janeiro de 2010 graças ao meu 13º e especialmente às caixinhas de natal. Moramos em uma casa humilde num terreno invadido, mas apesar disso, estamos melhor. Meus filhos estão na escola e minha esposa ainda consegue um dinheiro trabalhando em faxina por duas ou três vezes na semana”, diz. Ele diz que sente preconceito, apesar de não sentir vergonha do seu trabalho. “Como as coisas são, eu podia ter ido para outro caminho, mas eu prefiro batalhar e ganhar meu dinheiro com o meu próprio suor e sustentar a minha família”.
Para Carlos da Silva, 41, ser carteiro dá muito trabalho. “Andamos muito, faça chuva ou faça muito sol”. Apesar disso, ele diz que as pessoas o tratam bem, pelo fato de que ele passa nas casas das pessoas durante os cinco dias úteis de cada semana. Fora isso, ele não muda de rota, então a vizinhança inteira fica familiarizada com ele. “Não tive muitas dificuldade para conseguir trabalhar. Passei no concurso e aqui estou”. Carlos afirma que não sente muito preconceito em relação à sua profissão, afinal, sem ele, as pessoas não pagam suas contas ou não recebem suas cartas. Como ponto positivo da profissão, Carlos diz que é o fato de conhecer muitas pessoas “conheço todos os comerciantes das ruas, muitos motoristas, cobradores, pessoas que trabalham nas casas .. são boas pessoas! E também dá para emagrecer com tanta andança”, diz, abrindo um sorriso e se despedindo.
Em meio a tantas pessoas, escolhi apenas cinco. Cinco histórias, cinco pessoas abertas e me contar sobre o que viveram, pessoas maravilhosas. Termino a matéria relatando o brilhante sorriso e aceno que o seu Luís me deu ao rever a pessoa que ele transportou durante três anos de estudos. E sobre as perguntas que ele e seu Fernando me fizeram durante todo o trajeto feito. Depois de lágrimas, termino dizendo que o ser humano pode ser maravilhoso… É só se dar a chance de conhecê-lo bem.

As desvantagens de ser invisível

1-  As pessoas existem e não são mais percebidas. Quero propor uma reportagem aonde falamos com pessoas que estão no meio de todos, mas são tidas como invisíveis, especialmente pela profissão que elas exercem. Quero conhecer o individual no meio do público.

2- Como uma pessoa que usa transporte público todos os dias, percebi que, por exemplo, os motoristas de ônibus são importantes para nós, mas eles são tratados como seres inexistentes pela maioria das pessoas. Além dos motoristas, posso citar os carteiros, cobradores, garis, faxineiras.  Todos são seres humanos, queria conversar e ver quem eles são, como eles se sentem no meio de tantas pessoas, se eles não se incomodam por serem parte de um todo ao invés do ser individual.

3- Tenho curiosidade em saber como essas pessoas são, o que as levaram a escolher suas profissões, como elas se sentem no trabalho, na sociedade, se há preconceito em relação ao que elas exercem.

4- Como você se sente?

5- Além de um sociólogo, para contextualizar o ostracismo, gostaria de conversar com os personagens já citados: um motorista, carteiro, cobrador, gari e faxineira, além de 5 pessoas aleatórias que possam dar suas opiniões a respeito destas pessoas e/ou profissões.

6- É interessante ouvir o lado do qual  ninguém está disposto a escutar. Eu sempre me intriguei com isso, e vejo nesta matéria a chance de esclarecer a minha dúvida ( que deve ser a dúvida de algumas pessoas, acredito).

Com mais detalhes:

7- Como as pessoas vivem na sociedade porém são tidas como invisíveis pela sociedade.

8- Sociedade

9- Minorias sociais ( que na verdade, é a maioria ).