Rock and Roll High School

Durante o dia, tenta explicar. Durante a noite, quer confundir. O perfil de Marcos Linari.

Durante o dia, tenta explicar. Durante a noite, quer confundir. Leva uma vida dupla, ora reprimindo, ora vomitando ideias adquiridas em 47 anos de cicatrizes e vitórias. Sua silhueta assusta ao mesmo tempo em que esconde o simpático, bem-humorado e talentoso ser humano por trás daquela carcaça, uma quase máscara de Karl Marx. Além de inconfundível por sua aparência rústica, entra na vida dos que tocam suas palavras. Em ambas profissões que exerce, expõe sua mente, suas convicções, suas aflições, suas experiências. Se abre e se deixa inspecionar. Durante o dia é Marcão, durante a noite, Linari.

 A improvável rotina começa por volta das 5 da manhã, quando veste seu avental branco e deixa a cidade de Osasco, na qual nasceu e a qual nunca abandonou. Seu destino é a Avenida João Dias, no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Chega ao trabalho, cumprimenta todos que encontra pelo caminho com uma alegria incomum para o horário e dirige-se à sua sala. Lá, toma um café, troca uma dúzia de palavras com os colegas sobre as primeiras notícias do dia, pega três ou quatro pedaços de giz, os quais coloca no bolso do avental, dobra um maço de folhas que preparara na noite anterior e dirige-se à primeira aula do dia.

 À noite, nem o local, nem o horário são tão exatos. Troca o café por uma caneca de cerveja, o avental por uma camiseta surrada dos Ramones e uma calça jeans rasgada, o giz por um microfone. Ao fim de um show, após deixar a própria voz com seu público e levar para casa apenas satisfação e alguns litros de suor, deita-se com sua mulher para as poucas horas que antecedem o reinício do ciclo.

 Tanto como professor, quanto como músico, Marcos Linari lida com uma audiência. “Isso nunca passou pela minha cabeça, sempre fui na minha”. Formado em história pela USP após completos 30 anos de idade, não tinha quaisquer intenções de dar aulas até o dia em que decidiu largar o emprego como bancário e estudar algo que lhe interessasse. Obteve o diploma, foi indicado por um colega para lecionar, superou o incômodo da exposição e é hoje um dos professores com maior índice de aprovação no cursinho Anglo.

 Suas aulas são quase metalinguísticas. Apenas discursa, expõe conceitos e exemplos, mas o faz de forma dinâmica e cômica, ao passo que prende a atenção dos quase 200 alunos por sala, ao mesmo tempo em que quase inconscientemente talha o conteúdo apresentado em suas mentes. “Ele ensina história e ensina a dar uma aula”, resumiu Luca Gouvêa, um de seus alunos.

 Logo que deixa a sala de aula, Marcão é perseguido por alunos que o acompanham no trajeto até a sala dos professores enquanto tentam tirar uma dúvida, fazer um elogio ou crítica ou apenas conversar. É vítima de um assédio muito maior do que o que sofre nos palcos. Apesar disso, trata todos com a simplicidade e humildade dignas de um filho de um operário com uma imigrante espanhola.

 A infância humilde foi em uma Osasco fortemente industrial, durante os primeiros anos do regime militar no Brasil. Seu pai queria que o filho fosse metalúrgico como ele e lhe ensinou os úteis ofícios da mecânica. Ainda pequeno, teve suas primeiras experiências com a pedagogia. “Minha mãe não sabia escrever em português e falava muito rudemente. Foi com muita paciência e esforço que, ao longo dos anos, alfabetizei ela”.

 Durante a adolescência, começou a se interessar pelo punk rock, através de bandas como Ramones, Sex Pistols, Husker Du e The Stooges. “O pouco dinheiro a mais que ganhava, gastava em álbuns dessas bandas que, para um adolescente pobre e bravo, em uma cidade grande, dizem tudo”. Como o estilo musical exalta a despreocupação com a técnica e a harmonia, começou a se reunir com colegas em garagens e tocar músicas, apesar de nunca ter estudado instrumento algum.

O engajamento político-social das bandas que ouvia, aliado à sua própria condição social e ao gosto particular por leitura, colocaram Marcão em contato com autores como Eric Hobsbawm e Karl Marx, seus historiadores preferidos até hoje. Apesar de admitir ser “um músico que resolveu dar aulas”, ele confessa que sente prazer no que faz: “Minha família nunca viu com bons olhos qualquer envolvimento com arte. E a música que eu ouvia, e a música que eu faço, não tem qualquer linha comercial, não são bandas que vão encher estádios. Então consegui aliar esse meu gosto com a vontade do meu pai, de que eu fizesse uma faculdade e tivesse uma profissão”.

 Em 1994, Linari se juntou ao guitarrista Jorge Jordão, ao baixista Carlos Remontti e ao baterista Fábio Escanhuela e formou a banda La Carne, a qual, não fosse a saída de Escanhuela e sua substituição por Chico Reinikova, permaneceria exatamtente a mesma até hoje.

 Uma bateria rápida, uma guitarra distorcida e violenta, um baixo versátil e a mistura de gritos e uma técnica vocal adquirida com o tempo fazem o som da banda punk do underground paulista. Os ensaios acontecem religiosamente todo sábado e os shows variam: às vezes durante a semana, às vezes nos finais de semana, em bares, casas de shows e até festivais no interior ou em outros estados. “Tocamos aonde nos chamarem”.

 Da mesma simpatia que goza nas salas de aula, Linari usufrui nos palcos. “Ele é o principal compositor, eu o ajudo em algumas letras. Ele não permite que as profissões se sobreponham”, elogiou Jordão, com um tom de admiração sobre o amigo.

 Nos shows, quase não se vê o professor. Aqueles relapsos de insanidade consciente na fala de Linari ainda estão presentes, sua movimentação pelo palco e interação constante com seu interlocutor permanecem. Entretanto, agora não é mais o estudioso, acadêmico Marcão. Quem está cantando é o eterno jovem da periferia, com as mãos sujas da graxa do pai, com os olhos sujos do chorume do mundo.

 Ao invés de cadeiras dispostas militarmente e jovens indecisos sobre o futuro anotando freneticamente suas falas em blocos de papel, olha para um ambiente escuro, fechado, onde jovens e adultos pulam e dançam despreocupados com o futuro, aproveitando aquela música e aquele momento para abstraírem e extravasarem, esperando que ele não termine.

Para os dois campos que norteiam sua vida, o da educação e o do rock, Marcos Linari olha com otimismo: “Ambos vivem em fase de transição. O Brasil está se livrando de certos preconceitos impostos pelas antigas elites econômicas e intelectuais, daqueles que olhavam para o país como a periferia do capitalismo, que viam apenas mão de obra barata. Da mesma forma o rock atualmente não está necessariamente bom ou ruim, está mudando. Os dois são movidos pela mesma coisa, a rebeldia, a vontade de romper com o comodismo”.

 Satisfeito com a estabilidade da La Carne, que está lançando seu quinto álbum nas vésperas de seu aniversário de vinte anos, o vocalista da banda atribuiu o longo tempo de estrada à paixão, dedicação e paciência. Sem lamentar a baixa divulgação de sua banda, ele criticou o jornalismo musical, que, na sua opinião, fecha as portas para muitas bandas novas e talentosas: “Sinto falta do jornalismo apaixonado, do crítico que ia assistir a um show e passava a noite inteira resenhando. Hoje, o cara senta na mesa da redação e espera algum amigo indicar alguma banda, ficou uma coisa muito comercial, muito corporativista”.

 Uma conversa programada para uma hora com Marcos Linari pode transformar-se, sem esforço algum, em uma madrugada toda. O filho de um operário com uma imigrante critica porque pensa e pensa por ter vivido. Vive na cabeça de seus fãs com suas crônicas musicadas. Fica na cabeça dos que foram seus alunos por ser um mestre admirável. Quantos são, afinal, aqueles que não apenas sobrevivem, mas de fato vivem os dias atuais da maneira como querem? Priorizam suas paixões ao invés de seus “deveres”? Quem quer que pergunte a um fã de La Carne “Como está Londres?” ou a um aluno do Anglo “Como foi a aula de Hobbes?” pensará na pessoa que lhes contou sobre aquilo e terá a certeza de que só pode ter sido fruto de espontânea paixão.

*Por um compromisso de trabalho de última hora do meu perfilado inicial, Demian Maia, tive que mudar a pauta proposta anteriormente.

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Perfil: Demian Maia

Aos 19 anos, enquanto cursava Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, Demian Maia descobriu o jiu jitsu. Após concluir o curso e graduar-se jornalista, o paulistano recebeu sua faixa preta de Fábio Gurgel, tetracampeão mundial da modalidade e um dos nomes mais respeitados no universo das lutas. Com um diploma e uma faixa preta em mãos, Demian se viu em uma estrada bifurcada. Por motivos que procuro descobrir no perfil que farei, Demian foi para os tatames ao invés dos jornais e se deu muito bem.

Hoje, aos 35 anos, coleciona títulos da arte suave ao redor do mundo e já tem uma experiência de 12 anos na nova profissão que escolheu: lutador de MMA. Demian é contratado do UFC há 6 anos e já enfrentou grandes nomes do esporte, como Anderson Silva. É tido como o melhor lutador de jiu jitsu nas artes marciais mistas e, entre uma luta e outra, serve de inspiração para seus pupilos, futuros Demians Maias em formação na academia do atleta, em Pinheiros.

Mais do que intelectualmente, escolhi o personagem com a perspectiva de que me acrescente pessoalmente. Além de um nome conhecido, trata-se de um jovem de classe média que seguiu sua paixão e se desviou do caminho tradicional atrás de uma vida incerta, porém estimulante.

Luz, câmera, cadê?

Os tempos modernos chegaram e levaram das ruas os charmosos cinemas “de calçada”.

“O cinema não tem fronteiras, nem limites. É um fluxo constante de sonhos” – Orson Welles

As mais nostálgicas histórias sobre o passado em São Paulo coincidem em um ponto: as ruas, principalmente próximas ao centro, onde se podia passear, ver crianças brincando e encontrar quaisquer serviços que fossem necessários, eram quase unanimidade entre os que viveram boa parte do século XX. Logo no início deste, no ano de 1907, a famigerada Avenida São João foi a primeira a receber um estabelecimento que mudaria a indústria cultural nacional e que se espalharia como uma epidemia na região: o Bijou-Theatre, dos empresários Francisco Serrador e Antônio Gadotti, que foi o primeiro cinema de rua inaugurado na cidade.

Os primeiros cinemas de rua eram caracterizados por público, interesses e estrutura bastante diferentes dos cinemas nos moldes em que são concebidos atualmente. Geralmente ofereciam uma sala única, o que possibilitava que apenas um filme estivesse em cartaz durante determinado período de tempo. Diferentemente das salas atuais, reduzidas e dispostas em forma de auditório, grande parte dos antigos cineteatros comportavam públicos maciços, frequentemente acima dos 1000 espectadores, e tinham cadeiras dispostas no mesmo plano.

O público que fazia filas nas bilheterias para assistir aos primeiros ensaios da filmografia brasileira ou às grandes obras dirigidas por Alfred Hitchcock ou Charlie Chaplin e estreladas impecavelmente por nomes como James Stewart, Paul Newman e Grace Kelly tinha outra motivação: ir ao cinema não era apenas um passatempo ou a realização da vontade de ver um filme; era uma experiência completa por si só. Era o que trabalhadores e estudantes planejavam para seu tempo livre e o que os extasiava e satisfazia. “Não tenho tantas memórias de infância, mas jamais esquecerei a primeira vez que entrei em uma sala de cinema, na Vila Madalena, para assistir Tubarão, de Steven Spielberg. Não sei o porquê, mas me marcou”, desabafou o comerciante Eduardo Gusmão, de 52 anos, que admite ter deixado de frequentar os filmes após sua mudança quase total para os shopping centers.

No começo do ano de 2011, o Cine Belas Artes, localizado próximo à esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista, um dos mais importantes cruzamentos da cidade, foi fechado por motivos financeiros, como a crônica de uma morte anunciada há, pelo menos, 30 anos. Com sua ida, veio a reflexão: por que os tradicionais cinemas de rua foram abandonados?

As respostas são muitas, como também as reações a elas. O que se convenciona é de que o declínio começou a partir da década de 1970. Nesta época, o centro de São Paulo perdeu parte do encanto que inspirava Adoniran Barbosa a Caetano Veloso e passou a se tornar um lugar temido e evitado. A falta de segurança afastou o público da região onde se encontrava a maior parte das salas tradicionais. Segundo Affonso de Oliveira, síndico há 22 anos do Edifício Copan, na Avenida Ipiranga, onde funcionava o antigo Cine Copan, “quando cheguei à administração, o prédio, como todo o centro, era um lar de marginalizados. O excesso de criminalidade, prostituição e mendigagem afastou o lazer do centro, o que só voltou a mudar próximo à virada do século”. O destino do Cine Copan foi o mesmo de muitas outras salas. Em 1986, ele foi fechado e ocupado pela Igreja Evangélica Apostólica Renascer em Cristo. A própria disposição de cadeiras colaborou para que muitas igrejas se instalassem onde outrora haviam cinemas.

Outro problema foi a entrada da televisão e, posteriormente, do VHS e do DVD no cotidiano paulistano. Segundo pesquisa do Instituto DataFolha de 2007, apenas 48% do público brasileiro revelou que costuma ir ao cinema, seja em um período de mais de uma vez por semana a menos de uma vez por ano. A mesma pesquisa apontou que 95% do público tem o costume de assistir filmes. Contudo, a preferência de 44% destes é pelo DVD, a de 25% pela TV e apenas 23% admitiram preferência pelas salas de cinema.

A saída do cinema das ruas está intimamente ligada à mudança do olhar sobre o fenômeno cultural em si, seu público e a programação exibida. Ao procurar a segurança e o conforto dos shoppings, dentro do maior símbolo da sociedade consumista contemporânea, em meio a lojas e restaurantes, os cinemas atraíram um novo público. “O que vemos mais aqui durante a semana são pré-adolescentes e adolescentes em grupos grandes, ou casais jovens. Nas sextas, há mais casais e nos finais de semana aparecem as famílias”, revelou Jaqueline dos Santos, gerente da unidade do Shopping Jardim Sul, no Panamby, da rede UCI de cinemas.

A programação da rede UCI favorece essa maior abrangência de consumidores: os filmes que entram em cartaz são produções de alto custo e grande potencial de publicidade, que chegam como sucessos de bilheterias nos Estados Unidos, principalmente. A rotatividade dos títulos disponíveis também é maior; se a procura por algum filme está abaixo do esperado, ele é substituído prontamente, o que é reflexo da ligação deste mercado com o lucro.

Já o CineSESC, localizado na Rua Augusta, na região dos Jardins, possui uma lógica de funcionamento diferente. Em sua grade de programação, não há tantas sessões diárias como na UCI, e os chamados “blockbusters”. Ou seja, os sucessos de público são minoria, em detrimento a documentários, mostras de renomados diretores e alguns filmes mais artísticos, tanto em forma, como em conteúdo, os chamados filmes “cult”. Esta sala foi a escolhida por Manuel e Odete Ferreira em uma tarde de quinta-feira deste mês de abril para conhecer a produção iraniana “A Separação”, vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012. O casal, que beira os 70 anos de idade, revelou que frequenta salas de cinema sempre que possível desde que se conheceu, há cerca de 50 anos. Manuel explicou a mudança estrutural ocorrida com o passar do tempo: “No meu tempo se saía para o cinema sem nem sequer saber que filme estava em cartaz. Ir para o cinema no centro, com os amigos, com os pais, primos, irmãos, era um dia em que nada podia dar errado, só queríamos chegar em tempo de pegar a próxima sessão. Hoje se consulta a programação via internet para depois se decidir se vale a pena ou não. Não se vai ao cinema, se vai ver tal filme”.

Para a estudante de cinema Mariana Pereira, a situação é compreensível: “Por estar dentro do shopping, as salas de cinema atendem à filosofia que rege o espaço sociológico do shopping, ou seja, eles precisam lucrar. Abre-se várias salas, com pequenos intervalos entre as sessões, o que não é a lógica do cinema de rua na sua origem”. Além da forma, Mariana defende que o conteúdo exibido se insere na mesma lógica: “Raramente se verá Bergman, Hitchcock, Kurosawa ou Fellini em cartaz em um shopping. Primeiro porque não se exibem mostras ou clássicos, apenas lançamentos. Segundo porque são densos e seu público é restrito e específico. A grade dos shoppings quer produções de Hollywood, que são mais digeríveis, têm começo, meio e fim e uma estética agradável. Normalmente você assiste a esse filme e sai com ele completo, pois não há o intuito de induzir reflexão ou angústia. Nas salas das ruas, não há essa preocupação. Pode-se exibir aquilo que você sabe que tem gente interessada, e essas pessoas sabem que só vão encontrar lá”.

Outra pesquisa realizada pela Ancine revelou a decadência do cinema em geral, mas excepcionalmente do cinema de rua. Segundo os dados, há cerca de 1000 salas de cinema a menos hoje do que havia em 1975. Além disso, 83% das salas atuais estão dentro de shoppings, sendo que nos estados do Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe não possuem uma sala de cinema de rua sequer. Em São Paulo, há mais de cinco salas em shoppings para cada cinema na rua.

O cinema enquanto estabelecimento seguiu a linha de condomínios, lojas e restaurantes: enclausurou-se na tentativa de oferecer maior conforto e segurança. Com a atual revitalização do centro da cidade de São Paulo, algumas salas, em sua maioria modernizadas por investidores como bancos, voltaram a ter certa procura e conquistam um público fiel. Geralmente mais crítico que o do shopping, esse público não pode ser estereotipado, mas une-se em torno da paixão pela sétima arte. Os espectadores que preferem redes como Cinemark ou UCI procuram em sua maioria o lazer e, muitas vezes, a abstração.

Seja como for, por lazer, profissão, hobby ou passatempo, o cinema enquanto lugar físico, assim como os jornais e os livros impressos, não desapareceu com a competição da TV e da internet. Como diria o personagem Alex DeLarge, de Laranja Mecânica: “É curioso como as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema”.

Cinema: passado, presente e futuro

Tema: Cultura/ Comportamento

1) Quero contrastar a atual realidade dos cinemas de shopping aos cinemas de rua de São Paulo, baseado na percepção das pessoas que os frequentam ou frequentaram, seja a lazer, a trabalho ou por quaisquer outros motivos.

2) Infelizmente estive apenas uma vez em um dos mais tradicionais cinemas de rua de São Paulo, o Belas Artes, na rua da Consolação. Foi em seu último dia de funcionamento. Me chamaram a atenção a diferente grade de filmes em cartaz, disposição de cadeiras, estereótipo dos frequentadores. Além do Belas Artes, muitos outros cinemas de rua, nos moldes que me contava meu pai, fecham diariamente as portas ou migram para lugares fechados.

3) Gostaria de ouvir histórias de pessoas que frequentavam cinemas de rua e que perderam o costume, ou o cultivam até hoje. O que acham da mudança e o que as atrai neste tipo de entretenimento. O que pensam dos cinemas de shopping? Gostaria de ouvir o inverso, também. Gostaria de saber o que funcionários destes locais pensam a respeito. Quero investigar a causa do sumiço dos cinemas das ruas e a diferença destes para os dos shoppings em relação aos objetivos comerciais, público alvo, etc.

4) O que aconteceu com as salas de cinema ao longo do tempo?

5) Qualquer pessoa que frequenta o cinema, com qualquer frequência e objetivo, é uma fonte viável. Críticos ou profissionais da área podem ser úteis tecnicamente, mas um senhor que vai às sessões na mesma sala há 40 anos também. O proprietário de alguma sala, ou responsável por uma rede de cinemas como UCI ou Cinemark, apesar de mais difícil e burocrático, também deveria ser ouvido.

6) Minha proposta tem um foco específico: as salas de cinema. Entretanto, a mudança deste aspecto ao longo dos anos retrata a evolução de toda uma metrópole, a alteração dos hábitos da sociedade. Trata-se de um olhar ao passado e uma reflexão sobre o futuro.