O túnel sem luz no Rio que liga o Tibet à Estônia

Antônio Bordallo é um corintiano do Rio de Janeiro. Essa é a forma que ele se apresenta. Nascido e criado em Copacabana, Toni, como gosta de ser chamado, não sabe explicar muito bem o porquê a escolha do time: “Talvez tenha tido a ver com as cores, a camisa…”, pondera. Deve ser. Afinal, poucas pessoas dão importância a detalhes tão pequenos quanto Toni, ainda mais quando o assunto são camisas de futebol.
Conheci Toni em um fórum de colecionadores de camisas de futebol: o Minhas Camisas (www.minhascamisas.com.br). Frequentador assíduo da área de comentário, Toni era relativamente famosos entre os visitantes do site. E decidiu então criar sua própria página sobre camisas de futebol, o Esporte à Porter:
Hoje, Toni é um designer de uniformes esportivos, ou melhor: sportwear. Pelo menos assim se considera, mesmo com poucos trabalhos no ramo. As oportunidades são escassas, mas Toni já sabia disso quando quis fazer de Design de Moda sua terceira faculdade. Após cursar faculdades de Letras e Relações Internacionais, trabalhava há cinco anos como guia turístico quando decidiu mudar de área em 2006.
A minha historia é bem longa. Já passei por muita coisa. Para o final dos anos 1980, tinha muita loja de esporte no Rio, com várias camisas. Sou de uma família bem simples e o preço dessas camisas naquela época já não eram lá tão acessíveis. Somente em 94 que eu tive (ás duras penas) dinheiro pra comprar uma camisa “oficial” de futebol. A partir de então, apesar das restrições de grana, sempre fiquei antenado em como conseguir coisas raras a preços baratos. Chegava a encarar 1 hora de ônibus indo pra Bonsucesso, só pra conferir as boas ofertas.
De achar interessante eu comecei a admirar a estética das camisas, observar os detalhes. Eu até queria fazer moda quando eu entrei na faculdade, mas eu não tinha como fazer numa faculdade particular. Lá pra 92, 93 eu comecei a desenhar camisa, à mão mesmo, com lápis de cor mesmo, mas sem a ambição, era algo muito distante.
Em 2005 eu tive um acidente e depois disso, você acaba querendo fazer o que você gosta, ter prazer no trabalho. E o que eu gostava era de desenhar camisas. O fato de ter tido uma historia antes de virar uma moda, a conhecer melhor essa historia.

O acidente de que Toni fala com tranquilidade não foi tão tranquilo assim. Em 2005, ele ainda trabalhava como guia turístico no Rio de Janeiro quando uma mudança de trajeto mudou a sua vida:
Resolvi continuar como guia de turismo no Rio, que já fazia desde 2000, para juntar dinheiro e então realizar um sonho que tinha desde minha adolescência: morar na Europa. A única coisa que me prendia no Brasil era a carteira de motorista.

Se tivesse a carteira internacional, na pior das hipóteses, ele poderia pegar algum emprego de motorista em Londres, que aonde planejava ir. A passagem estava agendada para dali duas semanas. Até que os planos mudaram.

No dia 4 de maio eu tive folga do trabalho, e por isso fui cuidar de outros assuntos e depois fui pra academia perto do meio-dia. Sai de lá 13h30, mais ou menos, e quis terminar a malhação com uma volta de bicicleta pela Lagoa. Em vez de pegar o caminho de sempre, pelo Corte Cantagalo, resolvi cruzar o Túnel Velho, que era há poucos metros da academia, e seguir pelo Humaitá. Entro no túnel, vazio naquele momento, mantenho-me no canto da pista, pra não ser pego por um carro que viesse no meio na pista e não me visse.
Quando estava na metade do túnel parece que aconteceu uma troca abrupta de cena no meio do filme: numa cena estou dentro do túnel cuidando pra me manter no meu canto e, do nada, corta pra outra cena, completamente diferente: eu, deitado, com minhas costas raladas queimando no asfalto quente das 13h.
Um ônibus surgiu do nada, sem buzinar, sem ligar o farol, me atropelou e foi me arrastando debaixo dele até fora do túnel. Olho pra baixo e minhas pernas estão num estado impossível de descrever, e longe de mim uma multidão me observa e diz pra não me mexer muito, que a cada momento que tento me levantar, bombeio mais sangue pra fora do meu corpo. Os pedestres me observam estirado no asfalto quente, sem coragem alguma pra descer e me prestar qualquer socorro. Nem mesmo o motorista ou qualquer pessoa que está dentro do ônibus. Acho que pensavam que já era mesmo, que em questão de tempo morreria, na rua ou no hospital.
Lembro claramente do momento dentro da ambulância, com os paramédicos me reanimando, mas ao mesmo tempo batia aquele sono dos mais gostosos que já senti, aquele sono tentador, ao mesmo tempo em que ao meu redor havia pura tensão e caos. O paramédico dizia pra eu não fechar os olhos e nem dormir, pois muitos numa situação dessas se entregam ao sono e não retornam nunca mais. Tive que escolher entre um sono maravilhoso, que me faria escapar de todo aquele caos que me rodeava ou uma vida que na hora eu já sabia que não seria mais como eu planejava.

Por mais clichê que possa parecer, Toni realmente esteve à beira da morte. Mas não morreu. E isso bastou para ele.

A primeira lembrança que tenho após chegar ao hospital e entrar na sala de cirurgia foi no dia seguinte: uma médica se aproximou e conversou comigo, toda cuidadosa, e me disse que o acidente foi muito grave e que por conta disso tive a perna direita amputada e a esquerda lesionada seriamente. Pode parecer estranho, mas minha reação automática foi dizer: “Foi só isso mesmo, doutora? Então tô no lucro até”. De fato achei que, dada a dimensão do acidente, a consequência seria muito pior que uma perna amputada. Eu sei a porrada que é ter um ônibus te atropelando e te arrastando. Eu não estava nem me lamentando pelo que perdi, mas celebrando o que sobrou.
Mais importante que o próprio acidente, a recuperação serviu pra Toni como momento determinante de que tipo de vida queria levar após um trauma como aquele. O quê fazer depois de ver seu esforço estraçalhado por um ônibus?
Passei um bom tempo mal, deprimido. Não só tinha interrompido meu sonho de morar na Europa, mas minha vida tinha dado um passo enorme pra trás. Deixei de ser independente para ser alguém que precisava de ajuda pra tudo: comer, ir no banheiro, sentar.
Mas não demorou muito pra eu mudar, não. Sempre fui um cara que estipulava metas, que tinha sonhos, objetivos maiores. Não que eu fosse sofredor desde pequeno, minha mãe sempre meu deu tudo o que precisava, mas eu sempre quis mais, sempre fui diferente. Não tinha dinheiro, mas me virava pra tentar comprar as camisas de futebol, pra assistir o rúgbi que não passava na TV, pra aprender línguas novas, sabe? Fiz duas faculdades e fui trabalhar numa profissão completamente diferente das duas, com a ideia de ir pra Europa.
O futuro pra mim não seria nada como imaginava ou tinha planejado, mas decidi não parar pra refletir sobre isso todos os dias, como sendo um fardo que diariamente eu carregasse. Preferi encarar como se esse período pós- acidente fosse uma prorrogação que o juiz deu, e por isso tenho a obrigação de dar tudo de mim pra, mesmo que nos pênaltis, sair com a vitória.
Queria ultrapassar meus limites. E o acidente me trouxe limites novos, mais difíceis. Antes de pensar em ir sair do país de novo, eu tinha que descobrir como ia me virar com a cadeira de rodas ou com o andador. Mas, ao mesmo tempo, nunca esqueci minhas metas. Acho até que fiquei com mais vontade de fazer o que eu quisesse, de sair, de me superar.
Tive muito tempo livre, de cama, sem poder fazer nada, e aproveitei pra me engajar em vários projetos, mexer com as coisas que eu gostava e tinha deixado meio de lado. Foi quando comecei a participar mais das discussões do Minhas Camisas. E comecei a retomar meu gosto por camisas.

E o gosto passou a ser profissão. Por que não? A meta que Toni havia ignorado até então passou a ser prioridade.
Eu, que tinha uma fobia de programas de computador como Photoshop e Corel, tava com um tempo mais livre eu me dediquei a aprender como usar, vi tutoriais e tal, e comecei a desenhar por conta própria.
Depois do período inicial de recuperação do acidente, juntei o dinheiro que tinha economizado pra ir pra Londres e decidi ir atrás da qualificação necessária pra ser um designer de camisas de futebol. Fui fazer uma faculdade de Moda e Design.

Em meio a tudo isso as coisas foram andando. O Esporte À Porter funcionando, cada vez com mais detalhes técnicos adquiridos com o aprendido nas aulas. Os desenhos também. Até que a grande oportunidade chegou.
– Todo aficionado por camisa de futebol que tenha fuçado um pouco na internet conhece o Football Shirt Culture. É um site inglês bem acessado que fala não só de camisas e lançamentos, mais têm fóruns onde os colecionadores e desenhistas “wannabe” podem mostrar seus desenhos, suas opiniões.
E aí rolou um concurso, em 2008, época em que a seleção da Polônia fechou contrato de fornecimento com a Nike. A ideia era fazer um desenho, que entre os fãs a gente chama de “mockup”, pra o que seria a nova camisa da Polônia. E eu ganhei.

Pelo concurso em si, Toni não ganhou nada além de reconhecimento. Mas isso bastou para que conseguisse sua primeira oportunidade real no ramo. Time grande de Alagoas, o CRB havia acertado com a Tronadon, empresa de Recife que recém entrava no futebol e Toni foi o responsável por desenhar a nova camisa da equipe.
O concurso no Football Shirt Culture foi onde deslanchou a minha carreira, foi quando eu vi que tinha futuro, que meu trabalho tinha seu valor. Um dos colegas do Minhas Camisas, tinha o contato da Tronadon e aí me pediu pra fazer o desenho pro CRB e de outros times. E o do CRB foi aprovado.Foi a realização de uma fantasia de moleque, ver um jogador comemorando um gol com sua camisa na cara, beijando o escudo. Você fica até meio bravo quando ele tira pra comemorar, fica feliz de ver o juiz dar amarelo só porque jogou a camisa que você fez no chão.
Mas o hobby de adolescenteteve repercussão ainda maior. Por causa do mesmo concurso Toni tornou-se protagonista de um projeto muito maior, o maior de sua carreira até o momento: desenhar a primeira camisa oficial da seleção do Tibet, um trabalho encomendado pela companhia holandesa COPA:
Eu tinha ganho o concurso do FSC e isso me deu uma projeção legal. Aí o próprio CEO da Copa me escreveu e me convidou pra um projeto ultrassecreto e eu aceitei na hora. Semanas depois eu fiquei sabendo que era pra uma seleção e ainda mais do Tibete. E ai disse: “Essa é minha chance”. Foi uma ponte RJ-Amsterdam-Norte da Índia, ultrapassando os 300 e-mails, durante mais de 6 meses, com críticas, sugestões, pedidos. Fiz toda a linha: bolsa, camisa de passeio, jaqueta, numeração especial baseada na tipografia deles.
O sucesso repentino levou o trabalho de Toni de sua prancheta até as mãos de Dalai Lama, líder tibetano. Mas as experiências também fizeram com que ele tivesse uma nova noção de como funciona a profissão de designer esportivo:
O designer é pago pelo projeto fechado, com “x” camisas e tal. Cada camisa aprovada pelo clube, você ganho tanto. Você recebe um briefing e começa a partir dali. Eu começo no papel e caneta mesmo, pesquiso bastante sobre o clube ou a seleção. Depois de um tempo eu vou pegando o melhor do material cru e passando pro computador. Vai rolando então o transito de e-mails. Mas tem também a ficha técnica em algumas marcas. Porque é o trabalho do estilista, cor, medidas, silkado ou não. Por isso as vezes não fica exatamente do jeito que o designer fez. A marca tem a última palavra em tudo, o design mesmo é só uma pequena parte.
Após os dois trabalhos iniciais, Toni viveu a expectativa de novas oportunidades no ramo. Oportunidades que são escassas e concorridas:
Existem alguns processos de escolhas de designers, seletivas e entrevistas de trabalho, como em qualquer outro emprego. Mas as vagas são muito poucas. Muito poucas mesmo. E as vezes as empresas prometem e não cumprem. É uma espécie de trabalho artesanal, sem muita regulação.
Mais recentemente, em dezembro de 2012, Toni recebeu mais um convite para uma nova empreitada/”furada” no ramo.
Fui contatado por uma empresa dos Emirados Árabes, chamada KCS, que viu meu portfólio e queria que eu coordenasse a área de sportwear da marca. Mas foi tudo uma grande confusão. Na primeira vez os caras me trataram mal, não pagaram minha passagem, queriam que eu fosse pra Dubai sem nenhuma garantia e depois me disseram que eu tinha sido pouco profissional. Ainda tentei uma segunda vez, por realmente estar afim de mais uma chance nesse meio, mas o dono da companhia repetiu os mesmos erros e ainda me fez perder mais de mil euros com a passagem desde aqui de Talinn até Dubai.
Pra quem se pergunta, Talinn é a capital da Estônia, país europeu eslavo, para onde Toni mudou-se em dezembro de 2011.
Vim morar aqui por causa da Anne, minha namorada. Depois de um tempo já estava difícil namorar à distância, só pela internet. Decidi mudar todo de novo. Além de tudo, ainda que não seja Londres, estou cumprindo meu sonho de viver na Europa. E aqui ainda estou mais próximo de fazer contatos no meio do design esportivo.
Apesar das dificuldades, Toni Bordallo está em constante movimento. Lento, pelas beiradas, ele chega aonde queria, atinge as metas que traçou um dia, antes mesmo de saber que um acidentado passeio de bicicleta pelo túnel poderia leva-lo ao Tibete e à Estônia antes de chegar ao Humaitá.

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Mezzo italiana, mezzo brasileira

“Ciao, bella!”. Essa é a saudação e a despedida que ouvi dela em todas as vezes que nos encontramos. Em italiano, “ciao” significa oi e tchau ao mesmo tempo, e “bella” algo como linda, querida, anjo. Somente através dessa saudação, Antonella Fossati já traz alegria para o ambiente. Ela é uma mulher clara: cabelos muito loiros, olhos azul-cor-do-mar, sobrancelha quase invisível e pele clara.

A típica gringa, Antonella aparenta ser uma turista onde quer que vá. A diferença é que essa “estrangeira” mora no Brasil há 38 anos. Mudou-se aos 17 anos, em 1975, acompanhando o pai que era engenheiro em uma grande empresa e foi convidado a se mudar para o Brasil. “Eu demorei muito para me adaptar. Eu não conhecia a língua portuguesa e os hábitos dos brasileiros são muito diferentes dos italianos, por mais que todo mundo fale que somos parecidos. Somos em alguns quesitos, mas os brasileiros tem um pouco de várias nações e isso complicou minha adaptação. E ainda por cima, eu não conhecia a ditadura!”. O começo da adaptação é relembrado com um tom de nostalgia. Talvez saudade da Itália, talvez saudade da juventude. Antonella diz que a idade em que se mudou foi “crítica”, pois ela já tinha sua turma de amigos, sua família e até “alguns namoradinhos”. Estava a dois anos de ingressar na faculdade na Itália, e então viu sua vida mudar de cabeça para baixo.

Com seu bom humor, Antonella já acaba com o ar nostálgico da conversa e me diz: “Sabe o que foi muito difícil na minha adaptação? Quando me perguntavam: “De onde você é?”, e eu respondia: “Como.”, as pessoas ficavam repetindo: “De onde você é, de onde veio? Qual a sua cidade?”, pensando que eu não tinha entendido a pergunta deles. E eu repetia:”Como. Minha cidade é Como”. E ainda assim eles não entendiam e repetiam a pergunta. Tentavam fazer mímicas para que eu entendesse. Mas eu tinha entendido! Minha cidade se chama Como, essa palavra que em português tem tom de “o quê?”. Depois de algum tempo, quando entendi essa confusão, comecei a falar que sou de Milão, porque Como e Milão são cidades próximas. Acredito que essa situação seria diferente hoje, já que Como é uma cidade muito famosa, pois George Clooney, Brad Pitt e muitos outros famosos têm casas lá hoje em dia. Pena que meu pai vendeu a nossa casa, senão eu poderia ser vizinha do George Clooney. Imagina só?”.

Quando eu pergunto do que mais sente falta na Itália, ela diz que é sua família. Mudou-se para o Brasil com o pai, a mãe e duas irmãs. O resto da família ficou todo na Itália. Sinto que sua voz fraqueja quando fala da saudade que sentiu de suas duas avós quando se mudou. “Era muito próxima às minhas avós, principalmente à materna”. Mais uma vez deixando a tristeza de lado, a italiana diz que sente muita falta de algumas comidas e guloseimas, principalmente de um croissant recheado com creme que não se encontra em lugar nenhum do Brasil.

Fala com muito entusiasmo de seu país. Percebe-se que Antonella é uma italiana apaixonada, ou uma italiana comum, já que esse país é conhecido pela sua paixão e alegria. Demonstra muito seu lado italiano quando vai contar alguma história. Os gestos, as falas e as encenações que usa para contar um pequeno fato te envolvem nele, por menor que seja. Quando foi me contar de seus primeiros anos no Brasil, até se levantou da cadeira que estávamos sentadas em seu apartamento e começou a contar que no início, suas únicas amigas eram suas irmãs. Isso fez com que ficassem muito mais próximas do que eram na Itália. Com um sorriso no rosto, pegou um porta-retrato em que as três irmãs estão juntas em frente ao mar. As três são igualmente loiras e estão com um sorriso muito bonito no rosto. A foto passa uma ideia de alegria, e apresenta Antonella aos seus dezenove anos, muito parecida com o que é hoje aos 55. Os mesmos gestos, a mesma postura, os olhos intensos, o cabelo loiro quase branco. Pouca coisa mudou na aparência de Antonella desde essa época. O mesmo não se pode dizer sobre sua vida.

Aos 20 anos, depois de ter se formado no colegial – em uma escola brasileira -, Antonella decidiu que faria o curso de jornalismo. Passou na PUC-SP e ficou muito animada com a profissão, principalmente porque em seu primeiro ano na faculdade já conseguiu um estágio na Rádio Jovem Pan. Conta rindo: “Claro que nunca me deixavam falar nem uma palavra na rádio, porque se meu sotaque é carregado desse jeito até hoje, imagine como era nos meus primeiros anos no Brasil. Eu ficava muito frustrada, porque outros estagiários podiam falar na rádio às vezes. Eu era conhecida como “a estagiária italiana”.

Trabalhar na rádio fez com que ela se apaixonasse cada vez mais pelo jornalismo, e com entusiasmo, conta que trabalhou em muitas outras áreas, e quando se formou decidiu ser produtora de eventos. Levanta mais uma vez da cadeira e revira uma gaveta cheia de fotos, papéis e notas. Encontra uma foto e me mostra: “Esse é o cantor Leonardo, que eu produzi por muito tempo. Ele me deu o Léo, meu cachorro Weimaraner que fica na minha casa em Ubatuba”.

Hoje, depois de muito trabalhar, Antonella diz estar cansada dessa vida de produtora. Disse que gostou muito do que fez enquanto fez, mas que agora se cansou. “Eu agora me dedico às minhas paixões: meu cachorros, o italiano e meu filho”. Aos cachorros, ela se dedica de coração: tem três em casa, e pega quantos aparecerem na sua frente. Se empolga contando atos heróicos dos cachorros, como quando tinha Ana, uma cachorrinha que a acompanhava por todos os lugares. Até no banco, onde nenhum cachorro podia entrar, ela entrava. Gosta de contar também que encontrou um cachorrinho na rua e ao divulgar no Facebook, encontrou a dona do cachorro. É esse tipo de coisa que faz Antonella vibrar, e também é isso que faz com que ela seja uma pessoa tão especial e de sentimentos tão bons.

Dar aula de italiano é a maneira que encontra para se conectar com seu país natal. “Eu procuro sempre estar atualizada com tudo o que se refere a minha terra natal: leio muito, compro filmes, CD’s, e dou aulas de italiano”. Assim, Antonella passa a tarde inteira dando aulas em uma escola de italiano, e a noite, dá aulas particulares – que às vezes vão até onze horas da noite. Em suas aulas, ela conta um pouco sobre a cultura da Itália, não é só sobre gramática e conversação. “Aqui no Brasil, vocês batem na madeira quando dizem alguma coisa ruim. Na Itália a gente levanta o dedo indicador e o mindinho e fazemos um movimento para cima e para baixo para isolar a coisa ruim que dissemos”, conta para seus alunos – jovens de aproximadamente 20 anos – em uma sala de aula, enquanto faz o gesto. “Outra coisa é que se vocês perguntarem para um italiano: “Come stai?” (Como está? , em português), você nunca vai ouvir a resposta: “bene” (bem). Sempre vai ouvir: “cosi, cosi” (mais ou menos) ou “male” (mal). Os italianos estão sempre reclamando e não tem nenhum problema. Aqui no Brasil, todo mundo fala “tudo bem, tudo ótimo”, mesmo que tenham infinitos problemas”.

É por isso que diz ficar no Brasil. “Amo a natureza, o mix de culturas, a riqueza da arte, do povo, sua solidariedade, sua musicalidade, espontaneidade, do sorriso e o famoso “tudo bem? tudo bem!!!!”. Morrem de fome mas estão sempre sorrindo. A fé e a esperança nas pessoas é algo impressionante”. Antonella se considera “mezzo” brasileira, “mezzo” italiana. Quando perguntei se voltaria para a Itália, disse que não, pois seu filho nasceu aqui e seu pai, que já é um senhor que idade, não aguentaria uma mudança desse tipo novamente. Diz também que visita a Itália uma vez por ano ou mais. E ressalta: “Meu filho é brasileiro. O lugar dele é aqui. Então, o meu também é”, diz a italiana.

Gian Lucca, filho de Antonella é o seu maior orgulho. “ele fala italiano, português e inglês fluentemente. Fala também um pouco de espanhol e francês. As crianças que nascem com duas línguas tem muita facilidade em aprender outras. E como lá em casa só falamos italiano, o Gian aprendeu naturalmente. Ele é um menino muito inteligente. Entrou na faculdade de engenharia, mas não tem nada a ver com isso. Eu sabia, mas deixei ele perceber sozinho. Saiu no segundo ano, e agora quer prestar publicidade e propaganda. Isso sim tem a ver com ele. Agora ele e minha irmã tomam conta do negócio da produção de eventos, e com certeza ele terá muito sucesso como publicitário”, diz a mãe coruja.

Antonella, o filho, a irmã mais nova e o pai dividem o mesmo apartamento desde os primeiros dias de Brasil. São uma família tipicamente italiana, muito unidos. O apartamento é repleto de fotos. Fotos com a família inteira na Itália, a família inteira no Brasil, na maior parte em Ubatuba, onde a família tem uma casa. “Eu amo a praia, ela me tranquiliza. Quando estou nervosa, dou um pulinho na praia e já relaxo. Pode ser só um pouquinho de tempo, mas já me deixa feliz”.

É com seu amor aos cachorros, aos familiares, aos alunos e, principalmente, à vida, que Antonella, a italiana mais brasileira que existe, traz alegria a todos que convivem com ela. Pergunto novamente se ela voltaria à Itália. Dessa vez, a resposta é um pouco diferente: “Ultimamente, andei pensando sobre isso. Principalmente quando penso na velhice. O frio na Itália me espanta, mas a violência me espanta ainda mais. Outra coisa que me preocupa é a saúde, pois se você não tiver um bom plano de saúde aqui está perdido, porque os postos de saúde municipal e estadual são trágicos. Pense bem: uma pessoa trabalha uma vida toda, paga fortunas a um plano de saúde. Quando é velho, não está mais produzindo e vive do que poupou (se conseguiu), precisa pagar uma fortuna em plano de saúde. Acho isso errado. Isso me assusta e dá medo. Pelo menos lá a parte da saúde funciona muito bem e é totalmente gratuita. Lá me sentiria mais amparada. Mas como já tinha te dito antes, amo muito minha família, e não teria coragem de deixá-los aqui. Portanto, continuo aqui tranquilamente, indo e voltando, como sempre faço”.

A vida por trás de uma lente

O sábado começou como qualquer outro: mais um dia de trabalho. Porém este em especial estava envolto em expectativa pois pela tarde eu entrevistaria Flávio Tallman. Como não criar nenhum tipo de ansiedade quando você, estudante de jornalismo,entrevistaria outro jornalista? E ainda por cima um jornalista e fotógrafo renomado, com diversos prêmios na bagagem e experiência de sobra. Será que ele seria paciente com os erros de uma jornalista iniciante? Será que eu conseguiria fazer todas as perguntas que eu tanto queria? Todas estas perguntas rondavam meus pensamentos enquanto eu aguardava o trânsito da Radial Leste se mover ou os ponteiros do relógio congelarem,pois se o trânsito se prolongasse um pouco mais, eu estaria muito atrasada.IMG_6164

Depois de tentar ao máximo chegar a tempo, finalmente consegui alcançar o meu destino: a casa de Tallman. Mesmo sendo moradora do bairro da Penha por toda a minha vida, eu nunca havia reparado na pequena vila daquela rua. A casa de Tallman era ali, adentrando os portões daquela vila que parecia estar à parte do mundo agitado em que vivemos. A arquitetura antiga das casinhas, as pequenas árvores, os bancos e flores eram convidativos a qualquer um que apreciasse a beleza e calmaria do antigo. Entrei na vila acompanhada por meu pai, Milton, que fez a gentileza de me levar até lá. Sabendo de sua paixão pelo bairro da Penha e tendo o jornalismo na veia e coração, mas não como profissão, pedi a ele que me acompanhasse na entrevista. Seu Flávio já estava a nossa espera e foi nos receber antes mesmo que chegássemos a casa número 4 da pequena vila. Recebemos um caloroso “bem-vindos” do simpático Tallman e logo ele e meu pai já estavam a conversar sobre a história do bairro da Penha.

Nos poucos minutos de conversa com o jornalista, a simpatia  e atenção que deu ao nosso encontro eram facilmente visíveis. Seu Flávio é um senhor de mais de setenta anos com espírito alegre e muito bem humorado. Vestia roupa social: camisa branca com a gravata combinando e calças azuis. O senhor de cabelos brancos trazia nas mãos um quadro ao qual tinha muito apreço e era notável seu orgulho e emoção enquanto falava dele. Era um mapa emoldurado da antiga Penha, contendo os nomes as quais as ruas eram chamadas antes. Seu Flávio é um apaixonado pela Penha e foi com ela que a paixão da fotografia se deu início. “Comecei a fotografia na brincadeira. Fui trabalhar em laboratórios e lá peguei a prática, aí vim trabalhar em casa.  Sempre tive estúdios e laboratórios”. Tallman carrega anos de experiência no jornal de bairro Gazeta Penhense, e mantem- se ativo na profissão até hoje. O jornalista nunca sai de casa sem suas câmeras, pois a notícia está em toda a parte. “A Gazeta Penhense não tem cor política, mas temos força aqui na Zona Leste. As matérias que faço mexem com tudo e todos. Jornais grandes se vendem, mas nós não”.

Seu Flávio sempre esteve ligado à política e presenciou momentos importantes e decisivos de nosso país. O fotógrafo lembra da imensa quantidade de partidos políticos que havia antigamente, além de toda a questão ideológica embutida na época da ditadura militar brasileira. Sabendo de sua amizade com o ex-presidente do Brasil, Jânio Quadros, eu não podia deixar de abordar o assunto.  Quando perguntado sobre sua maior lembrança de Jânio, Tallman respondeu em forma de canção: “Ele é um colosso, é um paulista de Mato-Grosso”. Seu Flávio lembra dos primeiros anos de Jânio na política e de sua amizade com o ex-presidente da República. “Quando Jânio entrou na política em 52, eu já estava fotografando ele. Tinha muita amizade com ele, amizade a ponto de lhe visitar em sua casa no Cambuci.  O acompanhei  desde que foi vereador até a presidência, e ele realmente colocou o país no eixo”., defende o amigo. Ele conta que sua relação com a política é presente até hoje “Maluf entra na Gazeta pela porta da cozinha e já vai se servindo um café”.

Demos uma pausa na conversa pois Tallman iria me mostrar seu Museu da Fotografia, este que fora criado em um cômodo de sua própria casa. Flávio acende a luz do corredor e pude ver uma pequena placa ao lado da porta do museu: que dizia:“Uma viagem ao passado do presente”.

IMG_6179Entramos na sala e mal podia imaginar que tanta história pudesse estar contida nela. A sala acomoda diversas máquinas fotógraficas e aparatos para estas, além de fotografias que Tallman fez durante os seus anos de profissão. É um recanto apaixonante para quem ama fotografia. A máquina fotográfica mais antiga tem o carinho especial de Tallman e carrega uma homenagem escrita por ele: “Hoje estou velha, esquecida e desprezada, mas se não fosse por mi, jamais teria tanta evolução e vocês nunca chegariam até os dias de hoje com a foto digital. Tudo começou comigo, esta máquina velha…”. A sala possui um enorme armário cheio de lentes, câmeras antigas e modernas, e uma parede cheia de honrarias que recebeu durante sua carreira. A quantidade de medalhas, troféus e documentos de homenagens a Tallman são surpreendentes e a contagem só tende a aumentar pois no mês seguinte viria a receber mais uma homenagem. Ele lembra dos momentos que acompanhou, como o quarto centenário de São Paulo, a inauguração do Obelisco, o início da atividade do Penha Palace, atividades políticas. Aliás, a sala tem fotos de políticos feitas por Tallman por toda a sala, inclusive fotos do jornalista com Jânio, seu amigo.

O relógio de pêndulo já marcava seis horas da tarde. O tempo passou rápido e não queria que a entrevista terminasse. Tirei da bolsa minha câmera fotográfica e pedi ao Seu Flávio se podia tirar fotos da sala e dele também. É claro que tirar fotos de um fotógrafo não é fácil ,mas Tallman se mostrou extremamente atencioso. Arrumava as luzes da sala toda vez que eu mudava o ângulo da foto, dessa maneira minhas fotos sairiam boas. Para finalizar a nossa entrevista, perguntei a Tallman qual era o segredo de uma boa fotografia. Com um sorriso no rosto e sem pensar duas vezes, respondeu: “A boa fotografia se faz por quem está por trás dela”.

A entrevista chegara ao fim mas nosso encontro ainda duraria mais alguns minutos, pois meu pai e eu fomos convidados para tomar um café com ele. A mulher de Seu Flávio, Dona Cida,  havia nos servido uma mesa cheia de coisas gostosas para comer. Aquela ansiedade e medo de fazer uma entrevista boa terminaram assim que Flávio me deu as boas-vindas daquele jeito simples, humilde e bem-humorado. A paixão com que contou cada detalhe de sua jornada na fotografia e jornalismo deixariam qualquer um igualmente encantado. Com o relógio de pêndulo batendo mais uma vez eu me despediria daquele senhor que vivia na casa 4 da vila antiga, e que me fez sentir o quão apaixonante a fotografia e jornalismo de fato são.

Sons da vida

 

A história de um garoto de 21 anos que resolveu seguir seus sonhos na carreira musical

 

Eric Matern

Eric Matern

Quase 23h no bar Dubuiê, em São Caetano. O bar com música ao vivo vai enchendo aos poucos. Mesmo perto da cidade de São Paulo, o lugar se parece mais com um bar do interior paulista; pessoas de todas as idades se misturam entre mesas, bar e a pista em frente ao palco.

A atração da noite é a banda Áries, com mais de 20 anos na estrada, a banda tem presença confirmada todas as sexta- feiras. Com o repertório que é composto desde Kiss até Gangman Style, com direito a danças e mascaras para interpretar as músicas,  a banda anima a casa de show até as 4:00 da manhã.

Fico sentada em uma mesa de canto, junto com as mulheres e namoradas dos integrantes da banda, enquanto assisto ao show. Puxo conversa com uma delas e pergunto se todos os dias são assim: movimentados e com muita agitação. Ela me responde com um aceno positivo da cabeça.

Ao término do show consigo finalmente conversar com o meu entrevistado. Eric Matern de 21 anos é quem me interessa em meio aqueles corpos dançantes e embriagados no auge da madrugada.

Mesmo com a diferença de idade entre os integrantes da banda, o mais velho tem 50 anos e Eric é o mais novo, o  grupo tem uma sintonia no palco: “a gente se dá bem, é uma diversão estar aqui. “, diz Rick Rehder, guitarrista do grupo.

Eric, como muitos gostam de dizer, é um prodígio na música. Tocando guitarra desde os 8 anos de idade, a profissão já estava dentro dele desde de pequeno, e com o incentivo dos pais, só floresceu durante os anos que se seguiram.

“Nós sempre apoiamos o Eric nisso. Ele decidiu muito cedo que tocar era o prazer da vida dele, e quando a pessoa faz com paixão o que ela gosta, não tem como segurar. “diz Frank, o pai.

Banda Áries: Rick Rehder, Hélio Leite Cosmo e Eric Matern

Banda Áries: Rick Rehder, Hélio Leite Cosmo e Eric Matern

Eric teve uma infância e adolescência como qualquer outra criança, mesmo passando por dúvidas e indecisões, a música sempre foi uma certeza. Quando tinha entre 13 e 14 anos, era a única pessoa da sua sala de aula, que saia correndo da escola para pegar o trem ( nessa idade, não era comum as crianças estarem atrasadas para pegar o trem, pelo menos não na sala dele. O normal era irem para suas casas com o transporte escolar), pois tinha aula de música.

Ao passo que a adolescência ia passando, Eric foi integrando  várias bandas. Tocava em qualquer lugar que aparecia, podia ser no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, como em bibocas na região da Augusta, que acolhia bandas em começo de carreira.Hoje faz parte da banda Áries, da Dallas Ink, tem o seu projeto solo e um dueto com a sua namorada, Gabriela Cavalcante.

O primeiro é inesquecível

Era uma tarde comum depois da escola, no segundo colegial, quando recebi um convite para ver a gravação do primeiro cd solo do Eric. Eu, sem pensar duas vezes, aceitei na hora. Pegamos o ônibus na Paulista 900 e paramos na rua Guaicurus.

O estúdio era uma portinha na rua Dúlio, transversal  da rua Guaicurus, no bairro da Lapa. Ficamos a tarde inteira entre instrumentos, o pessoal que cuidava  dos aparelhos de som e o Eric atrás de uma porta de vidro tocando e tocando, inúmeras vezes a mesma música até chegar no ponto que lhe agradasse.

Mudanças

Por esse e muitos outros encontros eu e Frank, pai doentrevistado, nos tornamos grandes amigos, sempre rodeando o assunto em torno do” nosso” músico. Ele tem outro filho, Mark, três anos mais velho que Eric e que também estava decidido sobre o que queria do futuro, mas bem longe da área artística, o primogênito queria entrar no ITA ( umas das faculdades de engenharia mais concorridas do país). E lá se foram longos cinco anos de cursinho, entre muitos vestibulares, horas de estudo e o primeiro lugar na USP, Mark finalmente conquistou seu sonho e cursa o terceiro ano da faculdade em 2013. Em relação a essa diferença drástica entre os filhos, Frank diz sempre ter apoiado os dois, cada um no seu caminho. Afinal,não é  toda família que dá suporte a cinco anos de cursinho.

Alguns meses depois recebi o CD pronto. Doze músicas instrumentais, com um detalhe: todos os instrumentos foram tocados pelo Eric. A música é boa, diferente do que estou acostumada a ouvir, e mesmo sem senso crítico para isso, tiro minha conclusão de que não se encaixa no quadro musical brasileiro. Brasil tem gostos musicais muito específicos, com pouca abertura pra diversidade, diferente dos Estados Unidos.

Pensando da mesma forma que eu, Eric chegou em um consenso com a família e a banda, com a qual tocava suas músicas solo, e partiu em turnê nos Estados Unidos. Com parentes morando em Connecticut, essa foi a primeira parada da banda no país.

CD Breakdown

CD Breakdown

A turnê foi boa, e apesar do lucro ter dado para pagar as despesas da viagem, o músico ficou feliz com o resultado: “o que importa é que conseguimos tocar em várias cidade e bares diferentes. É legal ser recebido assim em um país que não é o seu. Só a divulgação do meu trabalho já valeu a pena”.

De volta para o Brasil, viu que  ganhar a vida não era tão simples. Foi em 2011 que entrou para a banda Áries, de onde tira seu maior sustento. E em 2012 resolveu entrar na faculdade de música, na FMU, no campos da liberdade.

No dia 11/06/ 2013 foi sua despedida. Mais uma vez Eric, agora junto com a namorada, Gabriela, vão passar um ano em turnê pelos Estados Unidos, para divulgar o seu novo CD, Breakdown; agora com músicas cantadas, diferente do primeiro que era só instrumental.

Com músicas de amor, Eric diz que quase o CD inteiro foi inspirado na sua musa, com quem tem um relacionamento de 3 anos. “As nossas idas e vindas, erros e acertos, que devem ter inspirado ele”, diz Gabi rindo.

Formada em moda pela Belas Artes, parece que Gabi encontrou o par perfeito. “Me formei em moda, por gostar da área, mas o que eu quero mesmo é cantar”. Com  covers de Tom Jobim e Taylor Swift, a dupla Gabi + Eric, possui uma página no facebook com vídeos produzidos por eles e amigos.A dupla pretende comprar um carro e viajar pelo país. “não sabemos o que nos reserva, mas essa oportunidade é única. Precisamos aproveitar ao máximo enquanto ainda somos jovens”.

Gabi +Eric

Gabi +Eric

Conversando com Frank, ele diz apoiar a decisão: “você já leu aquele livro ‘ensinando elefantes a dançar’? É muito legal, e basicamente diz que as pessoas devem pensar fora do quadrado em que estão inseridas, precisam arriscar. Desse modo que eu vejo a viagem dele. Ele é jovem e tem uma profissão ‘alternativa’, que proporciona isso a ele. A vida é feita de erros e acertos, mas principalmente de tentativas.”

eu simplesmente acenei com a cabeça, em um gesto de concordância. Lá se foi mais um que teve coragem de sair do concordo de casa e ir atrás de seus sonhos.

perfil – Fábio (nao lembro o sobrenome)

Gostaria de perfilar meu antigo colega de trabalho. Ele é subgerente em uma locadora, faz bicos na área de gravacao e mixagem de música, e tem por volta de 45 anos. Além de ser uma pessoa extremamente diferente da maioria, ele foi punk em sua juventude, anos 80 no Brasil, e gostaria de fazer o perfil focando nessa cultura que se disseminara na juventude paulistana.