Perfil – Alexandre Abrão

Não, não é o Chorão. É o filho dele. Alexandre Abrão, de 23 anos, enfrenta uma fase difícil. Seu pai, Alexandre Magno Abrão, foi encontrado morto há quase dois meses no apartamento onde morava sozinho, na região de Pinheiros, em São Paulo, em condições lamentáveis.

Justamente numa época em que Alexandre, o filho, começou a acompanhar e fotografar os shows da banda do pai, o Charlie Brown Jr. Eles estavam cada vez mais próximos e a notícia foi um baque imenso para o rapaz. Desde então, ele tem se envolvido em todos os projetos que pretendem homenagear o pai e ele próprio está produzindo um documentário sobre a história daquele que o ensinou a ser quem é.

Um dos objetivos do perfil é saber como era a vida de Alexandre antes de seu pai falecer e como está a vida dele agora, quais são os planos do documentário e como ele têm conciliado a participação nos projetos dos outros com o seu projeto. Ainda é apenas uma pretensão e será um prazer imenso fazer um perfil dele, que tem encarado de uma maneira bela e admirável toda a situação triste que o rodeia, sempre lembrando que seu pai gosta de barulho e não de silêncio.

Anúncios

O rádio na era digital

Grande parte da população sabe que o rádio teve participação fundamental na vida dos cidadãos brasileiros, mas com o avanço da tecnologia, ele foi perdendo a sua força ao longo dos anos e hoje em dia não é tão comum encontrar pessoas que tenham o hábito de ouvi-lo.

Como foi (e ainda é) um meio de comunicação de grande abrangência e por ser de fácil acesso, ter uma linguagem que permite compreensão das pessoas mais estudadas até àquelas que nunca tiveram a oportunidade de ter uma educação forte, o rádio já foi a principal – e única – maneira da população adquirir informação tanto do seu próprio país quanto do mundo todo.

As radionovelas conquistaram as famílias brasileiras nas décadas 50, 60 e 70, principalmente, e se reuniam para acompanhar as histórias que surgiram à partir dos folhetins e que geraram posteriormente as telenovelas. Esta foi uma grande maneira de consolidar um público radiofônico que ainda existe, em alguns casos.

Além disso, o esporte, principalmente o futebol, fez com que o rádio se consagrasse na história do Brasil. Nomes como Osmar Santos, Regiani Ritter, entre outros, fizeram escola no rádio esportivo. Leonardo Levatti, estudante de Jornalismo e locutor esportivo apaixonou-se pelo rádio por causa destes dois nomes citados. Não era uma pretensão trabalhar com rádio, e sim com narração esportiva televisiva. Por incentivo do pai, foi procurar saber mais sobre o rádio e ao ouvir as transmissões feitas pelo Osmar, acabou se apaixonando e foi em Regiani que viu as coisas acontecendo. Hoje em dia, seu maior sonho é trabalhar com rádio, porque percebeu que o narrador de televisão funciona mais como um condutor, sendo que é o radialista quem faz o espetáculo, pois ele deve proporcionar a imaginação dos lances, já que o ouvinte não pode vê-los.

Leonardo tem o rádio como seu maior companheiro e aposta nisso como uma maneira da radiodifusão se manter ativa. No trânsito, por exemplo, quem tem um CD para ouvir, acaba ouvindo rádio e é aí que a audiência aumenta. Tanto que, de acordo com o próprio Leonardo, o período matutino é o mais valorizado pelos anunciantes, porque é a hora em que as pessoas estão indo para o trabalho, no trânsito, e como distração ou maneira informativa, ligam o rádio.

Outro ponto a favor da audição do rádio é que ele permite que as pessoas façam outras coisas enquanto o ouvem. Leonardo é ouvinte assíduo da CBN e ouve quando está andando, comendo e até mesmo conversando, mas gosta de variar as rádios para poder adquirir seu próprio estilo de locução, ouvindo e analisando a maneira como outros apresentadores fazem.

É sabido que o hábito de ouvir rádio é antigo, então, o público hoje é majoritariamente feminino e da terceira idade, pelo que Leonardo acompanha. Uma forma de fixar este público e trazer outro é colocando figuras religiosas nas emissoras. Conforme Magaly Prado, professora de Radiojornalismo da Faculdade Cásper Líbero constatou, muitas pessoas ligam o rádio na Rádio Globo para ouvir o Padre Marcelo Rossi em seu quadro “Momento de Fé”, ou então escutam o “Show do Antonio Carlos”, programa que antecede o do padre e que já tem uma fama antiga e permanecem escutando até que o “Momento de Fé” acabe e alguns deles ainda passam para a Rádio Capital para ouvirem o programa do radialista Eli Correa, que também deixou sua marca na história do rádio brasileiro e além de manter um boletim de notícias no horário da manhã, tem seu programa de histórias chamado “Que Saudade de Você”, que existe há mais de 40 anos. Mesmo que tenha passado por algumas mudanças, a essência do programa permanece – e o público também.

Regiani Ritter, apresentadora de um programa de esporte e um de variedades na rádio Gazeta AM, nunca procurou saber sobre o perfil dos ouvintes do seu programa. Ela sempre quis atingir a todos os tipos de ouvinte e achava que, se conhecesse seu público, passaria a direcionar seu discurso. Vez ou outra ela ficava sabendo de algumas pesquisas, mas passou por uma experiência em que a informação que chegou a ela tinha sido de que o seu público era de meia idade e quando ela foi dar uma palestra na FAAP no lançamento do livro “Mestres da Reportagem”, de Patrícia Paixão, eram poucos os que passavam de 30 anos, contrariando os resultados apresentados por pesquisadores. E isso, inclusive, a surpreendeu.

Assim como Leonardo, Regiani tem o costume de ouvir um pouco de cada rádio, mas não para adquirir seu próprio estilo, e sim para localizar alguns amigos, para ficar alegre e até para ficar irritada, às vezes. Prefere o conteúdo jornalístico porque, para ela, música tem hora e lugar. Já a informação é a toda hora e em todo lugar e disse que há nada pior do que ser uma pessoa desinformada. “Cansei de ver gente trabalhando na redação que chegava e dava ‘bom dia’, abrindo um sorriso, enquanto o mundo falava em tragédia. Maldito fonezinho de ouvido ligado na música direto, direto, aquela coisa alienante, que deixa a pessoa fora do ar. Não acredito que seja uma escolha consciente. É um vício. Eu tenho os meus vícios, mas os meus vícios não me impedem de gostar do que é necessário, fazer o que é preciso. (…) O rádio não faz ninguém se perder, faz as pessoas se acharem”.

O retorno da Rádio Rock (89,1 FM) mostra que o rádio ainda tem força, ainda tem seu espaço e além disso trouxe algumas discussões quanto ao futuro da radiodifusão, sobre o patrocínio necessário. Levatti se animou com esta volta, considera importante e foi uma rádio que fez falta. Tanto que a sua crença no futuro promissor da rádio se deve ao fato de que houve um carinho muito grande por parte dos ouvintes quando a reinserção da Rádio Rock no dial se concretizou. Regiani, apaixonada pelo rádio em si, considera importante e diz que todas as rádios deveriam voltar. A própria Gazeta AM, que é onde ela trabalha, ficou um tempo fora do ar e quando ela foi chamada pelo superintendente da Fundação Cásper Líbero para ressuscitar a rádio, ela disse que ele a estava ressuscitando.

É uma preocupação grande observar que o número de ouvintes está diminuindo conforme o tempo passa. O estudante de Jornalismo não acha que o rádio vai acabar, mas percebe que as pessoas ouvem com uma intendisade menor. O que o entristece é ver que as pessoas estão perdendo a capacidade de abstração, preferindo a televisão ao rádio, a imagem à imaginação, preferindo a superficialidade, talvez pela intensidade do nosso dia a dia, talvez pela falta de interesse em se concentrar na audição e deixar a mente viajar, refletir. Léo considera um egoísmo muito grande acreditar que a imagem basta e que não há necessidade de um outro ponto de vista, uma outra forma de contar o que está acontecendo.

Uma tendência – e não necessariamente uma alternativa – é a web rádio. Para ter uma radiodifusão existe uma grande burocracia e dificilmente cidadãos comuns conseguem uma permissão para tê-la, então eles optam pela web, já que não é preciso muita coisa para que ela exista. Alguns grande veículos, como a CBN, a Rádio Gazeta, disponibilizam o seu conteúdo nos sites e até aderiram à transmissão ao vivo pela internet.

Pergunto ao Leonardo se isso não interfere na audiência do dial e ele diz que o bom de ter tanto um quanto o outro é que eles podem ser “casados”, se complementarem, porque a pessoa que está no trânsito, quanto ela chega ao seu destino, o ato de ouvir rádio é interrompido, a princípio, mas ela pode dar continuidade acessando o conteúdo cibernético. Ele cita uma frase típica de Milton Jung: “Você que está chegando no seu trabalho, continue conosco pelo site cbn.com.br”. Avalia o público das web rádios num geral como um público em formação e muito determinado. Não é algo que “já pegou”, mas vê nelas uma tendência. Inclusive, se fosse ter uma, seria de conteúdo esportivo, com entrevistas de nomes importantes dessa área.

Enquanto Levatti enxerga na rádio web um futuro promissor e é bem otimista quanto a isso, Regiani é taxativa: “é um mal necessário”. Porém ressalta o ponto positivo do alcance que uma web rádio tem, porque em qualquer lugar do mundo uma pessoa pode ter acesso à rádio. No mês passado, ela entrevistou João Bosco, jornalista brasileiro que hoje mora nos Estados Unidos e foi através de uma ligação dele para a Gazeta AM que esta entrevista ocorreu. “Ele estava ouvindo a rádio pela internet, ficou com saudades e ligou”. E isso só foi possível graças à capacidade que a internet permite de ter acesso a tudo o que está disponível nela ao redor do mundo.

Ambos citaram o companheirismo que o rádio proporciona e Leonardo aposta nisso como principal fator da sobrevivência do rádio, o caráter de parceria com o ouvinte.

Talvez ele deixe de existir, mas não acredito que seja num futuro próximo. Percebo que quem faz rádio, faz por paixão mesmo e isso alimenta a permanência ativa dele. E quem ainda ouve rádio, compartilha da mesma paixão. Claramente não tem a mesma força de antes, pela quantidade absurda de novas mídias que é imposta a nós com frequência, mas o hábito de ouvir rádio permite uma interação maior com as pessoa, mexe com as emoções, porque a fala mexe com as emoções. Outro fator importante é que o rádio não é exclusivo. Não são só os letrados que podem ouvir e entender o que é dito no rádio. Uma pessoa simples e de pouco estudo também consegue participar da relação com os locutores e pode comprar rádios de pilha – por incrível que pareça, ainda existem – e sintonizar naquela que mais lhe agrada.

 

Qual é o público do rádio hoje em dia?

Tema: Rádio

Foco: Público ouvinte

1. Quero propor a seguinte reportagem temática: Quais são as pessoas que ouvem rádio hoje em dia? O que as leva a ouvir rádio e o que elas fazem enquanto o ouvem?

2. Estou propondo-a com base nos seguintes fatos e/ou percepções: com a volta da Rádio Rock (89,1), tenho visto muitas pessoas comentarem o fato, dizendo que ficaram felizes e que voltaram a ouvir rádio. Gostaria de saber quem ouve rádio, o que mais gosta e o que não gosta em rádio e o que acha das rádios atuais. E as pessoas que pararam de ouvir, o motivo que as levaram a isso.

3. O que eu tenho muita curiosidade de saber? Além do público que ouve as rádios num geral, qual é a faixa etária de quem ouve a Rádio Rock atualmente? Ouvia rádio neste tempo em que a Rádio Rock saiu do dial? Qual? Ouvir rádio é um hábito? Em quais lugares ouve rádio?
4. Se fosse começar tudo por uma pergunta bem aberta, qual pergunta eu me faria? O que leva as pessoas a ouvirem rádio?
5. Que fontes (obras e pessoas) poderiam me ajudar a responde-la? Professores de Radiojornalismo, pessoas que ouvem rádios AM e FM, profissionais da área.
6. O que acho que há de especial nesta minha proposta? Rádio é um veículo de comunicação que já foi a principal fonte de informação dos cidadãos e atualmente está meio “esquecido”. Com a volta da Rádio Rock, o público ouvinte de rádio aumentou. Acho que é um importante levantamento a respeito da recepção que a rádio teve diante das pessoas.