O túnel sem luz no Rio que liga o Tibet à Estônia

Antônio Bordallo é um corintiano do Rio de Janeiro. Essa é a forma que ele se apresenta. Nascido e criado em Copacabana, Toni, como gosta de ser chamado, não sabe explicar muito bem o porquê a escolha do time: “Talvez tenha tido a ver com as cores, a camisa…”, pondera. Deve ser. Afinal, poucas pessoas dão importância a detalhes tão pequenos quanto Toni, ainda mais quando o assunto são camisas de futebol.
Conheci Toni em um fórum de colecionadores de camisas de futebol: o Minhas Camisas (www.minhascamisas.com.br). Frequentador assíduo da área de comentário, Toni era relativamente famosos entre os visitantes do site. E decidiu então criar sua própria página sobre camisas de futebol, o Esporte à Porter:
Hoje, Toni é um designer de uniformes esportivos, ou melhor: sportwear. Pelo menos assim se considera, mesmo com poucos trabalhos no ramo. As oportunidades são escassas, mas Toni já sabia disso quando quis fazer de Design de Moda sua terceira faculdade. Após cursar faculdades de Letras e Relações Internacionais, trabalhava há cinco anos como guia turístico quando decidiu mudar de área em 2006.
A minha historia é bem longa. Já passei por muita coisa. Para o final dos anos 1980, tinha muita loja de esporte no Rio, com várias camisas. Sou de uma família bem simples e o preço dessas camisas naquela época já não eram lá tão acessíveis. Somente em 94 que eu tive (ás duras penas) dinheiro pra comprar uma camisa “oficial” de futebol. A partir de então, apesar das restrições de grana, sempre fiquei antenado em como conseguir coisas raras a preços baratos. Chegava a encarar 1 hora de ônibus indo pra Bonsucesso, só pra conferir as boas ofertas.
De achar interessante eu comecei a admirar a estética das camisas, observar os detalhes. Eu até queria fazer moda quando eu entrei na faculdade, mas eu não tinha como fazer numa faculdade particular. Lá pra 92, 93 eu comecei a desenhar camisa, à mão mesmo, com lápis de cor mesmo, mas sem a ambição, era algo muito distante.
Em 2005 eu tive um acidente e depois disso, você acaba querendo fazer o que você gosta, ter prazer no trabalho. E o que eu gostava era de desenhar camisas. O fato de ter tido uma historia antes de virar uma moda, a conhecer melhor essa historia.

O acidente de que Toni fala com tranquilidade não foi tão tranquilo assim. Em 2005, ele ainda trabalhava como guia turístico no Rio de Janeiro quando uma mudança de trajeto mudou a sua vida:
Resolvi continuar como guia de turismo no Rio, que já fazia desde 2000, para juntar dinheiro e então realizar um sonho que tinha desde minha adolescência: morar na Europa. A única coisa que me prendia no Brasil era a carteira de motorista.

Se tivesse a carteira internacional, na pior das hipóteses, ele poderia pegar algum emprego de motorista em Londres, que aonde planejava ir. A passagem estava agendada para dali duas semanas. Até que os planos mudaram.

No dia 4 de maio eu tive folga do trabalho, e por isso fui cuidar de outros assuntos e depois fui pra academia perto do meio-dia. Sai de lá 13h30, mais ou menos, e quis terminar a malhação com uma volta de bicicleta pela Lagoa. Em vez de pegar o caminho de sempre, pelo Corte Cantagalo, resolvi cruzar o Túnel Velho, que era há poucos metros da academia, e seguir pelo Humaitá. Entro no túnel, vazio naquele momento, mantenho-me no canto da pista, pra não ser pego por um carro que viesse no meio na pista e não me visse.
Quando estava na metade do túnel parece que aconteceu uma troca abrupta de cena no meio do filme: numa cena estou dentro do túnel cuidando pra me manter no meu canto e, do nada, corta pra outra cena, completamente diferente: eu, deitado, com minhas costas raladas queimando no asfalto quente das 13h.
Um ônibus surgiu do nada, sem buzinar, sem ligar o farol, me atropelou e foi me arrastando debaixo dele até fora do túnel. Olho pra baixo e minhas pernas estão num estado impossível de descrever, e longe de mim uma multidão me observa e diz pra não me mexer muito, que a cada momento que tento me levantar, bombeio mais sangue pra fora do meu corpo. Os pedestres me observam estirado no asfalto quente, sem coragem alguma pra descer e me prestar qualquer socorro. Nem mesmo o motorista ou qualquer pessoa que está dentro do ônibus. Acho que pensavam que já era mesmo, que em questão de tempo morreria, na rua ou no hospital.
Lembro claramente do momento dentro da ambulância, com os paramédicos me reanimando, mas ao mesmo tempo batia aquele sono dos mais gostosos que já senti, aquele sono tentador, ao mesmo tempo em que ao meu redor havia pura tensão e caos. O paramédico dizia pra eu não fechar os olhos e nem dormir, pois muitos numa situação dessas se entregam ao sono e não retornam nunca mais. Tive que escolher entre um sono maravilhoso, que me faria escapar de todo aquele caos que me rodeava ou uma vida que na hora eu já sabia que não seria mais como eu planejava.

Por mais clichê que possa parecer, Toni realmente esteve à beira da morte. Mas não morreu. E isso bastou para ele.

A primeira lembrança que tenho após chegar ao hospital e entrar na sala de cirurgia foi no dia seguinte: uma médica se aproximou e conversou comigo, toda cuidadosa, e me disse que o acidente foi muito grave e que por conta disso tive a perna direita amputada e a esquerda lesionada seriamente. Pode parecer estranho, mas minha reação automática foi dizer: “Foi só isso mesmo, doutora? Então tô no lucro até”. De fato achei que, dada a dimensão do acidente, a consequência seria muito pior que uma perna amputada. Eu sei a porrada que é ter um ônibus te atropelando e te arrastando. Eu não estava nem me lamentando pelo que perdi, mas celebrando o que sobrou.
Mais importante que o próprio acidente, a recuperação serviu pra Toni como momento determinante de que tipo de vida queria levar após um trauma como aquele. O quê fazer depois de ver seu esforço estraçalhado por um ônibus?
Passei um bom tempo mal, deprimido. Não só tinha interrompido meu sonho de morar na Europa, mas minha vida tinha dado um passo enorme pra trás. Deixei de ser independente para ser alguém que precisava de ajuda pra tudo: comer, ir no banheiro, sentar.
Mas não demorou muito pra eu mudar, não. Sempre fui um cara que estipulava metas, que tinha sonhos, objetivos maiores. Não que eu fosse sofredor desde pequeno, minha mãe sempre meu deu tudo o que precisava, mas eu sempre quis mais, sempre fui diferente. Não tinha dinheiro, mas me virava pra tentar comprar as camisas de futebol, pra assistir o rúgbi que não passava na TV, pra aprender línguas novas, sabe? Fiz duas faculdades e fui trabalhar numa profissão completamente diferente das duas, com a ideia de ir pra Europa.
O futuro pra mim não seria nada como imaginava ou tinha planejado, mas decidi não parar pra refletir sobre isso todos os dias, como sendo um fardo que diariamente eu carregasse. Preferi encarar como se esse período pós- acidente fosse uma prorrogação que o juiz deu, e por isso tenho a obrigação de dar tudo de mim pra, mesmo que nos pênaltis, sair com a vitória.
Queria ultrapassar meus limites. E o acidente me trouxe limites novos, mais difíceis. Antes de pensar em ir sair do país de novo, eu tinha que descobrir como ia me virar com a cadeira de rodas ou com o andador. Mas, ao mesmo tempo, nunca esqueci minhas metas. Acho até que fiquei com mais vontade de fazer o que eu quisesse, de sair, de me superar.
Tive muito tempo livre, de cama, sem poder fazer nada, e aproveitei pra me engajar em vários projetos, mexer com as coisas que eu gostava e tinha deixado meio de lado. Foi quando comecei a participar mais das discussões do Minhas Camisas. E comecei a retomar meu gosto por camisas.

E o gosto passou a ser profissão. Por que não? A meta que Toni havia ignorado até então passou a ser prioridade.
Eu, que tinha uma fobia de programas de computador como Photoshop e Corel, tava com um tempo mais livre eu me dediquei a aprender como usar, vi tutoriais e tal, e comecei a desenhar por conta própria.
Depois do período inicial de recuperação do acidente, juntei o dinheiro que tinha economizado pra ir pra Londres e decidi ir atrás da qualificação necessária pra ser um designer de camisas de futebol. Fui fazer uma faculdade de Moda e Design.

Em meio a tudo isso as coisas foram andando. O Esporte À Porter funcionando, cada vez com mais detalhes técnicos adquiridos com o aprendido nas aulas. Os desenhos também. Até que a grande oportunidade chegou.
– Todo aficionado por camisa de futebol que tenha fuçado um pouco na internet conhece o Football Shirt Culture. É um site inglês bem acessado que fala não só de camisas e lançamentos, mais têm fóruns onde os colecionadores e desenhistas “wannabe” podem mostrar seus desenhos, suas opiniões.
E aí rolou um concurso, em 2008, época em que a seleção da Polônia fechou contrato de fornecimento com a Nike. A ideia era fazer um desenho, que entre os fãs a gente chama de “mockup”, pra o que seria a nova camisa da Polônia. E eu ganhei.

Pelo concurso em si, Toni não ganhou nada além de reconhecimento. Mas isso bastou para que conseguisse sua primeira oportunidade real no ramo. Time grande de Alagoas, o CRB havia acertado com a Tronadon, empresa de Recife que recém entrava no futebol e Toni foi o responsável por desenhar a nova camisa da equipe.
O concurso no Football Shirt Culture foi onde deslanchou a minha carreira, foi quando eu vi que tinha futuro, que meu trabalho tinha seu valor. Um dos colegas do Minhas Camisas, tinha o contato da Tronadon e aí me pediu pra fazer o desenho pro CRB e de outros times. E o do CRB foi aprovado.Foi a realização de uma fantasia de moleque, ver um jogador comemorando um gol com sua camisa na cara, beijando o escudo. Você fica até meio bravo quando ele tira pra comemorar, fica feliz de ver o juiz dar amarelo só porque jogou a camisa que você fez no chão.
Mas o hobby de adolescenteteve repercussão ainda maior. Por causa do mesmo concurso Toni tornou-se protagonista de um projeto muito maior, o maior de sua carreira até o momento: desenhar a primeira camisa oficial da seleção do Tibet, um trabalho encomendado pela companhia holandesa COPA:
Eu tinha ganho o concurso do FSC e isso me deu uma projeção legal. Aí o próprio CEO da Copa me escreveu e me convidou pra um projeto ultrassecreto e eu aceitei na hora. Semanas depois eu fiquei sabendo que era pra uma seleção e ainda mais do Tibete. E ai disse: “Essa é minha chance”. Foi uma ponte RJ-Amsterdam-Norte da Índia, ultrapassando os 300 e-mails, durante mais de 6 meses, com críticas, sugestões, pedidos. Fiz toda a linha: bolsa, camisa de passeio, jaqueta, numeração especial baseada na tipografia deles.
O sucesso repentino levou o trabalho de Toni de sua prancheta até as mãos de Dalai Lama, líder tibetano. Mas as experiências também fizeram com que ele tivesse uma nova noção de como funciona a profissão de designer esportivo:
O designer é pago pelo projeto fechado, com “x” camisas e tal. Cada camisa aprovada pelo clube, você ganho tanto. Você recebe um briefing e começa a partir dali. Eu começo no papel e caneta mesmo, pesquiso bastante sobre o clube ou a seleção. Depois de um tempo eu vou pegando o melhor do material cru e passando pro computador. Vai rolando então o transito de e-mails. Mas tem também a ficha técnica em algumas marcas. Porque é o trabalho do estilista, cor, medidas, silkado ou não. Por isso as vezes não fica exatamente do jeito que o designer fez. A marca tem a última palavra em tudo, o design mesmo é só uma pequena parte.
Após os dois trabalhos iniciais, Toni viveu a expectativa de novas oportunidades no ramo. Oportunidades que são escassas e concorridas:
Existem alguns processos de escolhas de designers, seletivas e entrevistas de trabalho, como em qualquer outro emprego. Mas as vagas são muito poucas. Muito poucas mesmo. E as vezes as empresas prometem e não cumprem. É uma espécie de trabalho artesanal, sem muita regulação.
Mais recentemente, em dezembro de 2012, Toni recebeu mais um convite para uma nova empreitada/”furada” no ramo.
Fui contatado por uma empresa dos Emirados Árabes, chamada KCS, que viu meu portfólio e queria que eu coordenasse a área de sportwear da marca. Mas foi tudo uma grande confusão. Na primeira vez os caras me trataram mal, não pagaram minha passagem, queriam que eu fosse pra Dubai sem nenhuma garantia e depois me disseram que eu tinha sido pouco profissional. Ainda tentei uma segunda vez, por realmente estar afim de mais uma chance nesse meio, mas o dono da companhia repetiu os mesmos erros e ainda me fez perder mais de mil euros com a passagem desde aqui de Talinn até Dubai.
Pra quem se pergunta, Talinn é a capital da Estônia, país europeu eslavo, para onde Toni mudou-se em dezembro de 2011.
Vim morar aqui por causa da Anne, minha namorada. Depois de um tempo já estava difícil namorar à distância, só pela internet. Decidi mudar todo de novo. Além de tudo, ainda que não seja Londres, estou cumprindo meu sonho de viver na Europa. E aqui ainda estou mais próximo de fazer contatos no meio do design esportivo.
Apesar das dificuldades, Toni Bordallo está em constante movimento. Lento, pelas beiradas, ele chega aonde queria, atinge as metas que traçou um dia, antes mesmo de saber que um acidentado passeio de bicicleta pelo túnel poderia leva-lo ao Tibete e à Estônia antes de chegar ao Humaitá.

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Por uma Superliga melhor: Craques das quadras trocam a regata pela gravata para criar um torneio nacional de qualidade

No país do futebol, outros esportes disputaram historicamente o segundo lugar na preferência popular. O voleibol sempre foi um deles. E, principalmente desde o ocaso dos grandes pilotos nacionais no automobilismo, esse posto tem sido dos gigantes da rede.

O caminho não foi fácil. Antes esporte de mulher, o vôlei garantiu seu espaço entre os homens através de muitas conquistas. Em um período de trinta anos, dos anos 80 para os dias de hoje, as vitórias fizeram da seleção masculina de vôlei um símbolo nacional.

Número um do ranking mundial, desde 1992 a seleção conquistou dois ouros e três pratas olímpicas, três Jogos Pan-americanos, três campeonatos mundiais, duas Copas do Mundo e nove títulos da Liga Mundial.
Tudo isso serviu para que nomes como Maurício, Giovane, Giba, Ricardinho, Dante, Marcelinho, Serginho, Murilo, Gustavo, André Nascimento, Bruninho, Rodrigão e Bernardinho passassem a ser lendas. Ídolos. Heróis.

Todo esse furor motivou também o nascimento de um campeonato nacional de correspondesse ao novo nível do vôlei brasileiro. A Superliga surgiu em 1994 como uma reformulação do campeonato nacional, disputado anualmente com seus altos e baixos desde 1981.

Mas, mesmo com semelhanças perante os campeonatos nacionais europeus, a Superliga nunca conseguiu se consolidar. Mudanças constantes no número de equipes, no modo de disputa e, principalmente, nos próprios clubes fizeram com que aquele que é o principal torneio do segundo maior esporte do país não tenha a mesma relevância e sucesso da seleção, tanto esportiva quanto financeiramente.

A base para a criação de times não tem formado vínculos duradouros com o público nem os atletas. Apoiado em um sistema de patrocínio único e centralizado apenas em exposição de marca, o formato criou uma enorme dependência dos clubes em relação aos patrocinadores, que funcionam de acordo com as oscilações da economia. Ao se firmar em um só apoio, a estrutura costuma quebrar, e tem deixado jogadores e torcedores órfãos de camisas e cores que simplesmente deixam de existir.

Assim foi com equipes como o Cimed Florianópolis, maior campeão da história da Superliga, com quatro títulos. Após o fim da temporada 2010/2011, o time perdeu o patrocínio da empresa que lhe dava nome e, de um dia para o outro, fechou as portas.

Nos últimos dias de março, o fim do ciclo chegou para outra importante equip. O Vôlei Campinas anunciou a saída do laboratório farmacêutico Medley do posto de principal patrocinador da equipe após o fim da campanha do time na atual temporada da Superliga masculina. A perda de patrocinador não é nenhuma novidade para os clubes de vôlei brasileiros.

Mas a revolta de seus atletas sim.

Cansados das constantes saídas e trocas de empresas no esporte, mais de 280 atletas e ex-atletas dos 12 times da Superliga, liderados pelo ex-seleção brasileira e capitão do Canoas Gustavo Endres, lançaram uma campanha nas redes sociais por mudanças no formato de disputa do principal torneio nacional da modalidade: “Unidos pelo Voleibol”.

O novo formato aumenta o período de disputa da liga de quatro para sete meses, com as equipes jogando uma vez por semana ao invés de duas, como é atualmente. Entre outras medidas estão a criação de uma Copa do Brasil paralela à Superliga e disputada em jogos eliminatórios, e a realização de um Jogo das Estrelas, assim como acontece no Novo Basquete Brasil, por exemplo.

Segundo Gustavo, “uma duração maior da Superliga ajudaria os clubes que pagam 12 salários para o jogador e só tem suas marcas na mídia durante por quatro ou cinco meses”.

Outras alterações também foram sugeridas pelo grupo. O repasse das cotas de televisão para os clubes, e não somente para a CBV, e o aumento do espaço de exposição dos patrocinadores nas placas de publicidade são algumas alterações que serviriam para melhorar a condição financeira das equipes.

Até o momento, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ainda não se manifestou sobre a possibilidade de que as sugestões sejam implantadas, mas se declarou aberta a debater com clubes e jogadores.

Alexandre Stanzioni, gerente do São Bernardo Vôlei, criticou a atual situação dos clubes e elogiou a iniciativa dos jogadores: “O formato atual faz os clubes dependerem exclusivamente do patrocinador, mas as entregas não são exatamente como as empresas precisam. Os times mudam muito e você não consegue sempre mover a torcida, porque não há identificação com o clube. Não existem clubes de vôlei e sim times, momentâneos, que duram dois ou três anos”.

“Dessa maneira, fica inviável para as empresas permanecer. O problema é que os clubes não são sustentáveis sem esses patrocínios e não conseguem se manter apenas com as outras receitas. O modelo é o mesmo desde a década de 80. A televisão compra e não repassa. Patrocínio é apenas um dos problemas”, completou Stanzioni.

“Converso muito com o Gustavo e falamos bastante sobre a duração do campeonato. Os jogadores têm um peso diferente, uma imagem muito mais reconhecida pelo público. A liga precisa dessa união e desse poder para mudar”, afirmou o dirigente.

Sobre o aumento da duração da Superliga, o gerente do São Bernardo se mostrou positivo: “É uma das soluções porque, para entregar maior exposição e mais qualidade técnica, o campeonato mais importante do país tem que ser mais valorizado e tem que ser bem feito”.

Fernando Maroni é gerente de alto rendimento da agência ESM. A empresa administra o próprio Vôlei Campinas, ex-Medley, onde o executivo atua como supervisor. Ele afirma que os clubes são os grandes responsáveis pela fragilidade do formato: “Os grandes culpados somos nós mesmos. Os clubes não vão às reuniões com a CBV e não se manifestam, pensam apenas no seu umbigo e a curto prazo”.

A movimentação de empresas dentro do vôlei foi comentada pelo executivo do vôlei Campinas: “Não podemos apenas incriminar as empresas por entrar e sair do esporte. Ainda vivemos um processo de maturação do mercado do esporte. Há dificuldades das empresas de definir os objetivos do patrocínio. Hoje o vôlei é um ótimo produto. O público assiste cada vez mais. O potencial de entrega das equipes é muito bom, mas é necessário um amadurecimento das equipes e das empresas. Por isso, ainda temos muita dificuldade de fechar contratos a longo prazo”.

Maroni considera positiva a manifestação dos atletas, mas analisa a questão com cautela: “Temos que ter cuidado nesse tipo de manifestação. A CBV nunca se recusou a ouvir sugestões. Há de se fazer uma autocrítica: os dirigentes e os clubes não são inocentes, têm mais poder que imaginam”.

“A discussão é muito positiva, mas tem que ser interna. As coisas caminham para o que todo mundo quer, vão evoluindo, mas a longo prazo. E a gente tem que pensar serenamente e olhar pra trás e ver que já evoluímos”, afirma Maroni.
Stanzioni critica também o espaço dado pela televisão: “A cobertura até é ampla, mas não é feita com uma avaliação prévia. O campeonato começa sem que as equipe saibam quantos jogos vão ter na TV. Como eu vendo a minha exposição sem isso? Deveria ser estabelecido um mínimo de jogos e daí vai se ajustando de acordo com o desempenho, a importância do jogo. Tem equipe que passou duas vezes e outras vinte. E a cota ainda fica pra CBV enquanto os clubes nem sabem o valor dela”.

Já Maroni discorda da opinião do gerente de São Bernardo: “A CBV faz a escolha junto com a televisão. Temos que ver que a televisão também é um produto. Tudo depende muito da audiência e do retorno. Mas de uns anos para agora a situação melhorou muito. Hoje o vôlei é um ótimo produto. O público assiste cada vez mais e mesmo as equipes menores têm tido mais espaço, com pelo menos quatro ou cinco jogos por temporada”.

Mesmo com as divergências, Stanzioni e Maroni concordam na necessidade de buscar alternativas: “A ideia de pensar em uma solução além do patrocínio é o começo do caminho”, disse o dirigente da equipe de Campinas.

“Por filosofia das equipes e até por medo dos parceiros, falta hoje essa alternativa. É necessária uma mudança”, afirma Stanzioni.

A renovação da Superliga – Novos moldes para o vôlei brasileiro

  1. A Superliga é o principal campeonato de voleibol masculino do Brasil. Mas nos últimos anos, o torneio, que conta com alguns dos principais jogadores do planeta, tem sofrido com a saída e inconstância de equipes e patrocinadores. Minha meta é explicar o formato de disputa e negócio do campeonato, o funcionamento dos clubes e a atual crise do sistema e mostrar os caminhos que estão sendo adotados para melhorar a situação.
  2. A ideia é explicar a situação atual. Como esses clubes se mantém atualmente e o que planejam para um futuro próximo.
  3. Gostaria de saber como estes clubes têm feito para manter seus times, mesmo com a disparidade que cresce entre eles e aqueles sustentados por empresas, e a atual situação financeira do esporte, envolvendo patrocínios,  jogadores, entre outros.
  4. Como um clube pequeno se mantém sustentável em frente as dimensões do vôlei atual?
  5. A ideia é pesquisar a situação de cada clube e conversar com os responsáveis para averiguar os planos para o futuro.
  6. O grande diferencial desta matéria está no fato de que busca mostrar a renovação dos times pequenos e como estes se adaptam às mudanças do vôlei atual, neste caso, frente aos grandes projetos de clubes como o campeão RJX.