A profissão dos sonhos

A trajetória de Jacquelyne de Souza, que alcança seus objetivos por meio dos estudos

Foi em um sábado, na sede do Projeto Casulo, organização que visa o desenvolvimento pessoal e social das famílias da comunidade Real Parque e Jardim Panorama, que me encontrei com Jacquelyne de Souza, 27. A importância desse lugar para Jacquelyne é grande. O Projeto Casulo, foi fundado pela prefeitura, mas atua em parceria com outras organizações. Uma dessas organizações é a ONG Cidadão Pró-Mundo, responsável por uma mudança significativa na história de Jacquelyne.

A Cidadão Pró-Mundo,foi  fundada em 1997. Tudo começou depois da visita do fundador da ONG e um amigo estrangeiro que veio a São Paulo e foi conhecer o Capão Redondo.  A frustração veio ao perceber o interesse do pessoal da comunidade em se comunicar com o gringo, mas na impossibilidade devido à língua inglesa. A partir de então, um grupo de amigos se uniu e passou a ensinar inglês nas casas desses moradores do Capão Redondo nos finais de semana, a notícia se espalhava e os moradores da comunidade foram se interessando mais.

Em 1999, o Centro Comunitário mãe admirável ofereceu seu espaço para que as aulas fossem ministradas. Nesse mesmo ano, o que já tinha se tornado uma ONG iniciou sua parceria com o Yázigi, e todos os alunos que se matriculavam para as aulas passaram a ter o mesmo material que um aluno matriculado em uma escola de inglês particular recebe.  As aulas acontecem todo sábado com 3 horas de duração, os professores, que são voluntários, fazem um rodízio mensal, a cada semana os alunos têm uma aula com um professor diferente. Quem explicou todo o funcionamento da Cidadão Pró-Mundo foi  Sarah Morais, gestora da organização.

Em 2005 Jacquelyne já era aluna do Projeto Casulo nas aulas de informática, ficou sabendo que no próximo ano uma ONG entraria com uma parceria para dar aulas de inglês. Jacquelyne sempre se esforçou muito na escola, mas conta que percebia que não estava aprendendo tanto, os professores faltavam muito, tinha greves, ela sentia que precisava de algo mais:  “ Eu sempre tentei correr atrás das oportunidades que não tive e que eu sabia que eram muito importantes para eu ser alguém na vida”.

Após se terminar o colegial Jacquelyne não teve escolha, teve que seguir os passos da mãe e trabalhar como empregada doméstica. Ela confessa que não procurou tanto um emprego porque já sábia que nunca conseguiria chegar na “profissão dos sonhos” que era ser médica. Começou ajudando sua mãe, Rosalynda de Souza, nas faxinas e na cozinha da casa em que trabalhava, alguns meses depois começou a trabalhar sozinha como empregada para uma família que morava em um apartamento no bairro do Brooklyn. Jacquelyne explicou que o fato de a comunidade Real Parque ser muito próxima ao Brooklyn e outros bairros nobres, muitas mulheres preferem ir trabalhar como domésticas pela relativa proximidade: “Era muito mais vantajoso trabalhar como doméstica aqui perto do que ir até o outro lado da cidade trabalhar em uma loja e ganhar quase a mesma quantia”.

Finalmente 2006, Jacquelyne conseguiu se matricular nas aulas de inglês da ONG. Isso só foi possível porque as aulas eram de sábado a tarde, Jacquelyne trabalhava somente durante a semana, usava o sábado para resolver problemas pessoais e descansar.

As aulas começaram, no ensino fundamental teoricamente Jacquelyne teve aulas de inglês na escola (colégio público), mas ela conta que as aulas eram muito ruins e “não dava para aprender nada”. Porém, a língua inglesa sempre lhe chamou atenção, o maior contato que Jacquelyne tinha com a língua era por meio de filmes e músicas.  Após 1 ano frequentando as aulas ela já sabia bem pouco do básico do inglês, o suficiente para lhe proporcionar a experiência de conseguir entender um pouco de uma música: “Nunca vou me esquecer do dia que tocou Avril Lavigne na rádio e eu consegui entender os versos “He was a boy, she was a girl”, me empolguei muito ao entender a letra da música, isso me fez querer continuar os próximos anos, apesar de algumas dificuldades”.

E nos três anos seguinte Jacquelyne manteve sua rotina semanal, conciliando o trabalho semanal como empregada doméstica, ajudar a mãe cuidar da casa nos finais de semana, aulas de inglês e os estudos que eram essenciais para fixar a língua, afirma ela.

O relacionamento de Jacquelyne com sua patroa sempre foi bom, ela sempre apoiou os estudos e cursos que a empregada fazia fora do expediente. Então, em 2010 a patroa de Jacquelyne comentou sobre um programa de intercâmbio no qual as pessoas iam para os Estados Unidos para trabalhar.  Jacquelyne nunca havia escutado nada sobre o programa, se interessou, com a ajuda de sua patroa obteve mais informações, e cada vez foi ficando mais empolgada com a possibilidade. Até então, sair do Brasil jamais havia passado pela cabeça de Jacquelyne.

A proposta do intercâmbio era trabalhar de “babysitter” (babá) em uma casa, de modo que o único custo da viagem seria a passagem. Esse era um problema, o preço da passagem era inviável para as condições econômicas dela.  Mas sua patroa falou que se ela resolvesse mesmo viajar ela daria de presente as passagens.  O apoio de sua patroa deixava  Jacquelyne mais empolgada.

Se Jacquelyne estava insegura e com medo, sua mãe estava mais ainda: “Tinha medo do que poderia acontecer lá fora, nunca fiquei tanto tempo longe da minha filha”. Foram muitas conversas, noites sem dormir, e Jacquelyne finalmente decidiu ir.

Burocracia, provas, visto, Jacquelyne conseguiu tudo o que era preciso, bagagens, dicionário de inglês, chegou o dia. O dia em que ela voaria de avião pela primeira vez, o dia em que ela realmente colocaria em prática seu inglês.

Despedidas a parte, a menina decolou rumo a Kansas City. A cidade não é escolha do intercambiário, e sim aleatória de acordo com o programa.  Jacquelyne contou que a viagem de avião foi uma das coisas mais lindas que ela já viveu. Outra experiência inesquecível para ela foi ter que conversar em inglês pela primeira vez: “A aeromoça veio me perguntar em inglês se eu queria frango ou carne, não entendi de primeira, pois ela falou muito rápido, logo respondi em inglês. Foi marcante”.

Jacquelyne morava na casa em que trabalhava lá: “o quarto era muito melhor do que meu quarto aqui no Brasil” comenta rindo.  A família da casa eram um casal que trabalhava o dia inteiro e duas crianças, Kate,6, e John,2.  “Eram uns amores, em pouco tempo me apeguei muito”.

E o tempo foi passando, em 2 meses no país de língua estrangeira Jacquelyne já conseguia se comunicar muito bem.  Ao final de 2011 era hora de voltar para casa, a saudade da família era grande, mas ela sabia também que iria sentir muita falta daquele ano tão diferente, que mudou sua vida.

Depois dessa experiência Jacquelyne percebeu que ela realmente tinha a capacidade de alcançar seus sonhos, se ela chegou aos Estados Unidos, ela conseguiria chegar no “emprego dos sonhos”.

Jacquelyne voltou a trabalhar como doméstica e se matriculou no curso noturno de enfermagem da faculdade Uniítalo, hoje ela já está no segundo ano do curso e está gostando.  Ela pretende terminar o curso, só não sabe se será possível, pois a cada ano as mensalidades aumentam.  Para isso ela já está fazendo economias para conseguir se formar. Assim que se formar Jacquelyne pretende abandonar a carreira de doméstica e começar a trabalhar como enfermeira.

Troca de perfilado

Não obtive sucesso ao contatar o personagem que desejava perfilar. Por isso mudei meu personagem. Meu perfil será sobre Jacquelyne de Souza, ex-aluna da ONG Cidadão Pró-Mundo e  moradora da comunidade Real Parque que com ajuda das aulas de inglês na organização conseguiu ir para os Estados Unidos e passou um ano trabalhando lá como “babysitter”. Hoje ela cursa enfermagem em uma faculdade particular. Vou retratar as mudanças em sua vida.

Perfil: Marcos Takahashi

Proponho um perfil sobre Marcos Takahashi, fundador da ONG Cidadão Pró-Mundo.  Em 1997, em uma visita com um amigo estrangeiro à comunidade do Capão Redondo, Marcos percebeu o interesse dos moradores da comunidade em conhecer a cultura de outro país. Porém, a falta de conhecimento do inglês era uma barreira para essas pessoas se comunicarem com um estrangeiro.

A partir de então Marcos começou a dar aulas de inglês nas casas dos alunos, e pouco a pouco foram surgindo voluntários. Em 1999 as aulas passaram a ser ministradas em um espaço comunitário. Hoje a ONG já atua em 8 comunidades diferentes, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com esse projeto Marcos abriu novas oportunidades para dezenas de pessoas.  Pretendo me aprofundar mais em suas motivações e saber como é possível conciliar carreira e trabalho voluntário.

Jornaleiros do século XXI

Como é a rotina de quem trabalha nas bancas de jornal  da avenida mais importante da capital paulistana

A Avenida Paulista, inaugurada no final do século XIX, cartão postal da cidade de São Paulo, tem como componentes visuais desde os mais clássicos edifícios até os mais modernos, alguns casarões que sobreviveram ao século XXI, o MASP, o parque Trianon, e entre essas construções passa a larga avenida. Mas, polvilhadas beirando a rua, estão as bancas de jornal, tão comuns a cada quarteirão que acabam passando despercebidas, mesmo pelos leitores de manchetes e compradores de balinhas e de cigarros.

Despercebidas no sentido da reflexão, as bancas já estão tão enraizadas no cenário da Avenida Paulista que parecem até que nasceram junto com a Avenida e que por lá permanecerão eternamente.  Ao todo são 30 bancas que se localizam ao longo da Avenida. Trinta bancas, muitos jornaleiros, muitas histórias e uma grande importância.

Mas para entender melhor o que se passa em cada banca, cinco bancas vizinhas que se situam no lado ímpar da Avenida Paulista, bancas que estão especificamente entre as estações de metrô Trianon Masp e Brigadeiro, foram escolhidas. E cada jornaleiro ajudou a entender melhor o funcionamento e rotina das bancas.

Bancas de jornais e os jornaleiros                          

Hoje, com a virtualização da notícia o trabalho do jornaleiro não deixa de ser menos importante, mas acaba sendo ignorado por algumas pessoas.  Depois da invenção da prensa os jornaleiros foram os segundos maiores responsáveis pela propagação dos jornais às massas. Aqueles menininhos personagens típicos de filme que gritavam: “Extra, extra!”, são conhecidos como os primeiros jornaleiros da história. Conhecidos como “newsboys” esses personagens entregavam jornal nos EUA em meados do século XIX.

Sendo assim, não podemos desconsiderar que em boa parte dos séculos XIX e XX de nada adiantariam jornalistas sem os jornaleiros. No Brasil, segundo estudos publicados no SINDJORSP ( Sindicato dos vendedores de jornais e revistas de São Paulo), os primeiros jornaleiros apareceram há cerca de 150 anos. Na verdade, esse trabalho era feito por escravos negros que saíam as ruas gritando as principais manchetes dos jornais da época.  Com a chegada dos imigrantes italianos vieram os “gazeteiros”, que andavam pela cidade carregando uma pilha de jornais no ombro e vendendo.

Diz a lenda dos jornaleiros que o primeiro ponto fixo para venda de jornais surgiu no Rio de Janeiro, instalado pelo imigrante italiano Carmine Labanca. De modo que o nome “banca” para os pontos fixos de venda de jornais surgiu a partir do nome desse italiano. Até então os jornais eram vendidos em caixotes de madeira, posteriormente, em 1910 passaram a ser vendidos em bancas de madeira e só na década de 50 é que essas bancas começaram a ser feitas de metal. Em 1954, Jânio Quadros, na época prefeito de São Paulo, regulamentou a situação das bancas, por conta do paisagismo da cidade.

A jornaleira Ana Lúcia Couto, 44, proprietária da banca “JC”,  é herdeira da banca de seu pai. Ela conta que a localização da banca não é escolha do jornaleiro, e sim da prefeitura.  Quando o pai de Ana Lúcia, em 1987 resolveu abrir uma banca, a prefeitura apresentou algumas possibilidades de locais para a banca, esses como Praça da Sé, Avenida Faria Lima, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, entre outros.  Depois de muita burocracia o local escolhido pelo pai de Ana Lúcia foi um ponto estratégico na Avenida Paulista. A banca JC se localiza na saída do metrô Trianon Masp.

Rotina

Provavelmente, se você anda pela Avenida Paulista em horário comercial, percebe que as bancas estão todas abertas. Mas na verdade, existe uma considerável diferença nos horários de trabalho e organização interna de cada uma.

A banca JC abre de segunda a sexta das 6h às 7h e fecha as 20h30, já a banca vizinha, a “banca do Chico”, abre as 5h30 e fecha só as 22h. A menos de um quarteirão da banca do Chico está a banca Central Paulista, que abre entre 7h e 8h e fecha só às 1h da manhã. Caminhando mais um pouco encontramos a banca “Paulista 2” que abre de segunda a sábado das 6h as 22h, e logo mais a frente, um pouco antes do metrô brigadeiro, a banca” Paulista news” tem o mesmo expediente da banca Paulista 2.

O número de funcionários vária entre 2 e 6 funcionários por banca. Mas a rotina de trabalho é parecida. Quem trabalha na parte da manhã é responsável por abrir a banca, pegar os jornais e revistas que os fornecedores deixam na “caixa” que fica atrás da banca, e montar esses jornais. Bruno Pereira,17, que trabalha na banca ZZZ, explicou que os jornais chegam em pacotes separados por cadernos editoriais, então os jornaleiros do primeiro turno tem que montar todos os jornais e depois expor. Assim começa o dia dos jornaleiros.

E quem trabalha na parte da noite tem a responsabilidade de fechar a banca. Aírton Figueiroa,68, que é o gerente da banca Central Paulista e está lá há mais de 25 anos, trabalha de segunda a segunda das 15h a 1h da manhã, conta que apesar de já ter sofrido um assalto a mão armada na banca, o que o bandido levou foi o de menos. Aírton explica porque gosta de trabalhar a noite: “É uma movimentação normal, nós temos movimento porque tem muita gente que trabalha, dentro desses prédios aqui, que eu não sei te explicar que profissão essas pessoas tem, e saem tarde. Quando essas pessoas saem, elas ficam muito agradecidas em ver uma luz no meio da escuridão, que sou eu, já me falaram isso. Não sei se você já percebeu que é bem escuro pra lá, então quando as pessoas enxergam essa luz aqui, parece que tem uma salvação”.

Conveniência na Paulista

Quem trabalha em uma banca de jornal na Avenida Paulista, não é só jornaleiro, também é uma fonte de informações e coordenadas geográficas para os transeuntes. Em todas as visitas, em todas as bancas, foi possível notar que em média a cada 5 minutos alguém para na banca para pedir informações, seja de nome de ruas, a direção do metrô, onde é a livraria, entre outras.  Ana Lúcia Couto confirma que o que ela mais faz durante o expediente é dar informações, ela e todos os jornaleiros já estão acostumados a informar.

Mas se engana quem pensa que as bancas ainda têm como carro-chefe de vendas os jornais. Apesar do nome, “banca de jornal”, hoje é praticamente impossível que uma banca sobreviva somente com a venda de revistas e jornais.

Assim como a cada 5 minutos passa alguém para pedir informações, mais ou menos nessa mesma média de tempo vem alguém comprar cigarro na banca, seja um cigarro individual ou um maço.  Bruno Pereira,17, da banca Paulista News, esclarece que economicamente não é possível comparar a venda de coisas de preço baixo como cigarros e doces às vendas dos produtos editoriais, mas que com certeza os produtos da conveniência vendem muito mais. Ana Lúcia também confirma que a banca não se sustenta só com a venda de jornais e revistas, outros produtos como guarda-chuvas, por exemplo, acabam vendendo bastante. E também há maior procura de produtos do mercado editorial como os livros de bolso e as coleções que são lançadas periodicamente por alguns veículos como a Folha de São Paulo ou a revista Caras.

Quanto à venda dos jornais, é bem menor do que muita gente imagina, a banca Central Paulista que é relativamente grande recebe por dia uns 20 exemplares de cada grande veículo, desses 20 raramente todos são vendidos. Aírton, o gerente da banca, conta que nos últimos tempos, com a propagação da internet, a venda de jornais caiu cerca de 90%. Já a banca  JC, que é relativamente menor, recebe apenas 5 exemplares de cada veículo.

O funcionário da banca do Chico, Vanderson Gonçalves, 16, ressalta que de domingo e segunda-feira eles vendem mais exemplares, e também recebem mais unidades de seus fornecedores.

Quanto às revistas, foi unânime a afirmação de todos os jornaleiros de que o que vai determinar a quantidade de vendas da semana é a capa, além do acontecimento da semana. Por exemplo: “uma capa com a renúncia do papa vende muito mais do que a capa sobre o preço do tomate”, afirma Ana Lúcia.

Também é unânime a opinião dos jornaleiros de que o jornalismo online é grande responsável pela queda nas vendas editoriais nas bancas. “Estamos perdendo muito clientes para os tablets, nós tínhamos muito fregueses fiéis que vinham todo mês, agora não, agora eles assinam na internet” lamenta Divanil.

Não há como prever o futuro das bancas de jornais da Avenida Paulista, por enquanto, mesmo não vendendo tantos produtos do mercado editorial como antes, as bancas ainda são muito procuradas todos os dias pelas milhares de pessoas que passam pela avenida. Seja para comprar um jornal pela notícia do dia, seja pela revista a qual a capa chamou atenção, seja pelo vício do cigarro, seja pela necessidade da balinha ou o guarda-chuva no momento inesperado, as bancas continuam fazendo parte de uma forma ou de outra do cotidiano de milhões de paulistanos.

E apesar da relativa queda nas vendas e toda a virtualidade do jornalismo atual, Divanil, mesmo lamentando a decadência nas vendas, acredita que os jornalistas ainda dependem dos jornaleiros: “ É um jogo de gato e rato, as editoras dependem das bancas,  se você lança uma revista ninguém vai se interessar por ela ao menos que ela não esteja em uma vitrine na banca. O primeiro contato do leitor com a revista é na banca. As editoras dependem das bancas para divulgar seu trabalho.”

Alguns lamentam a fase que as bancas de jornal passam, outros ainda acreditam em uma possibilidade de reestruturação do modelo. Bruno Pereira argumenta que as bancas podem sobreviver futuramente se adaptarem um formato parecido com uma loja de conveniência.

Unanimidade

Ainda que o funcionamento mude de banca para banca, as crenças no futuro da profissão também. Uma afirmação foi unânime entre todos os 5 jornaleiros entrevistados,  para eles, o contato com as milhares de pessoas a cada dia é a graça do ofício. Nas palavras de Aírton: “Eu adoro lidar com as pessoas. As pessoas tem magia, cada uma abre a boca e pronuncia uma coisa inesperada, o inesperado vem delas. A plástica das pessoas se difere. É muito gostoso, lidar com as pessoas é muito bom.”

E não é só de clientes anônimos que vivem as bancas da Avenida Paulista, Ana Lúcia contou que ficou impressionada com as visitas e a quantidade de presentes que recebeu de seus fiéis fregueses quando teve seu primeiro filho. “As pessoas me visitaram no hospital e me mandaram presentes. Foi muito lindo, eu não esperava por tudo isso”.

Segundo Divanil, “ trabalhar com o público é um desafio, nunca é a mesma coisa”. Bruno Pereira e Vanderson Gonçalves concordaram que a parte mais legal do trabalho é lidar com as diferentes personalidades.

O gerente Aírton e a proprietária Ana Lúcia se contagiaram com a profissão e já estão há cerca de 20 anos no ramo. Divanil trabalha há 6 anos na banca, entrou como um “bico” para melhorar sua renda e acabou se tornando gerente, hoje aos 38 anos ele melhorou sua condição financeira, está cursando direito e pretende sair da banca quando se formar. Quanto as jovens Bruno e Vanderson, resta saber se vão se encantar com o ofício ou seguirão outros caminhos.

Bancas de jornal da Avenida Paulista

Julia Latorre Monteiro

Tema: cidade/história

Viés: Avenida Paulista/jornalismo

Foco: bancas de jornal

1. Quero propor uma reportagem temática que faça um panorama sobre a história e a rotina das bancas de jornal que ocupam a Avenida Paulista.

2. Proponho essa reportagem a partir da minha própria rotina de observação sobre essas bancas todos os dias e a interação que os transeuntes  têm com elas, seja lendo as manchetes de jornais ou fazendo as mais variadas compras em uma banca de jornal.

3. Tenho muita curiosidade em saber se a queda de vendas de jornais impressos interferiu na história e quantidade das bancas que ocupam a Av. Paulista.

4. A pergunta principal seria: “Qual o produto mais vendido que sustenta essa banca?”.

5. Os proprietários e funcionários das bancas seriam os principais personagens. Porém, pessoas que frequentam a Avenida Paulista e fazem compras nas bancas também são uma importante fonte, principalmente quem faz isso há bastante tempo.

6. A pauta pode ser considerada especial pelo fato de mostrar a história, importância e relevância das bancas de jornal. E de certa forma também mostra a história e trajetória de veículos jornalísticos impressos por meio da permanência (ou não) dessas bancas na Av. Paulista.