Brasil Ink direto para o mundo

O paulistano Rodrigo Canteras deixou o Brasil para conquistar diversos horizontes através da tintaRodrigo Canteras

São exatamente 23 horas e trinta e seis minutos do dia dez de junho de 2013 quando decido que é uma hora adequada para fazer uma ligação via Skype pelo computador para os Estados Unidos. Mais precisamente para a cidade de Nova Iorque. É lá onde mora o tatuador brasileiro Rodrigo Canteras, que teve seu empenho e talento reconhecidos no ramo artístico das tattoos ao ser convidado para trabalhar em um dos estúdios de tatuagens mais famosos do mundo: o Wooster Street Social Club.

Agora Rodrigo não é apenas um tatuador, é também personagem de um reality documentary: o NY Ink, que já está em sua terceira temporada e é transmitido para diversos países mundo afora, inclusive para o Brasil.

Às 23 horas e ainda trinta e seis minutos minha ligação é atendida. São 22 horas e trinta e seis minutos em Nova Iorque. Surpreendo-me com o entusiasmo com que ele me cumprimenta devido ao horário (confesso que pensava que essa conversa seria um tanto quanto formal). Logo de cara reparei no fundo de onde ele estava e o reconheci o local do programa de televisão: era o Wooster Street Social Club com suas paredes com quadros que os próprios tatuadores fazem e os “stands” com as dezenas de tintas e máquinas utilizadas para cravar a arte na pele de seus clientes. Perguntei para Rodrigo se ele ainda estava no estúdio e ele me confirmou dizendo que havia sido um longo dia de trabalho e que por isso estava lá até essa hora. Ressaltou que mesmo sendo uma segunda feira o dia havia sido muito movimentado, com diversos clientes e que ainda teve que desenhar alguns stencils de algumas tatuagens que faria no dia seguinte e ao longo da semana.

Mas apesar do horário e da longa jornada de trabalho Rodrigo não deixou de mostrar sua simpatia e seu lado calmo que sempre vemos na televisão. Foi então que resolvi perguntar como ele havia “parado” em Nova Iorque: aos 17 anos, depois de ser expulso do colégio onde estudava em São Paulo (cidade onde nasceu), Rodrigo decidiu que iria terminar o Ensino colegial, nos Estados Unidos porque seu irmão mais velho morava em Miami, e assim ele ainda poderia aprender inglês (rindo, disse que foi a “desculpa” que ele deu aos pais). Hoje com 36 anos e muitas tatuagens depois, é o primeiro brasileiro a fazer parte do NY Ink, que faz parte da mesma franquia do Miami Ink e LA Ink.

Mudou-se para Nova Iorque há mais ou menos dois anos, e quando Ami James, tatuador e dono dos estúdios Miami Ink e NY Ink, que queria apenas os melhores tatuadores para integrar sua equipe soube da mudança de Rodrigo para a cidade na qual estava abrindo um estúdio, convidou o amigo a árdua “tarefa” de se unir com os talentosos Tommy Montoya, Tim Hendricks, Megan Massacre e Luke Wessman. “Estava tatuando uma cliente quando Ami passou e me perguntou se haviam me ligado. Não entendi nada, e ele respondeu ‘Não sabe da novidade? Você vai estar no programa’. Na hora estava tatuando uma mulher e ela ficou feliz: ‘Ah, você vai lembrar que quando estava me tatuando descobriu que ia ficar famoso? ’. Fiquei muito feliz com o convite” – conta.

Conheceu Ami em 1998 no estúdio de tatuagem em que Rodrigo conseguiu seu primeiro emprego quando ainda morava em Miami. Ami foi à loja para fazer um trabalho específico com um cliente de lá. “Na época, fui trabalhar no mesmo estúdio que ele. Eu fazia piercings, era um moleque, e me falaram para tomar cuidado (com Ami), porque ele não gostava de ninguém. No primeiro dia ficamos amigos”, lembra Rodrigo rindo. Desde então são amigos.

Em Miami, Rodrigo ganhou as primeiras de suas muitas tatuagens, para desespero da mãe, “super católica”, como ele diz. “Sempre quis fazer uma tattoo, mas ainda não tinha dezoito anos. No dia em que fiz dezoito corri para o estúdio onde um amigo meu trabalhava e fiz”. Depois disso, nunca mais saiu dos estúdios de tatuagem. Ele ainda brinca com o fato de que foi lá em que tatuou a apresentadora da Rede Globo de Televisão, Ana Maria Braga.

Sempre influenciado pelas artes, o garoto que costumava andar de skate pelas ruas de São Paulo, começou a se interessar por tatuagens devido à sua outra paixão: a música, uma vez que os seus artistas favoritos eram cobertos por imagens que lhe chamavam a atenção. O fã de metal, punk, rock e hip hop queria ser músico quando era adolescente, e inclusive tentou montar várias bandas, nas quais era o vocalista, com amigos e conhecidos, mas admite que nunca tocou nenhum instrumento tão bem.

Começou seu aprendizado como tatuador no ano de 1998 em Miami, na Flórida, quando tinha vinte e dois anos de idade. E fez um segundo aprendizado em 2002, também na cidade de Miami.  Ele ainda diz que seu estilo preferido de tatuagens são as “traditional Americans”. “Amo fazê-las por causa das cores vibrantes e tradicionais, acho que a simplicidade das cores dão um ‘brilho’ especial à tattoo”.

Canteras se mostra muito fiel aos amigos e, principalmente, um admirador deles. Responde sem titubear quando perguntado em quem ele se espelha no mundo da tatuagem: os companheiros de estúdio e amigos há mais de dez anos Tim Hendricks, Tommy Montoya, Ami James (que também é seu chefe), Luke Wessman, o amigo nova iorquino Eddy Ospina e o mundialmente conhecido Chris Garver, ao qual os amantes dos programas de tatuagem estão acostumados a ver em Miami Ink. “Basicamente, me espelho nas pessoas com quem trabalho. Eles me ensinam novas lições todos os dias. Amo trabalhar com essas pessoas, eles são meus amigos, são minha família americana. Conheço a maioria deles há mais de dez anos”.

O paulistano diz que às vezes se sente no Brasil em Nova Iorque com a enorme quantidade de brasileiros que visitam o estúdio, e ele ainda brinca que acaba atuando como uma espécie de tradutor do lugar, situação que inclusive já foi mostrada em um dos episódios da terceira temporada do programa americano. “Alguns clientes tentam falar inglês e já manjo, pelo sotaque, que são brasileiros. Digo que podem falar em português e todos comentam ‘Ah, que legal que você é do Brasil! ’. Muita gente não consegue explicar que tipo de tatuagem quer fazer. Tendo uma pessoa que fale a nossa língua, fica mais fácil. Mas meu português está um pouco rústico, né?” — diz ele rindo.

“Hot Rod”, como é chamado pelos colegas de trabalho conta que se sente um pouco pressionado pelas câmeras que estão por toda parte do estúdio. Ele diz que no começo se sentiu um pouco intimidado e com vergonha das câmeras, pois sabia que todo mundo veria o que ele estava fazendo.

Rodrigo diz que Nova Iorque lhe deu as melhores coisas de sua vida: o trabalho que ama e se sente realizado fazendo, amigos que são como sua família, aprendizados que carregará para a vida inteira e a atual namorada, Jess Leppard, que também trabalha no Wooster Street Social Club, como secretária do estabelecimento, e aparece no NY Ink. Mas ele não deixa de mostrar seu amor pelo Brasil, mesmo depois de dez anos sem visitar o país. Ele, que não descarta uma volta à sua terra natal, brinca: “SP Ink? Pode ser. A gente nunca sabe…”.

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Perfil – Rodrigo Canteras

Escolhi o tatuador Rodrigo Canteras para fazer o perfil.

Minha escolha se deu pelo fato de Rodrigo, brasileiro, ter concretizado sua carreira nos Estados Unidos e  trabalhar em um dos estúdios de tatuagens mais prestigiados do mundo: o Wooster Street Social Club, que é, hoje em dia, cenário de um reality show americano mundialmente conhecido chamado NY Ink.

Nesse perfil tenho como intenção mostrar o caminho percorrido por Rodrigo para chegar no que podemos dizer ser o ápice de sua carreira.

Batalha nas faixas

Batalha nas faixas

A luta diária dos ciclistas contra os motoristas paulistanos

                Avenida Paulista, área que começou a ser urbanizada no final do século 19, se tornou o maior centro empresarial da América Latina, onde se localizam alguns dos mais importantes pontos da cidade: a Casa das Rosas, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e a sede da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A avenida é vítima da grande concentração, além de pessoas, de meios de transportes: carros, ônibus, taxis, motocicletas e bicicletas.

                Não é de hoje que a disputa entre automóveis e bicicletas no trânsito paulistano vem se intensificando nesse marco da cidade de São Paulo.

                Cercada por diversos restaurantes, dezenas de prédios comerciais, bancos, shoppings, faculdades, escolas, etc., o tráfego intenso de pessoas e meios de transporte chama a atenção. Mas o que realmente ganha destaque são os constantes acidentes envolvendo ciclistas.

                De acordo com Secretaria da Saúde de São Paulo um ciclista morre a cada dois dias após ser internado em um hospital da rede pública (nove usuários de bicicleta são internados todos os dias em São Paulo). Esses acidentes são causados na maioria das vezes devido à embriaguez e desatenção por parte dos motoristas dos veículos. As bicicletas precisam cada vez mais dividir o espaço de circulação terrestre com os automóveis. Ainda de acordo com a Secretaria, em 2012, houve 3.200 internações por esse motivo nos hospitais do estado.

                Os acidentes que mais chamaram a atenção foram os de Juliana Ingrid Dias e David Santos Sousa. Juliana, 33, foi atropelada no dia 2 de março de 2012 no período da manhã em frente à estação Trianon-Masp do metrô por um ônibus. A bióloga do Hospital Sírio-Libanês morreu no local. Em 2009, outra ciclista, Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, também foi atropelada por um ônibus na Avenida Paulilsta, próximo ao cruzamento com Alameda Campinas, local próximo de onde Juliana morreu. Na região, um memorial em lembrança a ciclista foi erguido, uma “estátua” de uma bicicleta foi colocada em um canteiro cheio de flores da calçada.

                Também na Av. Paulista o limpador de vidros David Santos Sousa de 21 anos, foi atropelado por um motorista, Alex Kozloff Siwek, também de 21 anos, que, segundo testemunhas, invadiu a CicloFaixa em alta velocidade. No acidente, David teve seu braço decepado e o atropelador fugiu sem prestar socorro, além de atirado o membro do ciclista em um rio, na zona sul, para tentar esconder o crime.

                Por conta de tantos acidentes a prefeitura da cidade de São Paulo em conjunto com o Bradesco Seguros criaram o projeto das CicloFaixas em 2009 para que os adeptos do ciclismo, por lazer ou por esporte, pudessem aproveitar o domingo junto da família ou de amigos através de uma atividade saudável e ecologicamente viável. A adesão a essa prática repercutiu de forma tão positiva que o horário de operação foi aumentado em 4 horas. Hoje em dia ela funciona das 7 da manhã até às 16 horas da tarde.

                Mas essa medida não foi capaz de solucionar todos os problemas causados pela disputa por espaço entre ciclistas e motoristas de automóveis. A CicloFaixa funciona apenas de domingo. Um único dia da semana não é capaz de suprir a demanda de ciclistas que necessitam dessa faixa para, por exemplo, ir trabalhar nos dias de semana, ir para a escola, para a faculdade etc. Portanto, esses indivíduos que precisam desse meio de transporte para se locomover se encontram em um dilema: se arriscar nesse trânsito perigoso  ou evitá-lo?

                O estudante de Ciências Sociais, Pedro Lucas de Oliveira de 20 anos, expõe o que sente ao circular pela Avenida Paulista em sua bicicleta: “Para falar a verdade, assusta! Tem sempre um carro, um ônibus vindo para cima de você, buzinando o tempo todo, o barulho chega até a te desnortear. Você às vezes acaba perdendo o controle da bike. Não tem espaço suficiente para a gente andar, a gente tem que se virar e ir entrando no meio dos carros. A gente sabe do perigo, mas vai fazer o quê? Não tem jeito, até o dia que fizerem um espaço para as bikes circularem diariamente, a gente vai se arriscando mesmo”.

                Pedro Lucas não é o único que compartilha desse sentimento de medo quando anda na Avenida Paulista.  Carlos de Souza, 34 anos, gerente do Banco do Brasil, pedala todos os dias para chegar a seu local de trabalho. “Usar a bicicleta como meio de transporte é um risco diário que eu assumo. A ideia da CicloFaixa é muito boa, mas não é funcional e o governo não faz nada sobre isso. Esse projeto só funciona de verdade pra quem usa bicicleta para passear de fim de semana, sem compromisso nenhum”.

                É preciso haver respeito mútuo e mais locais sinalizados e adequados aos ciclistas, uma vez que a cidade em geral, população e prefeitura, não leva em consideração que as bicicletas são sim um meio de transporte, e que na verdade muitas pessoas precisam delas para se locomover.

Ciclistas na Avenida Paulista

TEMA: Cidadania

VIÉS: Trânsito

1)      Proponho uma reportagem temática que analise o comportamento de motoristas de automóveis em relação aos ciclistas na Avenida Paulista.

2)      Proponho esta reportagem devido às diversas notas publicadas em mídias informativas sobre acidentes ocorridos, homenagens às vítimas fatais expostas no local e por presenciar um desses acidentes.

3)      Tenho curiosidade em saber o porquê de tantos acidentes e como é para o ciclista trafegar por essa avenida em meio a tantos acidentes já ocorridos.

4)      A minha primeira pergunta seria: “qual é a sensação que o ciclista tem ao pedalar pela Avenida Paulista?”. Para expor o sentimento que se tem ao andar por lá e procurar expor o perigo que eles correm.

5)      Para responder a essas perguntas que comporiam a reportagem como uma narrativa, as fontes seriam os ciclistas que trafegam pela Avenida Paulista quase que diariamente, vítimas de acidentes mais leves e parentes/colegas/amigos das vítimas fatais.

6)      O que há de especial nesta reportagem é o fato dela abordar um assunto delicado que envolva tragédias que possam ocorrem a qualquer momento e que não tem uma solução eficaz para esse problema. Além de ela lidar com emoções e sentimentos dos indivíduos envolvidos nessas situações.