Sob olhos hispânicos

Foto tirada quando Javier ainda morava na Espanha, de seu arquivo pessoal.

Foto tirada quando Javier ainda morava na Espanha, de seu arquivo pessoal.

A trajetória, as diferenças culturais e as opiniões de um espanhol que vive em São Paulo desde 2009, devido à paixão pela sua atual esposa.

Cabelos negros bem curtos e uma barba com um bigode grosso ajudam a emoldurar o rosto que vem acompanhado de um par de óculos de grau, redondos, de moldura prateada. As roupas são básicas, já que ele sempre deu preferência pelas camisetas esportivas ou camisas polo, e acredito que nunca o tenha visto com alguma calça que não fosse jeans, ou algum calçado que não fossem tênis. Não é muito alto, e é fácil notar a barriguinha saliente, que ilustra um pouco de seu gosto pela culinária, pois um de seus maiores prazeres é cozinhar. Javier Chinchilla é um autêntico espanhol. Apesar de viver no Brasil desde 2009, ainda não aprendeu o português, sendo que entende tudo, mas fala muito pouco ou quase nada.

O homem que foi meu professor de espanhol durante todo o ano passado, na escola de idiomas Yázigi, foi também um dos responsáveis por conseguir me fazer entrevistá-lo sem falar português. Hoje, largou as aulas na escola, mas continua lecionando de forma particular, onde consegue seus alunos por indicação, por “boca-a-boca”, como ele mesmo disse. Além disso, dá aulas por Skype, e tive a oportunidade de ver uma dessas aulas. Foram dois encontros, ambos em seu apartamento, de dimensões pequenas, onde vive com a mulher, Marcia Faustino da Silva Ramos, na Bela Vista. Em um dos encontros pude conversar também com Marcia, sua esposa há três anos e meio. Muito solícita e simpática, a nutricionista do hospital Sírio Libanês contou um pouco sobre seu marido dentro de casa, e também os planos do casal para o futuro.

Diferenças da cidade grande

Javier nasceu no dia 19 de julho de 1977, em Granada, na Espanha. Javi, como é conhecido pelos mais íntimos, no primeiro de nossos encontros trajava calças jeans escuras, uma camiseta azul marinho e tênis brancos. No segundo, a roupa não variou muito: usava calças jeans novamente, dessa vez acompanhadas por uma camiseta polo vermelha, e os mesmos tênis brancos nos pés. Nos encontramos pela primeira vez logo após o feriado de Corpus Christi, e o espanhol estava meio cansado por ter voltado de uma viagem que fez para Ouro Preto com Marcia. Agora planeja a viagem de férias, que será para o Peru e irá com a esposa, seu cunhado e sua cunhada, em julho. As conversas foram  longas e interrompidas por algumas pausas para que Javier fumasse.

Chegou no dia 6 de novembro de 2009, e objetivo da mudança foi seu relacionamento com a brasileira com quem está junto até hoje. Ele queria continuar morando na Espanha, mas a nutricionista tinha um bom emprego aqui e Javier acreditou que não seria muito difícil para ele também encontrar um. Logo no início, sentiu as diferenças de viver em uma cidade como São Paulo, principalmente por causa de sua dimensão: comparada com as cidades espanholas, a metrópole paulistana é como se fosse um outro país inteiro.

Em Granada, Javier demorava quinze minutos para chegar a seu trabalho a pé e, quando se mudou para São Paulo, vivia na Zona Leste, sendo que tinha que levantar de madrugada para ir trabalhar de transporte público(ele não dirige até hoje e prefere assim). Além das chuvas, o trânsito é uma das coisas de que menos gosta em São Paulo e, para ele, o transporte é o principal problema da cidade. Javier acredita que o mal planejamento da metrópole implica em perda de tempo, que poderia ser melhor aproveitado e convertido em horas de lazer. Quanto ao povo brasileiro, ele não fala mal. Os considera pessoas muito boas, cordiais, simpáticas e carinhosas. Lembram as pessoas de Andaluzia, sua região na Espanha, e é notável que aqui fez muitos amigos e amigas.

Teve a ideia de dar aulas pois sabia do aumento do interesse dos brasileiros pela língua espanhola, visto que o Brasil é uma potência rodeada de países de língua hispânica. E considera muito gratificante poder levar tanto seu idioma quanto sua cultura para outras pessoas. Para o futuro, ele guarda um sonho do qual fala com empolgação: montar um autêntico bar e restaurante de gastronomia espanhola. Um de seus hobbies é cozinhar, e ele lamenta não existirem aqui algumas iguarias tradicionais de sua terra.

Um homem de várias paixões

Sua infância foi muito boa. A maior parte dela viveu com seus avós, pois os pais do garoto trabalhavam muito. Foi por influência dos avós que Javi passou a gostar de arte, literatura e história. Para ele, os avós foram responsáveis por vários interesses culturais que ele cultiva até hoje. Por conta de problemas familiares (que ele não quis detalhar), o espanhol não pôde fazer faculdade. Assim que terminou seus estudos na escola, começou a trabalhar. Para compensar a ausência de uma graduação, fez vários cursos, sendo o principal deles um de metodologia do Espanhol como língua estrangeira.

Durante dez anos de sua vida Javier atuou como gerente de uma biblioteca. Esse emprego foi uma das coisas que o fez cultivar os interesses já introduzidos anteriormente por seus avós, pois lia muitos livros durante o tempo que passava na biblioteca. Outro choque que teve quando veio ao Brasil foi em relação ao horário de trabalho. Quando trabalhava na biblioteca, ele entrava tarde, pois o trabalho era perto de sua casa, e tinha três horas de almoço, nas quais os estabelecimentos comerciais permaneciam fechados, coisa que seria impossível para um empregado paulistano.

Além da cidade onde mora, conhece também outras cidades e estados brasileiros como Minas Gerais,  Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Paraíba, Paraná e Bahia. A coisa que mais gosta de fazer em suas viagens é descobrir novas histórias: seja sobre a natureza desses lugares, seja sobre o passado histórico mesmo. Como já foi dito, Javier tinha acabado de voltar de Ouro Preto, onde apreciou muito a arquitetura local.

Uma outra paixão que enfatiza é o futebol. Desde criança é contaminado por esse sentimento que não é exclusividade dos brasileiros. Quando era pequeno, torcia para o Barcelona só para contrariar o avô e o tio, que torciam para o Granada, o time da cidade. Os familiares o levavam para assistir aos jogos no estádio do Granada, pois eram sócios. Quando tinha oito anos, Javier desistiu de torcer para o Barcelona, e mudou para o Real Madrid, time que torce até hoje. Porém, tem acompanhado os jogos do Granada, que voltou à primeira divisão depois de 35 anos e permanece nela já faz duas temporadas, continuando a tradição da família.

O professor e a educação

Quando o assunto é a saudade de sua terra natal, é visível em seu rosto que sente falta de seu país e pensa em voltar, mas sem uma data definida, principalmente por conta da crise na zona do Euro. Sente mais falta da família e dos amigos, e de coisas que não existem aqui, como alguns hobbies e algumas iguarias. Mesmo assim diz ter se adaptado bem ao Brasil e a São Paulo. Aprecia muito passear pela cidade e descobrir novos lugares e as histórias de seus habitantes e suas ruas, pois afirma que aqui há muita “coisa escondida”. Gosta também de ir ao cinema e de cozinhar para os amigos. Ele considera fazer um jantar uma forma de reunir as pessoas que ama de um jeito mais íntimo.

Javier não se vê como uma vítima da violência. Sabe que ela é hoje muito presente em São Paulo, mas afirma não ir a lugares violentos e nem procurar por essas coisas. A situação na Espanha não é muito diferente. Lá também havia violência e há até hoje, de forma piorada por causa da crise espanhola. Ele conta que lê todos os dias as notícias de sua terra e acaba sendo informado de casos de violência que acontecem lá mas nunca viu acontecerem aqui. A única solução, para ele, seria a educação, pois “sem educação não existe moral nem princípios, e o ser humano se torna um animal ou atua como tal”. Em suas palavras, se o governo destinasse mais dinheiro nesse aspecto, tudo iria mudando com o tempo, pois ao educar você faz com que as pessoas sejam mais honestas. Ele acredita que há de se investir no futuro da nossa juventude, para que eles mudem e melhorem a vida, mas afirma que aos políticos não interessa isso, pois um povo culto faz com que eles tenham medo de perder seus cargos.

A razão de todas as mudanças

A esposa de Javier conversou rapidamente comigo. Marcia é bem magra, mas com físico de atleta, fruto de suas competições como corredora. Tem pele morena e cabelos pretos e enrolados. Assim como o marido, usa óculos de grau de armação prateada e é muito simpática.

Marcia é natural de São Paulo, e também tem 34 anos. Minha maior curiosidade era saber se foi um choque cultural muito forte o de viver com um estrangeiro. Ela surpreende, dizendo que foi mais fácil do que ela mesma poderia imaginar. Apesar das diferenças culturais, eles são muito parecidos, têm o mesmo estilo de vida e acabaram por adquirir uma harmonia  natural. A maior dificuldade no começo não foi em relação à convivência do casal, mas sim à adaptação de Javier ao Brasil, sendo mais atenuadas pelas distâncias para se deslocar de um lugar a outro, a saudade da família e da terra.  Para ela, é fundamental que o casal converse e às vezes cada um ceda um pouco, e diz se dar muito bem com o marido nesse aspecto.

Quanto à personalidade do esposo, “Marci”, como ele a chama, o elogia ao dizer que ele é muito tranquilo e companheiro, e uma pessoa muito fácil de conviver. Normalmente ele está de bom humor, além de  cozinhar muito bem, o que a alivia muito com as tarefas domésticas, pois é ele o responsável pelo “cardápio” da casa. Marcia enfatiza seu carinho pelo estrangeiro ao assumir que sua experiência com uma pessoa que não é brasileira foi melhor do que as que teve com brasileiros.

O casal vive hoje em dia com uma gatinha no apartamento, mas pretende ter filhos. Marcia quer ter um ou dois e Javier acredita ter chegado o momento certo para isso, e ainda brinca dizendo que quer fazer uma surpresa para seu pai. Quanto à questão de voltar a viver na Espanha, ela conta que a curto prazo esses planos não existem, mas que eles não descartam essa possibilidade para o futuro. O sistema educacional da Europa é muito melhor que o nosso,e ela acredita que será mais interessante para um adolescente ter contato com isso, além de ter possibilidade de conhecer outros países naquela região. Javier pensa da mesma forma, diz que estão muito bem aqui e, se for para voltar, só quando os filhos estiverem maiores.

Anúncios

perfil: Javier Chinchilla

Professor, não consegui contato com meu primeiro entrevistado, não obtive nenhuma resposta. Portanto, vou fazer o perfil sobre um ex professor de espanhol que me deu aulas ano passado. Acho interessante pelo fato dele ser espanhol mesmo, e só ter se mudado pra cá em 2009. Quero ver a opinião dele sobre a cidade de São Paulo, e as diferenças entre o estilo de vida na Espanha e aqui.

Perfil- Wellington Nogueira

Pretendo realizar o perfil do fundador dos Doutores da Alegria, Wellingon Nogueira, mais conhecido como o palhaço “Dr.Zinho”. Foi responsável por trazer o projeto, criado nos Estados Unidos, para o território nacional. Tenho muita curiosidade em saber de onde surgiu a ideia, como funciona o projeto, e qual a importância, para Wellington, de fazer parte de uma organização tão nobre e sensível. Gostaria de levar uma visão sobre o real valor da vida, nas palavras dele.

Nadando contra a corrente

Nadando contra a corrente

Em uma sociedade onde o álcool é a droga mais bem aceita, o que passa na cabeça dos jovens que fizeram outra escolha: a de não beber.

            Os dias passam lentamente e o tão aguardado final de semana parece não chegar. Quando ele finalmente aparece, os bares começam a lotar. Seja no período da manhã ou da noite, as calçadas estão abarrotadas de jovens e de garrafas de cerveja. Na balada, a cena é mais frequente ainda, é difícil encontrar um rosto novo que não esteja acompanhado de seu melhor amigo: o álcool.

Dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) comprovam que 78% dos jovens brasileiros entre 18 e 25 anos são consumidores de bebidas alcoólicas. O consumo de álcool na juventude não é um assunto que aparece só em território nacional, mas presente no mundo todo. Apesar disso, há uma minoria que se mantém firme na decisão de não beber. Seis desses jovens explicam porque fizeram essa escolha, e provam que álcool e diversão não estão diretamente ligados.

Izabela Parra, 19, é estudante de estética e nunca sequer experimentou bebidas alcoólicas. Por ter tido um avô alcoólatra, ela afirma ter adquirido uma consciência maior em relação aos problemas causados pelo alcoolismo: “Eu simplesmente nunca tive vontade de experimentar. Meu avô era alcoólatra e acho que pelo fato dele ter dado tanto trabalho com bebida, meus pais nunca precisaram falar nada. Se não tivermos limites, a bebida é a capaz de acabar com uma família”. Assim como Izabela, Pedro Fernandes, 18, também nunca experimentou o álcool. Além de os pais do estudante de rádio e tv não beberem, ele possui um histórico de problemas hepáticos na família e faz parte de uma denominação da religião protestante que é também metodista e prega a abstinência.

Para Pedro, o aumento no consumo de bebidas pelos jovens está ligado a um aspecto natural de querer conhecer novas sensações: “É meio natural do jovem querer  ter experiências diferentes, e o álcool  faz você perder um pouco do controle”.  Ele acredita que isso não é atual, mas que hoje em dia o acesso às bebidas é menos controlado: “É uma coisa de muito tempo. Na Europa teve muito surto de vício de ópio, porque as pessoas têm há muitos anos isso de experimentar. Hoje em dia é mais fácil de conseguir. Qualquer moleque de 15 anos faz um rg falso em casa e vai comprar bebida no mercado”.

Juliana Gomes, 18, é estudante de moda e pesquisadora e resolveu parar de beber há cinco meses. Nesse período sem consumir o álcool, ela tenta descobrir se é possível se divertir sem precisar estar sob efeito dele. Juliana não possui influências na família, e diz ter parado com a bebida por ela mesma, por uma questão de saúde. Ela acredita que o consumo tem a ver com a publicidade: “Acredito que os profissionais de marketing têm feito um ótimo trabalho com o álcool e o cigarro. São drogas que estão tão visivelmente expostas e que o estranho é não consumi-las. Apesar de não ser escancarado, eu acredito que o consumo do álcool dá certo status, ainda mais quando se está passando para a maioridade”.

Para Izabela Parra, os motivos que levam os jovens a beber são variados: “É muito relativo, cada um tem um por que. Uns gostam, outros procuram o álcool pra esquecer os problemas, e acho que tem uns que não tem nem 12 anos e bebem para se mostrar mais velhos”. No quesito álcool e diversão, ela é categórica: “Me divirto mais que meus amigos que bebem, sempre. Acho que no meu caso não é a bebida quem faz a festa”.
A maioria dos jovens que não bebem, possuem influências dentro de casa. É o caso de Felipe Iodice, que tem 19 anos e cursa engenharia. O estudante experimentou cerveja e vodca uma única vez, quando tinha 15 anos e estava em uma festa de debutante. Felipe considera sua opção uma questão de costume aprendido dentro de casa: “Eu vou muito pelo exemplo dos meus pais. Eu nunca vi meus pais bebendo, e também pelo fato de eu ter experimentado e não ter gostado, foi uma decisão que eu tomei”. Assim como Felipe, a estudante de nutrição Estela Perroni,18, também tem pais que não consomem álcool: “Meus pais já não bebem, e eu tenho um tio que teve problema sério com isso, já chegou a ficar internado”.

Estela afirma já ter experimentado a bebida e até gostado: “A primeira vez eu gostei, mas não é uma coisa que eu me sinta bem quando faço. Eu só experimentei, mas nunca cheguei a beber mesmo, pegar uma lata e tomar sozinha. Acho que você não precisa disso pra se divertir na balada, é só uma desculpa que as pessoas dão”.

Elcio Junior, de 25 anos, é analista de sistemas e também chegou a experimentar para entrar “na moda do pessoal”. Mas assim como Izabela Parra, passou por problemas com álcool e familiares: “Tomei essa decisão por ter tido um pai alcoólatra e que acabou com a família. Essa juventude burra de hoje em dia acha que precisa beber para se divertir, mas isso é questão de atitude e autoafirmação”.

A própria publicidade promove o álcool como uma droga de maior aceitação social, ao contrário de outras. Nesse quesito, as opiniões são variadas. Élcio é direto: “Acho ridículo, pois é algo tão maléfico quanto, além de ser viciante também”. E Juliana parte da mesma ideia: “Eu acho ridículo e é um dos motivos pelo qual eu parei. Não entendo a hipocrisia das pessoas de condenarem o uso de drogas com um copo de cerveja na mão. Só porque é legal não quer dizer que não faça mal à saúde, ao psicológico. Como qualquer outra droga pode te acentuar a curiosidade de experimentar outras”.

Já Izabela acredita que isso se dá pelo fato da sociedade não ter noção que o álcool pode fazer tão mal quanto as outras drogas, e Estela pensa que o maior motivo para isso acontecer é outro: “Acho que é porque o teor de álcool da cerveja é o mais baixo, e eles acabam abusando disso”.

Pedro vai além: “Acho isso um pouco ruim porque querendo ou não é uma coisa que faz mal pra saúde e que não precisava ser tão amplamente divulgado. Na verdade, é um grande estilo de vida boêmio que é propagado, e não só o consumo. Isso de divulgar precisar consumir um produto pra conseguir status é preocupante na sociedade como um todo”. E Felipe completa: “Acho que pode ser um pouco perigoso, pode ser uma maneira de você banalizar o uso de bebida alcoólica. Você deixando o álcool mais acessível, pode contribuir para que menores de idade tenham acesso mais fácil a ele de uma maneira mais rápida”.

Por terem uma visão “de fora” sobre o alcoolismo na juventude, quem não bebe às vezes pode dar outro panorama sobre os motivos que levam os jovens ao consumo das bebidas, se isso acontece porque apreciam o sabor, ou se possuem outras razões. Estela Perroni assume: “Acho que quem faz isso é pra se encaixar em determinado grupo, ser legal. Eu acho que eles gostam, mas o problema é não saber se controlar. Porque gostar eu também gostei, só que não me sinto bem bebendo”.  Para Elcio Junior, o álcool assume outra função: “Acredito que seja para muitos uma válvula de escape, assim como é o cigarro e outras drogas, porém não acho que sejam válvulas de escape válidas, pois uma hora, o corpo reage mal à ingestão de qualquer tipo de droga”.

Felipe Iodice e Pedro Fernandes possuem opiniões similares sobre essa noção de gostar de beber ou ter outros motivos. Para Felipe, existem os dois lados: “Tenho amigos que reparo que bebem mais por coisas forçadas, por pensar que a bebida pode ajudá-los a se integrar em determinado grupo ou até mesmo para aparecer. E têm outros que bebem porque gostam, é um costume. Às vezes as pessoas têm problemas em casa, ou emocionais e têm vergonha de se abrir com os pais, não conseguem suportar a pressão e acabam indo por esse caminho”. Pedro segue a mesma linha de raciocínio de Felipe: “Tem muitas coisas que eu acho que acontecem. Um pouco de pressão de grupo, e tem gente que bebe porque gosta realmente do sabor das bebidas, e aprecia, além dessa coisa do alcoolismo, que vai pra um lado mais sério”.

Tanto Elcio quanto Izabela pretendem cultivar o hábito de não beber para os filhos no futuro. Elcio se orgulha de ter passado isso para seu irmão mais novo, e acha necessário continuar transmitindo essa ideia. Izabela acredita que hoje em dia os pais falham em educar seus filhos, e acha necessária uma educação onde eles imponham mais limites, inclusive na questão das bebidas alcoólicas.

O ponto mais importante pra quem não consome álcool é se isso o atrapalha em seu espaço social, e se é um desafio manter-se firme em sua decisão.  Para Felipe, isso não é um problema, assim como para Pedro, Izabela e Elcio. Já Estela e Juliana consideram essa escolha desafiadora.

Felipe é tranquilo em sua resposta: “Quando a gente toma uma decisão na vida, temos de ter personalidade pra assumi-la enquanto for possível”. E assim também é Elcio: “A questão é ter atitude, autoafirmação e opinião própria, para não ser ‘maria vai com as outras’, e conseguir se divertir com os amigos sem fazer uso de nenhuma droga (lícita ou não)”. Izabela complementa: “Acho que tudo tem a idade certa, a dose certa. Acho que beber socialmente não seja um problema e sim uma descontração”.  Pedro também não passa por problemas quanto a isso: “Para mim é tranquilo. As pessoas oferecem, eu falo que não e elas entendem. O máximo que acontece é uma piadinha aqui e outra ali, mas isso a gente leva numa boa. Tenho amigos que bebem e que não bebem, e convivo com eles sem problema nenhum, não é uma coisa que me faz falta”.

Estela opina de forma diferente: “É chato porque as pessoas tentam forçar você a beber mesmo falando que não. Não os meus amigos, porque eles também não bebem, mas os amigos do meu namorado, por exemplo, pedem para eu experimentar, mesmo que indiretamente”.  Juliana, por estar sem beber há menos tempo que os outros, tem uma visão mais crítica do problema: “Não beber é um desafio sim. Eu acho que há um grande apelo principalmente em ambientes universitários. As festas me parecem um escape da realidade, da pressão enfrentada por uma geração que não está preparada para isso”. E encerra seu pensamento com maestria ao citar Nelson Rodrigues: “Nelson Rodrigues dizia que os sábados eram uma ilusão, eu digo que as cervejadas, baladas e festas universitárias são uma ilusão”.

Aqueles que vão contra as atitudes do senso comum normalmente são deixados de lado pela mídia, e quem opta por um copo de água em vez de uma dose de cachaça é um bom exemplo disso. Enquanto a maioria tenta se mostrar certa como uma forma de exibição, os “excluídos” se mantém firmes em suas escolhas. Talvez essa exclusão só exista na cabeça dos outros, ou você não considera nobre ser jovem e não beber?

Jovens que não consomem bebidas alcoólicas

Tema: juventude

Viés: comportamento
Foco: Bebidas alcoólicas

1. Gostaria de propor uma pauta sobre jovens que não bebem, seja por religião, ou por vontade mesmo.

2. Proponho essa reportagem, pois, hoje em dia, 78% dos jovens brasileiros consomem bebidas alcoólicas regularmente. Gostaria de ver o outro lado: o dos que não bebem, quais os motivos e qual a opinião deles sobre o alcoolismo na juventude.

3. Tenho curiosidade em saber como esses jovens lidam com a “pressão social” do círculo em que estão inseridos, se são motivo até mesmo de paida, e por qual razão fizeram essa escolha na vida deles. O que a mídia mostra é o público jovem que consome álcool com frequência, queria abordar o lado de quem normalmente a mídia esconde.

4. Não consumir bebidas alcoólicas foi uma escolha natural ou há alguma razão por trás disso?

5. Fontes: jovens que não bebem, jovens que bebem, especialistas no comportamento dos jovens, donos de páginas do Facebook relacionadas ao assunto.

6. Penso que a reportagem é especial por mostrar que há também um outro lado na questão do alcoolismo na adolescência, bem como as opiniões dos jovens que bebem regularmente em relação ao assunto.